Luís Castro Mendes

Luís Castro Mendes

Nós, os burgueses do teletrabalho

Talvez desde o fordismo não tenhamos assistido nas nossas sociedades a uma tão radical mudança das condições de trabalho, ao se abolir a distinção entre o espaço público e o privado na vida laboral e se reatarem as tradições do trabalho em casa, como as antigas fiandeiras ou os operários que cultivavam fora da fábrica os seus pedaços de terra. Se o trabalho manual mais básico, a agricultura e a indústria e algum trabalho mais qualificado (saúde, por exemplo) não puderam, pela sua natureza, ser relegados ao espaço doméstico, a verdade é que a pandemia revelou as enormes potencialidades deste modo de trabalho, tornado possível pelo extraordinário avanço tecnológico dos meios digitais.