Margarida Balseiro Lopes

Margarida Balseiro Lopes

Um ano quase perdido

Assinalou-se neste mês de outubro um ano desde que voltou a repetir-se mais uma tragédia com incêndios que provocaram a morte de dezenas de pessoas, destruíram casas e empresas e dizimaram floresta um pouco por todo o país. Para um país ainda em choque com o que se tinha passado quatro meses antes nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, parecia impensável que tudo voltasse a repetir-se. Mas repetiu-se.

Margarida Balseiro Lopes

O desafio demográfico e a clubite partidária

No Parlamento, debatemos nesta semana o problema demográfico que é um dos maiores desafios do nosso país. Reconhecendo a importância do tema, o PSD trouxe há já vários anos esta matéria para a agenda política: em 2014, num relatório coordenado pelo Prof. Joaquim Azevedo, em que o PSD defendia, por exemplo, um IMI mais amigo das famílias; e mais recentemente, num documento elaborado pelo Conselho Estratégico Nacional, onde se apontava para o alargamento da licença parental e o reforço na partilha da mesma entre pai e mãe.

Margarida Balseiro Lopes

O legado de Joana Marques Vidal

Os últimos meses foram marcados pelo tema da (não) recondução da procuradora-geral da República, desde que a ministra da Justiça avançou há nove meses com a ideia de que a interpretação que fazia do texto constitucional é que se tratava de um longo e único mandato. Além da lamentável extemporaneidade destas declarações, a tantos meses do término do mandato ficou muito claro desde início que a questão subjacente à recondução de Joana Marques Vidal era de natureza política e não de carácter jurídico.

Margarida Balseiro Lopes

Memória

Esta semana ficou marcada pela saída da Grécia de um programa de ajustamento. Na realidade foram três programas que marcaram a vida dos gregos nos últimos anos, depois de vários governos e ameaças de saída do euro. Portugal, tal como a Grécia, também teve de implementar um programa de ajustamento, depois da bancarrota imposta pelo governo do PS. Mas as semelhanças terminam aí. Saímos em 2014 com a economia a crescer e sem necessidade de novos programas de ajustamento/cautelares e com as condições criadas para que várias das medidas de austeridade impostas naqueles anos pudessem ser revertidas. Para isso contribuíram de forma determinante o empenho e o esforço dos portugueses e a capacidade que o governo do PSD/CDS-PP teve de fazer com coragem as reformas necessárias para a recuperação do país. Também contribuiu a sorte que tivemos de ter a liderar este governo Pedro Passos Coelho, que mesmo nos momentos mais difíceis optou sempre por não abandonar nem desistir do seu país. Mas há certamente um fator que não contribuiu em nada: a colaboração do maior partido da oposição que também tinha aposto a sua assinatura no memorando de entendimento. O PS até de medidas por si negociadas protestou. Tudo valeu para naqueles anos tentar mandar abaixo o governo, não compreendendo que assim mandaria abaixo as hipóteses de o país sair o mais rapidamente possível daquele programa de austeridade. É verdade que há sempre alternativa, mas o PS nunca propôs a sua. Foi, por isso, com estupefação que ouvi o vídeo de Mário Centeno e li as declarações de António Costa, congratulando efusivamente o governo grego pela conclusão do programa. Os gregos bem merecem, pelo que tiveram de suportar também em resultado das decisões irresponsáveis, e que tanto custaram ao seu país, tomadas pelo venerado pela esquerda portuguesa antigo ministro grego Varoufakis. Fico estupefacta porque os parabéns que deram agora ao governo grego e aos gregos nunca foram capazes de dar aos portugueses e ao governo português.