Mário Laginha

Disco

Uma música que também vive da mestiçagem

"Nós hoje sabemos, pela história, que Chopin era um grande improvisador", dizia-nos há dias Mário Laginha a propósito do seu novo álbum, Mongrel. Este título é um adjectivo inglês e que em português significa mestiço. "Procurei esse nome precisamente para não iludir as pessoas, para não pensarem logo em África. Mas para mim a palavra mestiça tem a ver com o facto de esta música de Chopin ter sido mestiçada por outras e na minha opinião é um termo que se pode utilizar perfeitamente. Aliás, eu próprio estive a mestiçá-la, a puxar esta música para outros universos", explicou o pianista. A importância que o nome Frédéric Chopin tem na história da música contribui para que este projecto de levar as peças do compositor polaco para o jazz comporte uma certa dose de risco: "Sei que sim, mas tudo é possível. Acho que há um lado meu que me diz para não virar as costas a um desafio, desde que tenha algo de atraente", referiu. Para o resultado positivo deste Mongrel contribuiu também o facto da música de Chopin ser, segundo Mário Laginha, "inspiradíssima": "As melodias são boas, as sequências harmónicas são inspiradíssimas. Quando comecei a trabalhar neste projecto vi logo nas partituras que Chopin tinha um talento monstruoso para escrever, essa capacidade até borbulhava nele", afirmou.