Jorge Moreira da Silva

Jorge Moreira da Silva

Coerência e coragem na ação climática

Nem a retórica sobre transição climática nem os anúncios de mais financiamento verde reduzem as emissões de gases com efeito estufa. É tempo de exigir, em Portugal, um amplo compromisso político em torno de objetivos mais ambiciosos de redução das emissões e de um pacote de reformas que assegure uma descarbonização assente em objetivos de proteção ambiental, de justiça social e de eficiência económica. É inegável que nenhuma mudança de comportamentos, na sociedade, na economia e no Estado, será alcançada, ao nível da mitigação das alterações climáticas, sem que se coloque um verdadeiro preço nos produtos e nos serviços. Mas a minha experiência permite-me dizer que está ao nosso alcance desenhar políticas que, sendo amigas do ambiente, são amigas da economia e da justiça social. Dois exemplos:

Jorge Moreira da Silva

Energia limpa: a década decisiva

Mais do que uma mera transição, preparemo-nos para uma autêntica revolução energética. Nos últimos 15 anos já ocorreram mudanças de grande significado: a integração das políticas de clima e energia, a queda acentuada dos custos das tecnologias limpas, a inovação na microgeração descentralizada e nas baterias, a crescente eletrificação da mobilidade e dos consumos industriais, o fim do mito da intermitência das renováveis e a afirmação do setor da energia limpa como um cluster industrial e não como um mero fator de produção.

Jorge Moreira da Silva

Transparência, confiança e democracia

De repente, emergiu um consenso político sobre o combate ao enriquecimento injustificado ou, como muito bem define a associação dos juízes, sobre a ocultação de riqueza. É evidente que esta súbita convergência, em especial, por parte de muitos que nunca quiseram uma verdadeira solução para este tema, parece ser mais resultante da urgência em travar o clamor popular do que de uma genuína e aprofundada reflexão. Apesar disso, confesso que o exercício arqueológico, sobre quem há mais tempo se empenha no tema do combate à corrupção, ou psicanalítico, sobre as motivações que são subjacentes a este repentino fervor, pouco me mobilizam. Estou mais empenhado em garantir que esta janela de oportunidade, que agora se abriu, seja devidamente aproveitada para enfrentar o problema da transparência e da qualidade da democracia de uma forma estrutural e abrangente, e não conjuntural e parcelar.

Jorge Moreira da Silva

Não cair na falácia do protecionismo económico a propósito da resiliência

A pretexto da pandemia, regressaram os paladinos das economias fechadas, advogando menos globalização e mais protecionismo. A lógica subjacente é a de tentar limitar, através do encurtamento das cadeias de valor globais, os riscos causados por choques externos - pandemias, conflitos ou catástrofes naturais - em mercados interdependentes e assentes na especialização internacional. Isto é, defendem uma nova vaga de reindustralização local de forma a, supostamente, tornar os países mais autónomos na produção e no consumo de bens e de serviços.

Jorge Moreira da Silva

Quem tem medo de reformar a política?

A discussão sobre a reforma dos sistemas políticos e sobre o aperfeiçoamento da democracia surge em vagas. Há uns meses a discussão sobre a crescente influência da extrema-direita populista, racista e xenófoba em Portugal. Na semana passada, a discussão sobre o potencial alastramento, a outros países, dos efeitos da polarização e da radicalização nos EUA. E, nesta semana, a discussão sobre as dificuldades de compatibilizar a realização das eleições presidenciais com procedimentos de participação anacrónicos.