Leonídio Paulo Ferreira

Opinião

Caxemira: questão não é Índia retaliar, mas sim com que fúria

O problema de Caxemira, cuja soberania é disputada por potências nucleares, começa pelo seu simbolismo, com o K inicial (em inglês) a ser a terceira letra do nome inventado para pátria dos muçulmanos da Índia ainda na era colonial britânica, esse Paquistão (Pakistan) ou "País dos Puros" nascido finalmente em 1947. Já para a União Indiana, a moderna Índia também independente desde 1947, Caxemira é a prova da diversidade, pois é o único estado que tem maioria muçulmana num país esmagadoramente hindu, mas orgulhoso de ser pátria de outras religiões, de sikhs a cristãos.

Leonídio Paulo Ferreira

Sánchez, o político que ganha mesmo quando perde

Pedro Sánchez ganhará as próximas legislativas espanholas? Porque não? O inexperiente político que ainda há pouco tempo não convencia os barões do PSOE e tinha dificuldades em garantir aos socialistas mais votos do que os do Podemos até já chegou a primeiro-ministro, logo tudo parece possível. E a verdade é que depois de o orçamento ter sido chumbado hoje no parlamento, uma ida antecipada às urnas é quase inevitável, num momento em Espanha em que tudo parece jogar a favor das ambições de Sánchez. Até este voto contra dos nacionalistas.

Leonídio Paulo Ferreira

Alerta: A juntar ao Brexit, hoje há recessão alemã?

Hoje é um dia cheio de incertezas na Europa. A que está sob os holofotes é se haverá votação ou não em Westminster sobre o acordo do Brexit com a União Europeia. Aquela que tem sido menos falada é a possível recessão na Alemanha, com os números do quarto trimestre de 2018 a serem divulgados e a poderem ser de contração como foram no terceiro (a produção industrial caiu 1,9% em novembro, daí o receio).

Opinião

Macron não é De Gaulle e não estamos em 1968

Dizia um dos coletes amarelos nos primeiros dias de protestos que as elites francesas se preocupam muito com o fim do mundo mas o povo está preocupado é com o fim do mês. A frase, que vinha numa reportagem no Le Monde, fazia o contraste entre os governantes que, a pensar no combate ao aquecimento global, aumentam os impostos sobre os combustíveis e o pai ou mãe que faz contas quando vai à bomba abastecer, seja para levar os filhos à escola, seja para poder ir trabalhar, às vezes longe de casa.

Opinião

Já não é segredo: Israel tem novos amigos árabes

Israel teve há dias uma enorme vitória diplomática e não, não foi o reafirmar por Jair Bolsonaro de que a embaixada brasileira mudará para Jerusalém. Ao passear-se por Mascate com o sultão de Omã, Benjamin Netanyahu confirmou aquilo que já se comentava à boca pequena há alguns anos: que cada vez mais os países árabes, e sobretudo as monarquias do golfo Pérsico, estão dispostas a reconhecer o Estado Judaico como uma realidade no Médio Oriente. E como um aliado contra o Irão, o grande rival xiita, visto como ameaça por reis e xeques sunitas.

Opinião

E elogiar a japonesa Naomi em vez de só se falar da birra de Serena?

Naomi Osaka, filha de um haitiano e de uma japonesa, nova estrela do ténis. É dela que se devia estar a falar e não de Serena Williams. Depois da derrota na final do US Open, e dos insultos ao árbitro português Carlos Ramos, a tenista veterana americana, 36 anos, tem sido falada e refalada, como se em campo tivesse estado sozinha. Até a japonesa de 20 anos, que cresceu a admirar as irmãs Serena e Venus, se sentiu incomodada pela polémica em torno do jogo. "Espero que Serena não esteja zangada comigo", disse mesmo. Mas como salientou o New York Times, não tem nada por que pedir desculpa, "simplesmente fez tudo melhor do que Williams; serviu melhor, moveu-se melhor, devolveu melhor".

Opinião

O meu filho entrou ontem na universidade. Festejei, mas...

Tenho um filho nascido em 2000 e fui um dos milhares de pais que ontem em Portugal festejaram a entrada dos seus na universidade. Porém, assim que o Daniel me avisou, e sem deixar de lhe dar os parabéns, reforcei a ideia de que isto é apenas o princípio de uma longa caminhada. Que entrar numa universidade ou num politécnico é uma vitória pessoal, sobretudo se for no curso que se pôs como primeira opção, como no caso do dele. Mas que é preciso estudar muito, esforçar-se a sério para aprender e esperar que ao fim dos três anos da licenciatura (ou mais alguns se preferir fazer mestrado) se esteja preparado para aproveitar as oportunidades de emprego. E, pelo que sei, no curso dele a empregabilidade tem sido alta até agora, veremos adiante.