Leonídio Paulo Ferreira

Leonídio Paulo Ferreira

Finalmente o Nobel para quem fez a paz

Abiy Ahmed venceu o Nobel da Paz e, no entanto, o seu rosto era o mais difícil de reconhecer entre os quatro que muitos jornais, incluindo o DN, publicaram nos dias como fazendo parte dos favoritos ao prémio da Academia norueguesa. Tanto Greta Thunberg como Jacinda Arden e Donald Trump têm tido mais destaque mediático do que o primeiro-ministro da Etiópia, e sobretudo a jovem ecologista sueca parecia bem lançada para bater a paquistanesa Malala Yousafzai como a mais jovem galardoada de sempre.

Leonídio Paulo Ferreira

Extremadura é muito mais do que ir comprar caramelos a Badajoz

É sempre às 11 da noite que começam as peças do Festival de Teatro Clássico de Mérida. Por um lado, o calor do verão fica mais suportável, por outro, a beleza das ruínas romanas da antiga capital da Lusitânia ganha com o jogo de luzes magia extra. Para mim, assistir, como neste fim de semana, a atores a citar as palavras de Ovídio, autor latino de há dois mil anos, é a melhor experiência que tenho da Extremadura, esta região espanhola vizinha do Alentejo e das Beiras.

Opinião

Italianos, também heróis do mar

D. Fuas Roupinho, que destruiu uma frota muçulmana ainda no tempo de Afonso Henriques, é o nosso primeiro herói do mar, muito antes de Gil Eanes, Bartolomeu Dias ou Vasco da Gama. Mas é justo dizer que a marinha portuguesa só nasceu verdadeiramente quando D. Dinis chamou o genovês Manuel de Pessanha para transformar a vocação marítima do país num destino como nação. E a partir daí, 1317, durante pelo menos dois séculos, italianos e luso-italianos vários continuaram a nos ajudar a dominar os oceanos, nomes como Bartolomeu Perestrelo (filho de um tal Filippo Pallastrelli) ou António Noli, também o grande Americo Vespúcio, que deu nome ao continente que outro italiano, Cristóvão Colombo, descobrira em 1492 pensando ter chegado à Ásia navegando para Ocidente (foi Fernão de Magalhães quem finalmente o conseguiu, também ao serviço da coroa espanhola).

Leonídio Paulo Ferreira

Eu vi uma estrela americana a ver as estrelas num castelo alentejano

Imagine um belo recanto de Portugal longe de quase tudo, uma serra ainda mais isolada, e um castelo no topo de uma colina, onde já houve uma vila, Noudar. Foi onde ontem vi as estrelas e onde vi também uma estrela americana vê-las, fascinada a ouvir as explicações em português. Era Ellen Rabiner, contralto, figura reputada da ópera, profissional da Met de Nova Iorque. Uma semideusa de voz de encantar, encantada com o Alentejo.

Leonídio Paulo Ferreira

A derrota do filho do papá, do netinho da avó e do bisneto prodígio

Há duas formas de olhar para o resultado das eleições indianas: ver Narendra Modi como o grande vencedor ou ver Rahul Gandhi como o grande derrotado. E sem tirar mérito ao atual primeiro-ministro, cuja fama de bom gestor vem dos tempos de ministro-chefe do Gujarate, é cada vez mais óbvio que a força de um apelido, a pertença a uma dinastia, já não chega para alguém triunfar na Índia. Isto mesmo que o candidato se chame Rahul Gandhi e seja filho de Rajiv Gandhi, neto de Indira Gandhi e bisneto de Jawaharlal Nehru, o primeiro-ministro que proclamou a independência em 1947, grande amigo do Mahatma Gandhi.

Catedral de Notre Dame

O que ardeu em Paris não foi uma igreja

O que ardeu ontem em Paris não foi uma igreja. Se as chamas em Notre Dame - Nossa Senhora - comoveram meio mundo, deve-se a uma dimensão que vai muito além da meramente religiosa, mesmo que os 900 anos das suas pedras testemunhem a devoção de uma França que embora laica se orgulha também de ser La fille aînée de l'Église, a mais velha das nações católicas, referindo-se ao batismo de Clóvis, rei dos Francos, no final do século V.

Cimeira Trump-Kim

Trump e Kim não se zangaram! Apesar de se andarem a enganar

Antes devagar e bem do que à pressa e mal. Trump ter-se-á finalmente rendido a esta máxima que podia muito bem ser confucionista, filosofia tradicional chinesa que também influencia o pensamento coreano. E se muitos olham para a falta de acordo em Hanói entre os líderes americano e norte-coreano como um fracasso tendo em conta a ambicionada desnuclearização, a verdade é que talvez só agora comece a negociação a sério, a dos pequenos passos, e isso é positivo.

Leonídio Paulo Ferreira

Sánchez, o político que ganha mesmo quando perde

Pedro Sánchez ganhará as próximas legislativas espanholas? Porque não? O inexperiente político que ainda há pouco tempo não convencia os barões do PSOE e tinha dificuldades em garantir aos socialistas mais votos do que os do Podemos até já chegou a primeiro-ministro, logo tudo parece possível. E a verdade é que depois de o orçamento ter sido chumbado hoje no parlamento, uma ida antecipada às urnas é quase inevitável, num momento em Espanha em que tudo parece jogar a favor das ambições de Sánchez. Até este voto contra dos nacionalistas.

Leonídio Paulo Ferreira

Alerta: A juntar ao Brexit, hoje há recessão alemã?

Hoje é um dia cheio de incertezas na Europa. A que está sob os holofotes é se haverá votação ou não em Westminster sobre o acordo do Brexit com a União Europeia. Aquela que tem sido menos falada é a possível recessão na Alemanha, com os números do quarto trimestre de 2018 a serem divulgados e a poderem ser de contração como foram no terceiro (a produção industrial caiu 1,9% em novembro, daí o receio).