Maria Antónia de Almeida Santos

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Maria Antónia de Almeida Santos

Olha o robô, é pra menina e pro menino

A automação e a robotização têm vindo progressivamente a alterar o nosso quotidiano e o mundo como o conhecemos. A vida, hoje, é muito mais confortável com a caixa automática do supermercado, com a impressora 3D e com tantos outros gadgets que surgem quase diariamente. Ainda não nos tínhamos acabado de entender cabalmente com o GPS do automóvel e eis que surgem já testes com veículos de condução autónoma. A tecnologia parece querer assegurar-nos, cada vez mais, que tem cada vez menos limites na sedução e na busca do nosso conforto...

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Maria Antónia de Almeida Santos

Há vacina para as fake news?

A internet foi das mais admiráveis invenções tecnológicas da história da humanidade, com o seu contributo para a democratização no acesso ao conhecimento e na partilha da informação. A imagem da mensagem na garrafa que navegava pelos mares foi já ironicamente substituída na cabeça de todos pela hashtag # . A comunicação torna-se cada vez mais instantânea, com o chat , as redes sociais e as aplicações, em que o indivíduo consegue partilhar experiências e estados de espírito e projetar aquela identidade com que se sente virtualmente confortável...

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Silêncio e preconceito

Portugal tem uma tradição humanista e solidária invejável que está ilustrada, aliás, no nosso percurso artístico, cultural e democrático. O papel histórico de interface de civilizações conferiu-nos o elã de interlocutor privilegiado de culturas e o laço afetivo com a nossa vasta diáspora fomentou em nós a ideia de que, quem espera tolerância, tem necessariamente de praticá-la. A isto juntámos Abril e os valores da liberdade, plasmados numa Constituição assente na dignidade social e na igualdade. Por si só, no entanto, a ideia enraizada dos nossos "brandos costumes" poderá acarretar o perigo de nos esquecermos de averiguar ciclicamente se a sua brandura ainda perdura.

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Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Ainda há canções de intervenção como havia antigamente? 

Os últimos acontecimentos em Paris exigem o concílio da reflexão com a inquietação. A consciência do peso simbólico da cidade associada à reivindicação, à Revolução Francesa, ao Maio de 68 e até à revolução pela revolta das massas em fúria é histórica, global e plena. Mas confesso que a minha curiosidade me exige percecionar a mudança nas formas de protestar e reivindicar. A frescura do hashtag, bastante mais amigo do ambiente do que o panfleto ou o cartaz, a T-shirt estampada e a manifestação convocada "na net" confirmam-nos que a tradição já nem aqui é o que era. Definitivamente e pedindo ajuda ao Rui Veloso, quase apetece dizer que já não há canções de intervenção como havia antigamente...

Maria Antónia de Almeida Santos

A cultura e a luta pela validação da verdade

Há palavras difíceis de definir. "Cultura" é uma delas. De uma forma simples, sem pretensões académicas, "cultura" será a palavra que todos sabemos o que é, mas que temos dificuldade em concretizar, talvez porque saibamos (uns mais do que outros...) que a cultura de um não poderá ser, em absoluto, a cultura de todos, mas sim o conjunto dos contributos de cada um. A aceção de "cultura" terá de ser coletiva e, nesse sentido, sempre sinónima de democracia.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Os novos desafios da oncologia

A forma como uma determinada sociedade se relaciona com a doença crónica acaba por ser um espelho de si mesma. É o caso da doença oncológica, a que comummente chamamos cancro e que, evoluindo rapidamente, todos os dias vê a sua incidência aumentada. Com números assustadores e talvez por ser uma doença determinada por fatores endógenos e exógenos, o que lhe confere uma certa aura de arbitrariedade, foram-lhe apontadas várias causas ao longo da história. Hoje em dia, o nosso entendimento sobre as causas do cancro é científico e, felizmente, outro. Caminhamos a passos largos para a cura do cancro e o acesso dos cidadãos aos tratamentos que incorporam a inovação terapêutica com grande evidência científica vai-se tornando a realidade que queremos para todos os que deles precisam. O impacto que implica na despesa do país é largamente ultrapassado pelo retorno que traz, pois é um enorme investimento nas pessoas, na vida, no trabalho e na felicidade. O direito à felicidade existe, não nos esqueçamos. Para trás ficaram as maldições desta doença, a publicidade enganosa e os videntes prometendo curas milagrosas, quem não se lembra?

Maria Antónia de Almeida Santos

O interior: o seu conceito e a sua realidade

É facilmente aceitável por todos que o sucesso de uma iniciativa política decorre, com frequência, também da sua capacidade de concretizar a aceitação coletiva e consensual de uma mudança. Mas em poucos casos isso será tão evidente como com toda e qualquer iniciativa política ligada ao interior e à sua valorização. E porquê? Porque o desafio, nesta área, consiste não só na aferição das melhores respostas, concertadas e com visão de curto, médio e longo prazo, a uma questão que é profundamente estrutural, mas também no redesenhar de um conceito profundamente enraizado no imaginário português - o conceito de "interior". Para alterar o conceito que temos do interior, urge alterar-lhe a realidade.

Maria Antónia de Almeida Santos

Todos os regressos têm uma partida

Ao tomar conhecimento das críticas por parte da oposição ao governo às medidas anunciadas para incentivar o regresso dos portugueses que saíram de Portugal durante a crise, veio-me à ideia, inusitadamente e de assalto, o célebre Lucky Luke. E "inusitadamente" porquê? Porque não foi pela justiça, nem pela certeza da pontaria, que me lembrei da célebre figura. Foi mesmo pela questão do "disparar mais rápido do que a própria sombra".