Marisa Matias

Marisa Matias

Na região mais rica do mundo, o sol quando nasce não é igual para todos

SOTEU (State of The European Union) é o nome dado ao debate anual sobre o estado da União Europeia no qual o presidente da Comissão em exercício, neste caso Juncker, se dirige ao Parlamento e aos cidadãos para fazer um balanço. Com mais ou menos criatividade, o exercício consiste em mostrar que tudo está bem, tudo o que foi feito no ano anterior foi a única opção possível e que no ano seguinte "é que vai ser" e "enfrentaremos todos os problemas" que até aí não fomos capazes de enfrentar. A menos de uma semana do SOTEU, vale a pena passar os olhos pelo estado em que estamos. É que na região mais rica do mundo e com melhor qualidade de vida o sol quando nasce não é igual para todos os 512 milhões, 59 mil e 44 habitantes.

Marisa Matias

O país que não o é

Cresci e tornei-me adulta sabendo que era do interior. A 40 quilómetros da costa, não podia ser outra coisa senão interior. Faltava tudo: transportes, educação, saúde, saneamento, água, meios. Lembro-me, contudo, do dia em que me senti mais do interior do que nunca. Foi o dia em que tudo à volta da minha aldeia ardeu e uma boa parte da aldeia, crianças excluídas, teve de fazer o que se podia fazer para apagar o fogo. Ir à fonte, encher tudo o que havia para encher, subir o monte, cobrir o rosto e apagar o fogo por onde podia. Tinha, creio eu, 6 anos, quando pensei que ia ser o último dia das nossas vidas. Essa foi a sensação mais profunda que tive do que era ser-se do interior. Era o abandono.

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Marisa Matias

Direitos contra direitos

Não é muito frequente que cidadãos e cidadãs europeias se mobilizem por qualquer que seja a coisa que se debate no Parlamento Europeu. A diretiva do mercado único digital é, por isso, uma exceção. O debate polarizou-se, mas o centro da questão está, no meu entender, no facto de a proposta apresentada não defender os direitos dos artistas de modo efetivo e, ao mesmo tempo, implicar a limitação dos direitos dos utilizadores de internet invocando essa razão.

Agora Mesmo

As engraçadinhas e o bigode de Mário Nogueira

António Costa está a viciar-se em ganhar eleições depois de perdê-las, e isto não é uma acusação, é sublinhar um mérito. A política é como a economia: deve ser a boa gestão dos recursos disponíveis. Ter dois candidatos "da área" votados a perder, sem se comprometer com nenhum é boa fórmula quando não pôde haver melhor (Guterres) e do outro lado estava um provável invencível. Acresce que Costa teve sorte por esse vencedor provável ser um político inteligente e não uma ressabiada força de bloqueio.