lusofonia

Durante uma semana, meia centena de lusodescendentes como Marta Bernardino (em cima à esquerda), Ana

Encontro junta 50 jovens de vários países nas Caldas da Rainha

Os lusodescendentes que combatem a discriminação

Um grupo de 50 jovens participa nesta semana no Encontro de Lusodescendentes, nas Caldas da Rainha. A iniciativa da associação Cap Magellan quer criar uma rede, com técnicas de empregabilidade, que possam ser usadas nos diversos países. A isto junta-se um projeto solidário que liga a inclusão de refugiados e o emprego, e a montante, o objetivo de sempre: esbater o preconceito contra os emigrantes portugueses.

Ruy Castro

Uma multidão de corruptos injusta e pessoalmente perseguidos

Nenhum agente público no Brasil, nem mesmo o presidente da República, pode ganhar acima de 33 mil reais por mês. Isso equivale a pouco mais de oito mil euros - o que, para as responsabilidades de certas funções, pode ser considerado um salário modesto. Mas você ficaria surpreso ao ver como, no Brasil, esse valor ganha uma extraordinária elasticidade e consegue adquirir coisas que, em outros países, custariam muito mais dinheiro. Com ele, nossos políticos compram, por exemplo, redes inteiras de estações de rádio e televisão, prédios de 20 ou mais andares em regiões de proteção ambiental e edificação proibida e extensões de terra maiores do que a área de certos países europeus. É um fenómeno. Mais surpreendente ainda foi o que descobrimos esta semana. O governador do estado do Rio - cuja capital é a infeliz cidade do Rio de Janeiro -, Luiz Fernando Pezão, fez apenas 11 saques em suas contas bancárias de 2007 a 2014. Alguns desses saques eram no valor de três euros, o que lhe permitiria comprar no máximo um saco de pipocas, e nenhum acima de oitocentos euros. Por mais que Pezão pareça um sujeito humilde e desapegado, como se pode viver com tão pouco? Talvez tivesse dinheiro em espécie acumulado em algum lugar - quem sabe um cofre em sua casa ou mesmo o seu próprio colchão -, do qual fosse retirando apenas o suficiente para seus alfinetes. Não por acaso, a Polícia Federal prendeu-o na semana passada, acusando-o de ter recebido o equivalente a dez milhões de euros de propina, naquele período em que ele era vice-governador do então titular Sérgio Cabral - que, por sua vez, está condenado por enquanto a 197 anos de prisão por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Cabral é acusado também de ter cerca de 85 milhões de euros em depósitos fora do Brasil. Onde estarão os milhões de Pezão? E Michel Temer, dentro de 20 dias a contar de hoje, deixará de ser presidente do Brasil. No dia 1 de janeiro, uma terça-feira, passará a faixa presidencial a seu sucessor e perderá a imunidade que o impede de ser condenado por atividades ilícitas anteriores ao seu mandato. É quase certo que, já no dia seguinte, agentes da Polícia Federal baterão à sua porta em São Paulo, para levá-lo a explicar-se sobre as atividades ilícitas praticadas antes e durante o mandato. Explicações que ele terá dificuldade para dar, já que os investigadores parecem ter provas robustas de suas trampolinagens. E não se pense que tudo nessa turma se refere a milhões - uma inocente obra de reparos na casa de uma filha de Temer em São Paulo, "oferecida" por um empresário, indica um gesto de gratidão desse empresário por certa obra de vulto em que Temer, como presidente, o favoreceu. Nem toda a corrupção tem o dinheiro como fim. Ele pode ser também um meio - para se chegar ao mesmo fim. No caso do Brasil, foi o que prevaleceu nos últimos 15 anos: o desvio de dinheiro público para a manutenção do poder político, eternizando o desvio de dinheiro público. É uma equação diabólica, principalmente se maquiada de uma tintura ideológica - práticas de direita com um discurso de esquerda. E não se pense também que isso envolveu apenas os políticos. A Operação Lava-Jato, que está botando para fora os podres do país, condenou até agora 65 pessoas à prisão, das quais somente 13 políticos, num total de quase duzentas em fase de investigação ou já denunciadas. Entre estas, contam-se doleiros, operadores de câmbio, publicitários, lobistas, pecuaristas, irmãos, cunhados, ex-mulheres e "amigos" de políticos e carregadores de malas de dinheiro, além de funcionários, gerentes de serviço, executivos, tesoureiros, diretores, sócios-proprietários e presidentes de grandes empresas. Entre os presos ou investigados, estão também um ex-presidente da Câmara dos Deputados, um ex-presidente do Senado, vários ex-ministros de Estado (dos quais três ex-ministros da Fazenda), três ex-tesoureiros do Partido dos Trabalhadores, meia dúzia de altos funcionários da Petrobras, o ex-presidente do banco de desenvolvimento nacional, seis ex-governadores estaduais, os presidentes das quatro maiores empresas de construção civil do Brasil e quatro ex-presidentes da República. Um deles, Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, quando lhe falarem que o querido Lula está sofrendo uma perseguição pessoal e injusta, pense nos citados acima, tão injusta e pessoalmente perseguidos quanto ele.

Ruy Castro

Diga as piores verdades – nada gruda em Lula ou Bolsonaro

Teflon - em Portugal, tefal -, todo mundo conhece. É aquela substância antiaderente que recobre o fundo das panelas e faz com que, ao grelhar um bife ou fritar um ovo, não fiquem resíduos gordurosos grudados no fundo. O tefal ou teflon é uma das maravilhas da cozinha moderna. Nada se agarra a ele - nem lagartixas, cujas patas conseguem aderir a qualquer parede. E, para provar isso, há um filminho na internet mostrando, por coincidência, uma lagartixa tentando em vão escalar os poucos centímetros da lateral de uma frigideira protegida pelo produto.

Ruy Castro

E se Trump tiver de mostrar?

Stormy Daniels, uma atriz porno americana com quem o presidente Donald Trump teria tido um caso em 2006 e a quem, dez anos depois, ele mandou pagar 130 mil dólares para que ela não atrapalhasse sua corrida para a Casa Branca, acaba de publicar um livro de memórias. Este é o problema. As namoradas dos políticos americanos costumam ter tudo, menos amnésia. O livro se intitula Full Disclosure (Revelação Total) e ainda não foi lançado entre nós. Nele, Stormy recorda o que aconteceu entre ela e Trump e ainda descreve em minúcias a anatomia do homem. Segundo ela, Trump tem um pénis de tamanho abaixo da média, exceto pela cabeça - "enorme, como a de um cogumelo".