Margarita Correia

Margarita Correia

Parabéns, Cabo Verde!

Cabo Verde celebra hoje o seu 46.º aniversário de independência. No país, a língua oficial portuguesa convive, em situação de diglossia, com a língua nacional do país, o cabo-verdiano. A língua cabo-verdiana é um crioulo de base lexical portuguesa; pertence ao ramo dos crioulos afro-portugueses da Alta-Guiné, da família dos crioulos de base portuguesa. Além de língua materna de quase todos os cabo-verdianos, ela é língua segunda ou língua de herança dos descendentes da numerosa diáspora espalhada pelo mundo. É, ainda, língua cultural e artística por excelência, presente na poesia, nas canções, na música cabo-verdiana.

Margarita Correia

Conferência da Praia e plano de ação para o IILP

Decorreu de 26 a 28 de maio, em suporte virtual, a 4.ª Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial, com o tema "Horizontes e Perspetivas da Língua Portuguesa". Organizada pelo Governo de Cabo Verde, no âmbito da presidência pro tempore da CPLP, contou com a colaboração da Comunidade e do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP). Os materiais estão disponíveis na página e canal YouTube da CPLP.

Opinião

Por uma Comunidade de Cidadãos de Língua Portuguesa

De acordo com a Publishers Association, em 2016 o Reino Unido publicava 16% dos artigos académicos mais citados e possuía 10% de todas as editoras académicas do mundo; constituía o maior produtor mundial de livros e revistas académicas, com 17% do total (seguido pelos EUA, com 16%). Algumas destas editoras detêm também os índices bibliométricos mais reconhecidos no mundo académico, retroalimentando-se assim, e levando a que a ciência produzida no resto do mundo contribua para esta supremacia e para a riqueza do país.

Margarita Correia

As mulheres e o nome das atividades que exercem

No último quartel do século XX, a sociedade portuguesa abriu atividades, cargos e profissões às mulheres, o que à época suscitou acesa discussão sobre a forma feminina dos nomes desses cargos, atividades e profissões. Lembro a este respeito de quando Ruth Garcês assumiu o cargo de juiz em 1977 e de quando Maria de Lourdes Pintassilgo assumiu a chefia do V Governo Constitucional, em 1979, tornando-se primeira-ministra. Lembro ainda a admissão de mulheres nas Forças Armadas, na década de 1990, e a dificuldade em estabelecer formas femininas para funções e patentes militares.

Margarita Correia

Literacia, trabalho e igualdade de género

No Bom Dia Portugal (RTP) da passada sexta-feira, escutei que Portugal se encontra abaixo da média da União Europeia relativamente à percentagem de mulheres em lugares de topo, de acordo com o Índice de Biodiversidade de Género 2020 (European Institute for Gender Equality). A peça incluiu uma excelente entrevista a Mariana Branquinho, consultora de recursos humanos, que expôs razões para a situação portuguesa e destacou os países do norte da Europa, especialmente a Noruega, como os que garantem maior igualdade no acesso das mulheres a posições de topo na sociedade, sobretudo devido aos elevados índices de literacia daqueles países, que são ricos, desenvolvidos e com democracias consolidadas.

Margarita Correia

Do medo e do terror

Medo "provém do latim "metus" e é, em português, o nome genérico da emoção que acompanha a tomada de consciência de um perigo. Os vários nomes de significado relacionado (e.g. "receio", "pavor", "temor", "terror") denotam diferentes nuances ou intensidades de medo. Todos eles podem denotar também, por metonímia, o objeto que provoca a emoção. "Terror" constitui o nome do medo mais intenso ou avassalador e provém do nome latino "terror, terroris", com idêntico significado. O nome "terreur" em francês designa, desde 1789, o conjunto de meios de coerção política que permitia manter os opositores em estado de terror, e o Terror ("La Terreur"), com maiúscula, designa o regime instaurado em França entre setembro de 1793 e julho de 1794, encabeçado por Robespierre, que se caracterizou pela execução daqueles que se consideravam inimigos da Revolução. São da mesma época as primeiras atestações em francês das palavras "térrorisme", denotando um regime de terror político e "térroriste", denotando o partidário ou o agente de tal regime. O dicionário Houaiss propõe o ano de 1836 (no dicionário de Francisco Solano Constâncio, editado em Paris) como o da primeira atestação das palavras portuguesas "terrorismo" e "terrorista", não indicando étimos, mas apenas a sua estrutura morfológica ("terror" + -"ismo" / -"ista"). Em inglês, segundo o Merriam-Webster online, o par "terrorism"/"terrorist" surge logo em 1795 para se referir ao Terror francês. Até ao século XX, ambos os termos são marcadamente políticos e referem-se ao terror do Estado para com o povo. No mesmo sítio é-nos dito que, em 1920, em jornais como o Chicago Tribune, "terrorism" adquire aceção politicamente neutra, para referir o terror instalado pelos "gangsters", e que é em 1934 que o termo passa a ser usado para designar já não apenas o terror imposto pelo governo, mas também aquele que é imposto contra o governo. Atualmente, "terrorismo" designa o emprego sistemático de medidas violentas com objetivo político e dizem-se "terroristas" os atos arbitrários de violência extrema, executados para criar um clima de terror e desestabilizar o sistema social e político vigente. Ao escrever sobre a decapitação de Samuel Paty pela primeira vez, centrei-me na motivação do ato, identificando-a como sendo o fundamentalismo religioso, e o seu alvo a laicidade da escola. Para reforçar o meu ponto de vista dei o exemplo do movimento Escola sem Partido, no Brasil. Ao fazê-lo, alerta-me uma leitora, coloquei a execução de Samuel Paty no mesmo plano, desvalorizando-a. Entre o que se pretende veicular e o que se consegue efetivamente veicular vai frequentemente alguma distância; eu tinha obrigação de o ter tido em conta. O ato de pura barbárie cometido contra Samuel Paty a 16 de outubro foi um ato de terrorismo, tal como o ataque na basílica de Notre-Dame em Nice, a 29. O móbil destes atos é o fundamentalismo islâmico. A sua natureza é terrorista. O seu alvo é a sociedade francesa e também os valores da Europa. Ambos são atos chocantes, horrendos, inaceitáveis. Ambos podem apenas merecer repulsa e rejeição. Perante ambos, resta fortalecer a luta contra o terror e a favor da liberdade. Nenhum ato terrorista pode ser desvalorizado. Professora e investigadora, coordenadora do Portal da Língua Portuguesa

Margarita Correia

Graças a Deus. Ou graças a nós.

Fomos abalados pela execução de Samuel Paty, professor de História e Geografia, a 16 de outubro, frente à escola onde trabalhava, nos arredores de Paris. A causa próxima do crime foi a exibição, numa aula de Ensino Moral e Cívico, de duas das caricaturas de Maomé publicadas pelo Charlie Hebdo. A disciplina de Ensino Moral e Cívico é obrigatória ao longo de todo o currículo do ensino não superior, desde o ataque ao Charlie Hebdo em 2015, que é um dos temas do programa. Os seus objetivos são: respeitar os outros, adquirir e partilhar os valores da República (liberdade, igualdade, fraternidade, democracia, cidadania, laicidade, liberdade de expressão) e construir para si mesmo uma cultura cívica.