Marisa Matias

Premium

Marisa Matias

O Brasil é aqui

Nos 50 anos do Maio de 68 ocorre-me que tão pouco tempo passou para aqui chegarmos. Aqui, a este lugar onde é proibido (não) proibir. O Brasil vive um momento-chave e de todas as partes há quem ache que não temos nada que ver com isso. Em bom rigor, no sentido estrito, até nem é connosco, mas não é preciso pensar muito para perceber que é. A discussão não anda longe da que foi feita recentemente em relação à Hungria, nem do mal que faz a toda a gente haver no mundo um governo como o de Duterte, nas Filipinas, ou do estremecer que foi a eleição de Trump nos Estados Unidos. Mas, feitas as contas, isso quer dizer o quê? Que é a vida? Que temos de acostumar-nos? Que nesta casa comum não temos nada que ver com nada? Recuso a ingerência, mas recuso igualmente a apatia fria e calculista de quem acha que no silêncio é que está o ganho.

Marisa Matias

A nossa casa comum

A menos de dois meses da Conferência das Partes (COP24) que terá lugar na Polónia, somos alertados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas que temos apenas 12 anos para reverter a catástrofe que se avizinha. Porquê catástrofe? Porque qualquer que seja a temperatura que vá além do aquecimento global de 1,5º C aumenta exponencialmente o risco de cheias, calor extremo, tempestades e, com isso, centenas de milhões de pessoas arrastadas para a pobreza extrema. Mas o relatório do Painel das Nações Unidas mostra-nos como cada décima de grau centígrado a mais poderá ter impactos como o degelo do Ártico, e consequente subida do nível das águas do mar ou a erradicação de todas as barreiras de corais existentes, fundamentais para a sobrevivência dos ecossistemas marinhos.

Opinião

João

Os floristas da Rua da Alegria, no Porto, receberam uma encomenda de cravos vermelhos para o dia seguinte e não havia cravos vermelhos. Pediram para que lhes enviassem alguns do Montijo, onde havia 20, de maneira a estarem no Porto no dia 18 de julho. Assim foi, chegaram no dia marcado. A pessoa que os encomendou foi buscá-los pela manhã. Ela queria-os todos soltos, para que pudessem, assim livres, passar de mão em mão. Quando foi buscar os cravos, os floristas da Rua da Alegria perguntaram-lhe algo parecido com isto: "Desculpe a pergunta, estes cravos são para o funeral do Dr. João Semedo?" A mulher anuiu. Os floristas da Rua da Alegria não aceitaram um cêntimo pelos cravos, os últimos que encontraram, e que tinham mandado vir no dia anterior do Montijo. Nem pensar. Os cravos eram para o Dr. João Semedo e eles queriam oferecê-los, não havia discussão possível. Os cravos que alguns e algumas de nós levámos na mão eram a prenda dos floristas da Rua da Alegria.