Jorge Costa Oliveira

Jorge Costa Oliveira

Como combater os "fratelli" do antissistema

O crescimento da extrema-direita na Europa está a provocar uma histeria e alguma confusão concetual. São ultranacionalistas, soberanistas, racistas, têm uma postura intolerante em relação a imigrantes e refugiados, defendem o primado da segurança pública, vários assumem posturas anticiência e pressagiam o regresso a valores ultraconservadores ("Deus, Pátria, Família"!). Porém, nenhum destes partidos tem advogado o fim do regime democrático.

Jorge Costa Oliveira

A política externa de Putin e a ilusão de uma Grande Rússia

Na senda da "Doutrina Primakov", a política externa russa contemporânea encontra-se consagrada na Conceito de Política Externa da Federação Russa e formalmente centra-se na "defesa dos interesses nacionais da Federação Russa" e na "concretização das suas prioridades estratégicas nacionais". Nos últimos três séculos estas prioridades estratégicas nacionais assentam em três pilares. O primeiro pilar consiste na necessidade sentida pela Rússia de ter profundidade estratégica e zonas-tampão seguras relativamente a potências vizinhas. O segundo pilar da política externa russa tem sido a sua ambição em ser reconhecida como uma grande potência. O terceiro pilar é uma complexa relação de rivalidade cooperante com o Ocidente.

Opinião

A mudança do investimento chinês na UE

De acordo com um recente estudo de investigadores do Rhodium Group e da MERICS, o investimento chinês no exterior estagnou em 2021. Enquanto o IDE global recuperou fortemente, o IDE chinês no exterior subiu apenas 3% para 96 mil milhões de euros (mM€). Entretanto, as transações de M&A de empresas chinesas no exterior caíram em 2021 para um mínimo de 14 anos, totalizando apenas 20 mM€, menos 22% do que um já fraco 2020. O investimento proveniente da China na Europa (UE-27 + Reino Unido) aumentou 33% (para 10,6 mM€) a/a, mas mantém-se baixo relativamente aos valores de 2016-2017.

Jorge Costa Oliveira

A liderança prisioneira da política de covid-zero

O governo chinês apostou na erradicação da covid internamente, mantém ondas infindáveis de testagens massivas, rastreia os contactos dos infetados (incluindo com recurso a metadados), confina inúmeras áreas urbanas quando considera necessário e, sobretudo, fechou o país ao exterior, esperando que, entretanto, a covid fosse também erradicada no resto do mundo. Mas muitos países (sobretudo em África) não conseguiram ainda vacinar os seus cidadãos, em alguns países a população não parece confiar nas vacinas (ex: Rússia) e, em muitos outros, a opção foi aceitar que era impossível evitar conter o vírus e apostou-se em vacinação rápida e viver com sucessivas vagas de infeção, sobretudo com uma variante altamente contagiosa, mas pouco mortífera, como é a Ómicron, rumo à imunização coletiva. O governo chinês não apenas não tenciona inverter a sua política de covid-zero, como a reforçou desde o início de 2022 e ficou preso a esta estratégia.

Jorge Costa Oliveira

Investimento europeu e confinamentos intermináveis na China

A Câmara de Comércio da UE na China, em parceria com a consultora Roland Berger, divulgou a 5 de Maio um inquérito sobre o impacto que a política chinesa relativa à covid-19 e à guerra da Rússia na Ucrânia estão a ter sobre os negócios europeus na China. Como resultado da política chinesa relativa à covid-19, 23% dos inquiridos estão agora a considerar transferir os investimentos atuais ou planeados para outros mercados - mais do dobro do número que estavam a considerar fazê-lo no início de 2022 - e 7% estão a ponderar o mesmo devido à guerra na Ucrânia.

Jorge Costa Oliveira

Da extraterritorialidade das sanções ao poder dos cidadãos europeus

Um aspeto que diferenciará esta guerra de outras anteriores serão as sanções e a sua natureza. A UE aplica sanções para implementar resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou para promover os objetivos da PESC (a promoção da paz e da segurança internacionais, a prevenção de conflitos, o apoio à democracia, ao Estado de direito e aos direitos humanos e a defesa dos princípios do direito internacional). Existe na UE um enquadramento legal para aplicar vários tipos de sanções visando membros de órgãos governamentais, empresas, grupos, organizações ou indivíduos de países violadores do direito internacional. No caso da UE, as sanções têm sido clássicas: (i) embargos de armas; (ii) restrições de admissão (proibições de viagem); (iii) congelamento de ativos; (iv) outras medidas económicas, como restrições às importações e exportações. Na sequência da intervenção da Federação Russa na Ucrânia em 2014, a UE aplicou desde então várias sanções à Rússia.

Jorge Costa Oliveira

Veículos elétricos na UE, o acerto da VW e lições a extrair

A Deloitte estima que em 2030 a China tenha 49% do mercado global de veículos com motores elétricos (EV), a Europa represente 27% e os EUA 14%. Alguns analistas estimam que em 2030 os EV constituam 26% de todas as vendas de automóveis a nível global; até 2040, a Morgan Stanley projeta que os EV representarão mais de 72% das vendas de automóveis globalmente. Convém ter presente que esta e outras projeções feitas por analistas são essencialmente baseadas em dados de produção futura dos principais fabricantes de veículos. Numa recente entrevista à revista The Verge - parcialmente reproduzida em Motor 24 - o CEO da Volkswagen (VW) vem reajustar as metas da companhia. Após vários episódios como o dieselgate, a VW assumiu uma postura de rápida transição de veículos com motores a combustão para EV. E, quanto à Europa, num primeiro momento os dirigentes da VW assumiram eletrificar toda a frota automóvel até 2050, almejando que os carros elétricos representassem 35% da frota até 2030, tendo posteriormente (ao abrigo da Acceleration Strategy) ambicionado 70% das vendas nesta data, cessando a venda de veículos com motores a combustão a partir de 2035.

Jorge Costa Oliveira

A Europa dispensa bem outra Guerra Fria

Em 1990 a primeira Guerra Fria terminou pacificamente e a estabilidade daí adveniente beneficiou a Europa. Volvidos apenas 30 anos, parecemos estar à beira de uma nova Guerra Fria desta vez entre os EUA e a China. Uma nova Guerra Fria não é do interesse da Europa. Desde o fim da primeira Guerra Fria, o mundo mudou profundamente. Um mundo bipolar de duas ideologias hostis e sistemas económicos irreconciliáveis - como sucedeu na primeira Guerra Fria - não existe mais. A Europa deixou de estar dividida por uma cortina de ferro e o medo de se tornar o campo de batalha entre a OTAN e o extinto Pacto de Varsóvia desapareceu. A Rússia é uma potência militar mas um país médio do ponto de vista económico (com um PIB entre o da Espanha e o da Itália).