lusofonia

Opinião

Do Mar de Abidjan também se vê a língua portuguesa

Em abril de 1993, a capital económica e administrativa da Costa do Marfim foi palco de uma interminável ronda de conversações para a paz em Angola, que levou a Abidjan delegações do Governo e da UNITA, da troika de observadores, Portugal, Rússia e Estados Unidos, e de dezenas de jornalistas de Portugal e de Angola, para além da estrutura de mediação das Nações Unidas. Durante quase dois meses, a grande metrópole africana de língua oficial francesa foi palco de intensa atividade diplomática em que a língua de Camões, Pepetela ou Mia Couto se sobrepôs ao idioma de Victor Hugo, não tendo faltado até a presença da seleção moçambicana de futebol que, por essa altura, defrontou a congénere marfinense, num jogo de apuramento para o campeonato africano. A festa em bom português contrastou com a copiosa derrota da equipa vinda de Maputo.

Encontro junta 50 jovens de vários países nas Caldas da Rainha

Os lusodescendentes que combatem a discriminação

Um grupo de 50 jovens participa nesta semana no Encontro de Lusodescendentes, nas Caldas da Rainha. A iniciativa da associação Cap Magellan quer criar uma rede, com técnicas de empregabilidade, que possam ser usadas nos diversos países. A isto junta-se um projeto solidário que liga a inclusão de refugiados e o emprego, e a montante, o objetivo de sempre: esbater o preconceito contra os emigrantes portugueses.

Ruy Castro

O mundo sem fim de Elza Soares 

O musical de teatro Elza - sucesso no Rio, agora em São Paulo e, pelo visto, até ao fim dos tempos no resto do Brasil - é mais uma prova de que Elza Soares, em cuja vida o espetáculo se baseia, é o maior caso de ressurreição na história da música brasileira. Em sua carreira como cantora, que já passa de 60 anos, ela experimentou um período de enorme sucesso, nos anos 1960 e 70, e outro de total obscuridade, nos anos 1980 e 90. Mas, desde então, começou a voltar e nunca mais parou. Na verdade, nunca mais parou de crescer. Hoje, aos 81 anos oficialmente - sua idade real é mais difícil de calcular -, e cantando sentada, Elza Soares está maior do que em qualquer época de sua carreira. E com potencial para crescer ainda mais.

Germano Almeida

Regionalização à vista

O próximo entretenimento nacional vai ser a regionalização do país. Segundo a proposta aprovada na Assembleia Nacional pelos votos do MpD e da UCID, ainda que contrários a tudo que seja opinião pensante expressa, vamos ter dez regiões: cada ilha uma, Santiago duas. Justifica-se! Aliás, não se justifica coisa nenhuma! Santiago tem o dobro da população do arquipélago, sozinha devia ter ficado com pelo menos metade das dez regiões. Mas os eleitos do povo optaram por apenas duas, provavelmente para mais não inflacionar esse mercado já abarrotado de municípios e cidades.

Ruy Castro

À mercê de uma faísca

Nelson Rodrigues deixou, entre muitas, uma frase que pode explicar a tragédia que se abateu sobre o Rio no domingo passado, a destruição por incêndio do Museu Nacional. "Subdesenvolvimento não se improvisa", disse Nelson. "É obra de séculos." Da mesma forma, uma catástrofe como esta não acontece de uma hora para a outra. Vinha sendo meticulosamente preparada desde pelo menos 1960, quando o então presidente Juscelino Kubitschek mudou a capital do Brasil, do Rio para a quase lunar Brasília, ainda em construção, e deu as costas ao património histórico e artístico brasileiro, concentrado no Rio em grande parte.