Maria Antónia de Almeida Santos

Maria Antónia de Almeida Santos

Saúde e sustentabilidade democrática 

Penso que não há ninguém que refute que uma das características indissociáveis de toda e qualquer sociedade democrática é a sua capacidade de debater, de uma forma que se quer construtiva e evolutiva, também sobre si mesma e os seus índices de desenvolvimento. Na nossa perspetiva ocidental e europeia, o conceito de democracia parece já enraizado por todos e em todos, ao ponto da quase estagnação. Mas será aconselhável estarmos, enquanto país ou até como membro integrante da união política e económica, tão descansados assim?

Maria Antónia de Almeida Santos

O interior: o seu conceito e a sua realidade

É facilmente aceitável por todos que o sucesso de uma iniciativa política decorre, com frequência, também da sua capacidade de concretizar a aceitação coletiva e consensual de uma mudança. Mas em poucos casos isso será tão evidente como com toda e qualquer iniciativa política ligada ao interior e à sua valorização. E porquê? Porque o desafio, nesta área, consiste não só na aferição das melhores respostas, concertadas e com visão de curto, médio e longo prazo, a uma questão que é profundamente estrutural, mas também no redesenhar de um conceito profundamente enraizado no imaginário português - o conceito de "interior". Para alterar o conceito que temos do interior, urge alterar-lhe a realidade.

Maria Antónia de Almeida Santos

O lado lunar dos festivais de verão

Festival" deriva da palavra "festa" e originariamente denominava uma ocasião especial em que se celebravam datas religiosas. A realidade de hoje evidencia claramente um significado diferente. Abandonados os deuses, atualmente a centralidade da celebração num festival de verão está no vivenciar de um momento e de uma experiência que o marketing assegura serem tão divinos e transcendentes como as noites quentes ao luar e no seio da natureza.

Maria Antónia de Almeida Santos

Escrutínio e voyeurismo

A questão da exposição da vida privada das figuras públicas há muito vem sendo debatida. Desde o campo das artes, ao desporto, à ciência e à política, há um certo prazer por parte do público em conhecer a vida privada das figuras públicas. Este deleite tem sido muitas vezes explorado pelos media com fins comerciais, como se sabe, dando origem a um filão económico de revistas, biografias, entrevistas e documentários, que pouco devem ao respeito pela privacidade. Para combater a saturação com os vários formatos existentes, eis que surgiu até o reality show em que se assiste ao processo de fabrico de uma figura pública, pela exposição da intimidade de um indivíduo desconhecido.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Em Portugal não há muros, nem jaulas, nem portos fechados

Já não podemos dizer o futuro convoca-nos para vários desafios, o presente é um desafio em si mesmo. Como desmantelar definitivamente o modelo de negócio dos passadores, evitando de uma vez por todas a trágica perda de vidas humanas em viagens perigosas. Já morreram mais de mil pessoas neste ano a tentar cruzar o Mediterrâneo, os passadores incentivam os migrantes como se fossem carga humana, aproveitam-se do desespero de milhares de cidadãos e famílias que têm direito a ambicionar uma vida digna independentemente da sua situação legal.