Leonídio Paulo Ferreira

O dia em que os soldados brasileiros subiram à colina para dar coça nos nazis

Leonídio Paulo Ferreira

O dia em que os soldados brasileiros subiram à colina para dar coça nos nazis

Gritou lá de cima "Castelo é nosso" o tenente-coronel Emílio Rodrigues Franklin, faz nesta sexta-feira 75 anos. O grito foi em português, pois o assalto decisivo à posição nazi no norte de Itália coube à Força Expedicionária Brasileira (FEB), 25 mil militares vindos do outro lado do Atlântico para ajudarem os Aliados a derrotar a Alemanha. Monte Castelo, tomado a 21 de fevereiro de 1945, será uma das vitórias da FEB, junto com outra, em abril, em Montese, novamente em território italiano, novamente contra os nazis, nazistas como se diz no Brasil. Os brasileiros combatiam integrados no IV Corpo do Exército dos Estados Unidos.

Leonídio Paulo Ferreira

Quando os brasileiros a pensar são os quintos melhores do mundo

Getúlio Vargas é um tão nome prestigiado como polémico no Brasil, o presidente que chegou a ser ditador, mas que eleito uma segunda vez para o cargo não aguentou a ideia de um novo golpe depô-lo e antes disso deu um tiro no coração. Visitei um dia no Rio de Janeiro o Palácio do Catete, antiga sede da presidência, e vi o quarto onde Getúlio (poucos são os políticos aos quais o povo trata pelo primeiro nome) se suicidou em 1954. Do seu legado consta muita legislação social, também a decisão de enviar tropas combater os nazis na Europa, certamente o lugar do Brasil entre os vencedores da Segunda Guerra Mundial e um papel-chave na criação das Nações Unidas. Não teve o gigante lusófono direto a um dos cinco assentos permanentes no Conselho de Segurança, mas a tradição compensou-o com o privilégio de ter o primeiro discurso na Assembleia Geral, que se reúne todos os anos.

Leonídio Paulo Ferreira

O caos pós-Kadhafi, como o caos pós-Saddam

Entre os ditadores derrubados pela Primavera Árabe de 2011, o líbio Muammar Kadhafi foi o que teve o destino mais trágico: nem o exílio, como o tunisino Ben Ali, nem a prisão, como o egípcio Hosni Mubarak. Teve um fim bem mais parecido com o do líder iraquiano Saddam Hussein, derrotado, capturado e executado quase uma década antes. A revolta contra Kadhafi acabou em morte, por linchamento, e com os derradeiros momentos filmados por telemóveis. O rosto tanto de estupefação como de horror do governante líbio impressionava quem quer que visse as imagens e estas foram transmitidas pelas televisões do mundo inteiro. Também a morte de Saddam foi filmada.

Leonídio Paulo Ferreira

China bate EUA e já é o gigante diplomático

A China acaba de ultrapassar os EUA como a maior potência diplomática se tivermos em conta o número de representações no exterior, 276 no total, incluindo 169 embaixadas. Os americanos, líderes desde longa data, são agora segundos, com 273, das quais 168 com estatuto de embaixadas. O terceiro lugar é ocupado pela França, e Portugal é um muito honrado 23.º, segundo o Global Diplomacy Index do Lowy Institute, think tank australiano.

Leonídio Paulo Ferreira

Cuidado com a máquina multiplicadora de países

Não vale a pena procurar a Finlândia, a Polónia, a Albânia, a Eslovénia, nem sequer a Noruega ou a Irlanda com cores próprias. Quem olhar para um mapa da Europa datado de 1900 vai ter dificuldade em contar 20 países independentes, e de certeza não encontrará 24, que será o número daqueles que participarão no próximo ano na fase final no Europeu de Futebol. Hoje o continente conta com mais de meia centena de países, com a última vaga de novidades a ter surgido na década de 1990, quando três federações comunistas implodiram, uma delas, a Jugoslávia, de forma violenta, outra, a Checoslováquia, por via pacífica, e a terceira, a gigantesca União Soviética, de forma híbrida, com conflitos nacionalistas mais ou menos localizados, alguns a perdurar até hoje. Sim, houve a reunificação alemã, uma exceção.

Leonídio Paulo Ferreira

Finalmente o Nobel para quem fez a paz

Abiy Ahmed venceu o Nobel da Paz e, no entanto, o seu rosto era o mais difícil de reconhecer entre os quatro que muitos jornais, incluindo o DN, publicaram nos dias como fazendo parte dos favoritos ao prémio da Academia norueguesa. Tanto Greta Thunberg como Jacinda Arden e Donald Trump têm tido mais destaque mediático do que o primeiro-ministro da Etiópia, e sobretudo a jovem ecologista sueca parecia bem lançada para bater a paquistanesa Malala Yousafzai como a mais jovem galardoada de sempre.

Opinião

Contei à minha filha que os nossos impostos salvaram mestre Gregório

Foi o Estado, fomos todos nós, que salvámos os sete pescadores do barco atuneiro "Sete Mares" que naufragou ao largo da Madeira. O avião da FAP que os avistou e a lancha NRP Hidra que, apoiada pelo navio-patrulha NRP Tejo, os resgatou sábado foram os protagonistas, e as duas tripulações os heróis do dia, mas o essencial é que o salvamento não foi fortuito, mas sim resultado de um esforço coletivo do qual todos nos devemos orgulhar.

Opinião

Como é que se diz ingratos em grego?*

Há muitas explicações para a derrota eleitoral do Syriza. Vão desde o acordo sobre o nome da Macedónia do Norte até à má gestão do combate aos mortíferos fogos de 2018, passando pelas acusações de ter prometido resistir à União Europeia e no final acabar por negociar com esta um terceiro resgate à Grécia. Mas, na realidade, a Alexis Tsipras o eleitorado fez pagar o ter sido o rosto da austeridade, necessária mas brutal num país que é mais pobre do que durante anos as estatísticas nacionais fizeram crer. E Kyriakos Mitsotakis surge como o rosto da esperança, um político em teoria sem culpas na crise, se bem que o mesmo não se pode dizer da Nova Democracia, que ganhou com cerca de 40% e que graças ao bónus de deputados para o vencedor deverá ter maioria absoluta.

Leonídio Paulo Ferreira

Erdogan sabe-o bem: força da Turquia é que o mais forte nem sempre ganha

Está a par da derrota do partido de Erdogan em Istambul? Depois de as eleições terem sido repetidas por exigência do partido do presidente, por irregularidades em março? Pois a vitória do candidato da oposição, pela segunda vez e agora por uma margem que não deixa dúvidas, é a prova de que a sociedade civil turca é forte, de que o jogo democrático continua a ser feito e que nem sempre o mais forte impõe a sua vontade ao eleitorado.

Leonídio Paulo Ferreira

A Europa cabe num café

Nunca estive em Vladivostoque, mas sei que se entrar num dos seus cafés sentirei estar na Europa. Já estive em Buenos Aires, no café Tortoni, e senti mesmo estar em casa. Alguns dirão ter sentido isso em Boston. Ou em Montreal. Assim, onde começa e onde acaba a Europa? Do Atlântico aos Urais, há quem diga como o slogan na moda a seguir à queda do Muro de Berlim, outros procurando respeitar o que mostram os mapas. Sabe a pouco.

Leonídio Paulo Ferreira

Trump adoraria ser adorado assim

A primeira vez que visitei uma biblioteca presidencial americana foi há 20 anos, em Boston, todo um museu dedicado a John Kennedy. Até há uma reprodução do estúdio de TV onde num debate o luminoso filho da aristocracia do Massachusetts esmagou o soturno Richard Nixon, californiano que subira a pulso até à vice-presidência e um dia chegaria mesmo a presidente. Também estão em exposição, claro, vestidos de Jackie.