Maria Antónia de Almeida Santos

Maria Antónia de Almeida Santos

A cultura e a luta pela validação da verdade

Há palavras difíceis de definir. "Cultura" é uma delas. De uma forma simples, sem pretensões académicas, "cultura" será a palavra que todos sabemos o que é, mas que temos dificuldade em concretizar, talvez porque saibamos (uns mais do que outros...) que a cultura de um não poderá ser, em absoluto, a cultura de todos, mas sim o conjunto dos contributos de cada um. A aceção de "cultura" terá de ser coletiva e, nesse sentido, sempre sinónima de democracia.

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Maria Antónia de Almeida Santos

O Orçamento do Estado para 2019 e o fim da fantasia da direita

O Orçamento do Estado para 2019, apesar de ter a sua votação final agendada apenas para novembro próximo, produziu já um resultado: a confirmação do fim da fantasia criada pela direita em Portugal de que à esquerda não se governa com responsabilidade. Bem ao contrário dessa ilusão, eis que o Orçamento do Estado para 2019 surge como o corolário de um percurso que materializa e realiza os sucessos que a oposição considerava uma fantasia. Ao recusar de todo e logo à partida a possibilidade de chegarmos onde estamos hoje, a oposição mais não fez do que inconscientemente confirmar que, afinal, não é à esquerda que não se sabe governar com responsabilidade, mas sim à direita que não se sabia como governar sem recorrer à irresponsabilidade da austeridade extrema.

Maria Antónia de Almeida Santos

Saúde e sustentabilidade democrática 

Penso que não há ninguém que refute que uma das características indissociáveis de toda e qualquer sociedade democrática é a sua capacidade de debater, de uma forma que se quer construtiva e evolutiva, também sobre si mesma e os seus índices de desenvolvimento. Na nossa perspetiva ocidental e europeia, o conceito de democracia parece já enraizado por todos e em todos, ao ponto da quase estagnação. Mas será aconselhável estarmos, enquanto país ou até como membro integrante da união política e económica, tão descansados assim?

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Maria Antónia de Almeida Santos

O efeito borboleta da democracia

Nunca na história da humanidade se produziu, registou e conservou tanto conhecimento como no momento em que vivemos. E em momento algum da história do mundo se discutiu tanto sobre conceitos como democracia, liberdade, paz e desenvolvimento sustentável. Os avanços tecnológicos, nomeadamente nos meios de comunicação e através das redes sociais, permitem-nos uma troca de ideias em estado de ebulição quase permanente e à escala global. No entanto, creio por vezes que também nunca como agora se assistiu tão flagrantemente ao fenómeno da superabundância da informação estéril de conhecimento.

Maria Antónia de Almeida Santos

A Cimeira da CPLP em Cabo Verde: a identidade e o poder pelo diálogo

Não é possível falar da CPLP sem falar de identidade. Seja ela geográfica e territorial, linguística, económica, cultural ou política, ao falarmos da CPLP ou de uma outra sua congénere, estaremos sempre a falar de identidade. Esta constatação parece por de mais óbvia e por de menos necessária, se não vivêssemos nos tempos em que vivemos. Estes tempos, a nível das questões da identidade coletiva, são mais perigosos do que os de antigamente? À luz do que a humanidade já viveu até agora, não temos, globalmente, o direito de afirmar que sim. Mas nunca como agora foi tão fácil influenciar o processo de construção da identidade de um grupo, de uma comunidade e, inclusivamente, de um povo.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Perceções e realidades

Aos muitos que gostam de criticar tudo e todos, que se limitam a carpir as mágoas do desinvestimento que o Serviço Nacional de Saúde sofreu nos anos da troika, perguntem aos doentes dos muitos centros de saúde que nos últimos dois anos foram finalmente construídos e inaugurados, num esforço de investimento, se não estão melhor. É que há perceções e realidades. Perguntem, por exemplo, aos mais de dez mil cidadãos, utentes do novo Centro de Saúde de Barcarena inaugurado no passado 25 de Abril, que antes utilizavam um centro de saúde improvisado num antigo quartel de bombeiros sem condições de conforto para os doentes e sem dignidade para quem nele trabalhava, muitos deles idosos e sem condições de acesso mínimas, e que agora beneficiam de um centro moderno com valências de medicina geral e familiar, vacinação, tratamentos, sala de inaloterapia, se não estão hoje melhor. O projeto feito e aprovado há vários anos, repetidamente adiado, foi feito e inaugurado neste ano, no simbólico Dia da Liberdade e de todos os direitos. Estamos todos preocupados com a forma como tomamos conta uns dos outros. A medicina, no passado, no presente e no futuro, distingue-se pela sua absoluta e radical humanidade. De tal modo, que não será possível falar de competência técnica sem falar de humanismo, de respeito pela dignidade do ser humano, face ao homem concreto que temos diante de nós e os seus familiares e amigos. Concentremo-nos, na reflexão sobre as mudanças que, legitimamente, podemos esperar. O Serviço Nacional de Saúde tem uma estrutura identitária e também por isso é preciso resolver a multimorbilidade existente, são vários e cada vez mais os problemas a resolver no setor da saúde. Não estamos disponíveis para colocar o SNS no mercado. Os recursos neste setor são finitos e a procura e a despesa crescentes, fruto da demografia e epidemiologia, as reformas e políticas têm sempre impacto a médio e longo curso. As legítimas e em parte justas reivindicações dos profissionais não podem pôr em causa a sustentabilidade do setor. Foram reforçados e continuarão a ser o número de profissionais, bem como a esmagadora maioria dos indicadores de produção, mais consultas, mais cirurgias, mais acesso, maior inovação terapêutica. A despesa pública em saúde cresceu mais do que a despesa privada e o crescimento da despesa das famílias passou de 3,6% para 1,1%. Segundo dados oficiais constantes no Portal do SNS, na área da transparência podemos aceder ao retrato da saúde em Portugal em 2018. Os dados são favoráveis, nalguns casos muito, falar num SNS pior é uma falácia, ainda que encontrar casos mediatizantes que vão pontuando aqui e ali o espaço público, não encontram paralelo no rigor e transparência dos números. As expectativas são legítimas mas a aderência à realidade diz-nos que muitos dos problemas são de matriz estrutural, que implicam reformas sérias que promovem a eficiência, a qualidade, a segurança na premissa máxima do superior interesse público. O tema da saúde, por questões óbvias da condição humana, desperta sempre discursos ou abordagens mais ou menos emotivas que não se coadunam com soluções que a razão preconiza, salvaguardando o legado histórico do SNS e os pilares fundacionais e honra constitucional, urge dotá-lo das novas exigências sociais e económicas sem questionar os princípios que fazem as mais isentas e insuspeitas instâncias internacionais considerá-lo um dos melhores sistemas do mundo. É que há perceções e realidades. Deputada do PS