Leonídio Paulo Ferreira

Opinião

E elogiar a japonesa Naomi em vez de só se falar da birra de Serena?

Naomi Osaka, filha de um haitiano e de uma japonesa, nova estrela do ténis. É dela que se devia estar a falar e não de Serena Williams. Depois da derrota na final do US Open, e dos insultos ao árbitro português Carlos Ramos, a tenista veterana americana, 36 anos, tem sido falada e refalada, como se em campo tivesse estado sozinha. Até a japonesa de 20 anos, que cresceu a admirar as irmãs Serena e Venus, se sentiu incomodada pela polémica em torno do jogo. "Espero que Serena não esteja zangada comigo", disse mesmo. Mas como salientou o New York Times, não tem nada por que pedir desculpa, "simplesmente fez tudo melhor do que Williams; serviu melhor, moveu-se melhor, devolveu melhor".

Leonídio Paulo Ferreira

Elas conduzem, mas é o príncipe que põe o pé no acelerador

Vi o rei Salman em Riade em fevereiro e percebi porque confia tanto no príncipe herdeiro, o filho Mohammed bin Salman, a quem chamam de MbS e é o responsável por o reino ter voltado a ter cinemas e agora as mulheres poderem conduzir. O monarca tem 82 anos e, salta à vista, uma saúde frágil. Sucedeu em 2015 ao irmão Abdullah, que morreu com 90. E este tinha sucedido uma década antes a Fahd, que tinha 84. Uma sequência de líderes idosos num país de jovens (26 anos de idade média).

Opinião

Um frankenstein espanhol não é uma geringonça portuguesa

Pedro Sánchez não quer só derrubar Mariano Rajoy, quer também ser chefe de governo a todo o custo. E é neste a todo o custo que reside o problema espanhol, já que ninguém rejeita que o PP está manchado pelos escândalos de corrupção e que é legítimo o líder do PSOE ambicionar o poder. Fala-se de um governo frankenstein, pois se a moção de censura apresentada pelos socialistas resultar, a nova maioria nasce do apoio tácito não só do Podemos como de uma miscelânea de partidos nacionalistas catalães e bascos, uns à direita, outros mais à esquerda até do que o PSOE.

Opinião

E se falássemos de Israel aos 70 anos

Vi há um ano lágrimas nos olhos de judeus americanos quando lhes contavam como ali, na Avenida Rothschild, em Telavive, David Ben Gurion aproveitou o último dia do mandato britânico sobre a Palestina para proclamar o Estado de Israel. Foi há 70 anos, nesse 14 de maio de 1948 que não chegou a ser de festa, porque os exércitos árabes invadiram o novo país. Ben Gurion sabia bem dos riscos que corria, e o edifício onde foi feita a proclamação foi escolhido para manter a discrição enquanto os dirigentes sionistas discutiam como agir: era um museu, com paredes altas para pendurar os quadros e quase sem janelas.

Opinião

Coreias: muito simbolismo, ainda maior incerteza

Kim Jong-un ultrapassou a linha de fronteira e entrou na Coreia do Sul, apertou a mão a Moon Jae-in, sorriram ambos para os fotógrafos, e depois, inesperadamente, o líder norte-coreano convidou o homólogo do Sul a dar um passo para trás e entrar também na Coreia do Norte. Novo aperto de mão e mais uma avalanche de flashes, antes de seguirem para a Casa da Paz, o local da cimeira, no lado sul-coreano da DMZ, a zona desmilitarizada e altamente minada que separa os dois países desde o final da guerra de 1950-1953.

Leonídio Paulo Ferreira

O povo do kimchi

Não imagino o almoço da cimeira intercoreana de sexta-feira em Panmunjon sem kimchi, a couve branca fermentada e com pasta de malagueta vermelha presente em todas as refeições. Posso garanti-lo baseado em três viagens à Coreia do Sul e em inúmeras conversas com coreanos a viver em Portugal. Se o kimchi não surge na ementa que está a ser divulgada para o encontro de Kim e Moon a única explicação é ser um acompanhamento tão obrigatório para o povo da península, seja a norte ou a sul do paralelo 38, que mencioná-lo é desnecessário. Muito une os coreanos e certamente a adição ao kimchi fá-lo, mesmo que menos forte entre os jovens, a quem os tempos modernos habituaram a que no inverno não falte vegetais.