Luís Castro Mendes

Luís Castro Mendes

Pavana por uma infanta defunta

Habituei-me a viver longe do meu país todas as grandes e pequenas crises políticas que atravessámos. A informação chegava-nos lá fora como que a preto e a branco, sem espessura e com uma diluída gravidade - e isto mesmo com todos os modernos e instantâneos meios de comunicação de que passámos a dispor. Essa distância afasta-nos da própria comunidade dos nossos amigos e da nossa vivência em comum do que acontece. Quando voltei a viver em Lisboa, entendi como ser de qualquer forma estrangeirado nos afasta impercetivelmente até mesmo daqueles com quem temos mais em comum.