Lares

Para vacinados há mais de 6 meses

Presidente das Misericórdias pede testes à imunidade dos idosos

Até ao dia 2 deste mês, havia 53 surtos ativos de covid-19 em lares. O maior foi detetado ontem em Proença-a-Nova: 127 infetados e uma morte. Todas as pessoas tinham vacinação completa. Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas, diz estar na hora de se pensar a sério na realização de testes à imunidade dos idosos e na necessidade de uma terceira dose.

Vice-presidente da Ordem dos Médicos do Sul

Brigadas nos lares não chegam. É preciso presença médica regular

Jorge Penedo aponta que a dimensão clínica dos lares "não tem sido valorizada" nos últimos anos, o que dificultará agora a tarefa de lidar com a pandemia nestas instituições. Em entrevista ao DN, o vice-presidente da Secção do Sul da Ordem dos Médicos diz que está nas mãos do Estado garantir este apoio, que não precisa de ser diário, mas dado de forma organizada e continuada. Brigadas em tempo de covid? "O problema não se resolve com estas equipas."

COVID-19

O que falhou em Reguengos? O modelo de lar, "uma bomba-relógio"

O surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz veio "expor feridas conhecidas" de forma "violenta", porque há muito se sabe que o modelo de lar em Portugal, que dá resposta à maioria dos idosos, "é uma bomba-relógio", "uma realidade desadequada", admitem as Misericórdias. E quando algo corre mal, os argumentos são sempre os mesmos: falta pessoal, formação e financiamento. Ao DN, Manuel Lemos, Constantino Sakellarides, Manuel Lopes, Ricardo Mexia e André Dias Pereira falam do que falhou em Reguengos, do que falha em geral e da questão de fundo, "o envelhecimento".

Covid-19 e os funcionários de lares

"Nos lares somos tudo, de médicos a cozinheiros, e pagos pelo mínimo"

Os surtos de covid-19 em lares destaparam as fragilidades destas instituições. De norte a sul do país, são poucos os que ainda não foram atingidos pela doença. Em quase todos têm sido os funcionários, que entram e saem, que levam o vírus. Mas também são estes que têm de fazer turnos de 12 horas, sete dias por semana, e pelo ordenado mínimo.

Reguengos de Monsaraz

Ludmila. A funcionária moldava do lar que o vírus matou

Tinha 42 anos, a 20 de setembro faria os 43. Preparava-se para juntar a família e só alguns amigos. Neste ano, queria ver a filha na escola primária, o filho mais velho a tirar a carta e comprar uma casa em Portugal. A Moldávia era a terra onde passariam a ir de férias para ver a família. Ludmila foi uma das infetadas e das vitimas mortais do surto de covid-19 que atingiu o lar da fundação.