Mega Ferreira

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Apoio camarário com duas versões

"Há abertura por parte da Câmara de Lisboa para ser parceiro e apoiar" os Dias da Música, evento que substituirá a Festa da Música em 2007, "mas após avaliação do projecto, que não nos foi ainda apresentado". Contactado pelo DN, o vereador da Cultura, José Amaral Lopes, afirmou ontem que o município não garantiu ainda apoio financeiro à nova iniciativa do CCB , reiterando declarações que inicialmente prestara ao Correio da Manhã, nas quais desmentia António Mega Ferreira.

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O `milagre' que custa 1,3 milhões de euros

"Um milagre que acontece todos os anos." Foi com esta frase que René Martin definiu a Festa da Música quando esteve em Lisboa, em Março, para a apresentação da edição 2005. Apesar de ser de todas as festas (Nantes, Bilbao e Tóquio) a que tem o cachet artístico mais baixo, a 6.ª edição do megaevento que a cada mês de Abril chega ao CCB parecia, também ela, condicionada pelas dificuldades financeiras anunciadas no início do ano e que obrigariam a alterar a programação da actual temporada. Apesar de nunca ter estado em risco, conforme garantiam os organizadores, o recurso ao crédito bancário para que suportar os encargos parecia inevitável. Orçada em 1,3 milhões de euros ¬ quase metade do total do orçamento do CCB para 2005 ¬, a edição dedicada a "Beethoven e seus Amigos" acabaria por ser viabilizada sem necessidade de crédito bancário e com o orçamento estipulado no ano passado para o efeito, como anunciou, então, Isabel Trigo Morais. Como? Graças à contribuição de mecenas ¬ que este ano, mais do que nunca, se associaram à iniciativa ¬, a juntar às receitas das actividades comerciais do CCB , bem como ao aumento , esperado, das receitas de bilheteira (possibilitado pelo aumento de bilhetes à venda) da própria Festa da Música

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Os clássicos também se podem consumir

Quando, em 1995, o francês René Martin (actual conselheiro musical do Centro Cultural de Belém ¬ CCB ) arquitectou em Nantes um festival que pudesse atrair novos públicos à música clássica, estava longe de imaginar a proporção que essa fórmula assumiria uma década depois. Para não correr riscos, apresentou Beethoven como a estrela da que seria a primeira Folle Journée. A cidade associou-se e o público acorreu em massa para assistir a dezenas de concertos interpretados por grandes nomes mundiais da música erudita. Tudo a preços convidativos e num único fim-de-semana. Os mais elitistas questionaram o formato, alegando que o verbo consumir não deveria ser conjugado quando o sujeito eram os clássicos, ainda para mais, em série. O facto é que a Folle Journée inaugural revelou-se um sucesso que se repetiria nas edições seguintes. E a tal ponto que Martin exportou o festival. Primeiro para Lisboa (2000), onde recebeu o nome de Festa da Música, depois para Bilbau e, este ano, para Tóquio. A juntar a Nantes, fica completo o circuito da "festa" que, 11 edições mais tarde, volta a ter Beethoven como protagonista, só que agora acompanhado pelos seus amigos compositores. Em Lisboa, a Festa da Música vai na 6.ª edição e os números revelam a dimensão que o evento assumiu desde que se estreou com Bach, em 2000. Este fim-de-semana, mais de mil músicos (um terço são portugueses) estão no CCB para interpretar "Beethoven e seus Amigos" em 158 concertos distribuídos por sete salas e para um público que os organizadores esperam que esgote os 71 mil bilhetes postos à venda, um acréscimo de 15 mil face à edição de 2004. Este aumento de oferta foi possível com a construção, no Centro de Exposições, de um auditório com capacidade para 520 pessoas.