Leonídio Paulo Ferreira

A Formiga brasileira  que já jogou em  sete campeonatos do mundo e em seis Jogos Olímpicos

Miraildes Maciel Mota (n. 1978)

A Formiga brasileira que já jogou em sete campeonatos do mundo

Miraildes Maciel Mota arrancava a cabeça das bonecas para delas fazer uma bola e jogar nas ruas do bairro pobre de Salvador onde nasceu em 1978, contou o jornal O Globo num perfil da futebolista brasileira quando esta em 2019 participou no seu sétimo campeonato do mundo, recorde absoluto, seja entre as mulheres ou contando também os homens. Também é dela o recorde de presenças em Jogos Olímpicos, com seis. Aos 42 anos, continua no ativo, envergando agora a camisola do Paris Saint-Germain. E pegando na sua alcunha de Formiga, e somando à sua arte com os pés, os franceses até a começaram a chamar de Formidable.

Opinião

Um discurso de fé nos europeus 

Foi uma fortíssima declaração de fé na União Europeia aquilo que Ursula von der Leyen fez nesta manhã, dirigindo-se muito aos jovens. A presidente da Comissão Europeia não só elogiou a cooperação entre os Estados membros no combate à covid-19, desde os corredores verdes quando as fronteiras estavam fechadas até ao repatriamento solidário dos pontos mais remotos do planeta, como declarou que os europeus têm de estar na linha da frente na procura de uma vacina, garantindo que esta será para todos e não apenas para aqueles que a possam pagar. Como realçou, o nacionalismo nas vacinas mata, só a cooperação internacional salvará vidas.

Leonídio Paulo Ferreira

Nem os 7-0 deitaram o Vitória ao chão!

Fiz duas reportagens de futebol internacional na minha carreira: uma com o Sporting em Jerusalém, porque era época de atentados e o diretor de então achou que eu era homem para fazer as duas coberturas, a do jogo da UEFA e a do conflito israelo-árabe; a segunda foi com o Vitória de Setúbal em Roma, ainda hoje penso que o Mário Bettencourt Resendes e o António Ribeiro Ferreira (diretor adjunto) me quiserem dar uma prenda, por eu ser do clube e este há mais de duas décadas estar arredado das competições europeias.

Leonídio Paulo Ferreira

O dia em que o Porto resgatou Portugal

O fim do Império não começou em 1961, com a perda de Goa e o início da guerra em Angola. O fim do Império começou em 1820, mais exatamente a 24 de agosto, com a Revolução Liberal no Porto, faz nesta segunda-feira 200 anos. Ao movimento militar, que rezou missa antes de agir e jurou sempre lealdade a D. João VI, devemos o início da era liberal em Portugal, com o fim do absolutismo, a Constituição pioneira, as primeiras eleições. Mas devemos também que Portugal, no sentido mais estrito (o atual pequeno retângulo com fronteiras herdadas do século XIII mais os dois arquipélagos descobertos no século XV), exista como tal.

Opinião

O Líbano sempre sob a ameaça da guerra de todos contra todos 

A explosão em forma de cogumelo transmitida pelas televisões do mundo inteiro certamente contribuiu para o clima de histeria em torno do sucedido nesta terça-feira em Beirute ainda antes de se saber ao certo o número de vítimas (grande!), mas só quem não conhecer a história do pequeno Líbano pode duvidar de como algo que até pode ter sido acidental é naquele país explosivo (e aqui não estou a fazer nenhum jogo de palavras).

Leonídio Paulo Ferreira

Europa seis meses nas mãos de Merkel, ou seja, bem entregue

Bem me disse o biógrafo da então candidata democrata-cristã a chanceler que Ângela Merkel era capaz de surpreender. E aconteceu logo naquelas eleições alemãs de 2005, que cobri para o DN, pois derrotou o social-democrata Gerhard Schröder e assumiu a liderança do país, posição em que se encontra até hoje, depois de mais três vitórias. Que seja a Alemanha, ou melhor ela, a encabeçar a reação europeia à crise gerada pela pandemia, é pois um sinal de esperança para todos.

Opinião

Portugal tem as mais belas bibliotecas do mundo, uma delas sobre rodas

É estranho isto de as estatísticas afirmarem que os portugueses leem pouco e no entanto terem das mais belas bibliotecas do mundo. Digo isto depois de há dias ter visitado uma vez mais a Joanina em Coimbra e relembrando-me de como me impressionou o Real Gabinete Português de Leitura que os emigrantes construíram no Rio de Janeiro, mas também podia dizer isto porque a revista Vogue, na segunda-feira, publicou a sua escolha das "15 mais espetaculares bibliotecas do mundo". Na lista estão a Richelieu, em Paris, a do Congresso, em Washington, mas também a Joanina, a de Mafra e o Real Gabinete, ou seja três portuguesas!

Leonídio Paulo Ferreira

Obrigado, Leslie, por ensinares português aí na América

Gostava de vos apresentar Leslie Ribeiro Vincente, uma luso-americana de New Bedford que está a conseguir que filhos e netos de portugueses aprendam a língua das suas raízes. Falo em apresentar, mas na verdade já aqui escrevi sobre a professora da Discovery Language Academy, numa reportagem feita na primavera de 2017 sobre portugueses nos Estados Unidos. Na altura contei como esta mãe de quatro filhos, que ficou em casa a cuidar da família enquanto o marido polícia garantia o sustento de todos, aproveitou a chegada a adulto do mais novo e voltou a estudar e com tanto entusiasmo que já fez até doutoramento.

Leonídio Paulo Ferreira

O dia que fez o meu pai voltar da guerra

Faço parte dos portugueses que nasceram antes do 25 de Abril, hoje menos de metade da população, mesmo que só tivesse dois anos e meio no momento da Revolução. Não tenho memórias daquele dia, mas sei o quanto foi importante para mim: primeiro que tudo, permitiu que o meu pai voltasse para casa, ele que dois anos antes tinha sido mandado para Moçambique combater; depois, permitiu que o meu país se tornasse melhor, não só livre como moderno, sem império mas mais próspero, com o contributo também de quem perdeu tudo na descolonização tardia e teve de refazer a vida. Temos todos a agradecer à Revolução de 1974, por exemplo, este Serviço Nacional de Saúde que tão dignamente tem-se comportado durante a atual pandemia, garantindo que um doente - incluindo os estrangeiros que escolheram viver entre nós - quando entra no hospital não tenha de se preocupar com o plafond do cartão de crédito, só em ser curado.

Leonídio Paulo Ferreira

China e diplomacia das máscaras

Foi no Le Monde que li há dias a expressão "geopolítica da máscara", a lembrar-me a tradicional prática do governo chinês de oferecer pandas a líderes estrangeiros quando quer melhorar as relações (Richard Nixon recebeu um casal de Mao Tsé-tung, e assim começou a diplomacia do panda). Desta vez, a oferta é de máscaras cirúrgicas, destinadas a proteger do novo coronavírus que infeta já mais de uma centena de países e que foi de início detetado na cidade de Wuhan, metrópole de 11 milhões de habitantes no coração da China. Japão e Coreia do Sul foram dos primeiros destinatários das máscaras chinesas, agradecimento porque tinham sido esses vizinhos (e Irão, note-se) a enviar antes as máscaras que tanta falta faziam à China, sobretudo na província de Hubei, que com 60 milhões de habitantes é tão populosa como Itália.

Opinião

O "Coronário" Trump da Doutrina Monroe

Numa célebre mensagem ao Congresso em dezembro de 1823, James Monroe falou de um sistema americano por oposição a um sistema europeu e como os Estados Unidos se viam como o garante do primeiro. Acrescente-se que o presidente americano destinava as suas palavras sobretudo à hipótese de os países da Santa Aliança tentarem intervir nas Américas para devolver as colónias rebeldes à Coroa Espanhola, e era mais uma advertência do que uma ameaça dada a fraqueza militar relativa dos Estados Unidos na época.