Jorge Sampaio

Rosália Amorim

O Presidente emotivo que detonou a bomba atómica

Jorge Sampaio, aparentemente discreto e francamente emocional, tinha a capacidade de se adaptar às circunstâncias e de ser capaz de as superar. Desta vez, a sua adaptabilidade, coragem e resiliência sucumbiram a problemas respiratórios. Morreu ontem aos 81 anos. O antigo Presidente da República tinha a ousadia de dar resposta inesperadas a perguntas incómodas. As suas palavras eram assertivas, mesmo quando já estava muito debilitado, como numa ocasião recente em que estivemos juntos e em que discursou no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian. Terá sido um dos seus últimos discursos. Todas as suas palestras eram longas e esta foi mais uma. Alguns até o consideravam aborrecido ou cansativo, mas cada alocução tinha grande conteúdo, recados e emoção, ainda que nas entrelinhas. Uma intervenção política compreendia também notas que íam desde a literatura à filosofia, entre outras áreas de conhecimento que apreciava.