Jogos sem fronteiras

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Bernardo Pires de Lima

A hora da Europa

No passado mês de maio, chegou ao porto de Antuérpia o primeiro comboio direto de mercadorias vindo da China, mais precisamente do porto de Tangshan. Foram 16 dias de viagem, 11 mil quilómetros e 34 contentores de mercadorias para serem distribuídos pelos quatro cantos da Europa, um bom exemplo da melhoria operacional inscrita na Belt and Road Initiative e que tem no corredor eurasiático um dos braços de afirmação geopolítica da China moderna. Se lhe acrescentarmos a rota do Ártico e o corredor indo-africano ficamos com uma ideia da ambição de Pequim nas próximas décadas.

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Bernardo Pires de Lima

O parente pobre

Foi pouco valorizado, mas não deixou de ser caricato assistir à cimeira dedicada aos Balcãs que teve lugar em Londres em meados de julho. De um lado, o anfitrião, o Reino Unido, em acelerado passo para uma saída caótica da União Europeia, ainda por cima com o ministro dos Negócios Estrangeiros demissionário na véspera. Do outro, um grupo de seis Estados em diferentes níveis de diálogo com Bruxelas para aderirem à UE. Não só foi caricato como mostrou a constrangedora situação em que mergulhou a política britânica, sem um pingo de autoridade geopolítica ou um rasgo de salvação estratégica. Mas não é de Londres que vos quero falar. É, isso sim, dos Balcãs, o parente pobre da Europa e a região mais importante ao sucesso do modelo de integração nas próximas duas décadas.

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Afinal havia outro

Se recuarmos ligeiramente no tempo ou aprofundarmos um pouco mais o que tem sido decidido na NATO, concluímos que há um desfasamento entre um roteiro de posições estratégicas e a pública clivagem crescente entre aliados europeus e canadianos, por um lado, e os EUA, do outro. Desde que a Rússia invadiu a Crimeia em 2014, os aliados europeus envolveram mais 30% das suas tropas em missões da NATO e, em conjunto, investiram mais 46 mil milhões de euros na Defesa.

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A banda do Titanic

Quem disser que, em 2018, existe uma invasão de imigrantes e refugiados a entrar na Europa, mente descaradamente. E quem, do alto dos palacetes de Roma, nos tentar convencer que Itália, em 2018, acolheu mais imigrantes do que em anos anteriores e que continua subjugada a uma pressão descontrolada vinda da rota mediterrânica, mente duplamente. Pior: além de mentiroso apenas manipula uma atmosfera de medo com o único propósito de não deixar morrer uma agenda que lhe tem garantido sucessos eleitorais, a começar no grupo de Visegrado. A verdade é esta: não existe nenhuma "invasão islâmica" na Hungria, na Eslováquia, na Polónia ou na República Checa e encontrar um muçulmano em qualquer cidade destes países é um exercício tão ou mais difícil do que procurar uma agulha num palheiro.

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Requintes de malvadez

A primeira frente de oposição e choque à decisão de Trump sobre tarifas à importação de aço e alumínio não veio da Comissão Europeia, da cidade do México ou de Otava, mas da bancada republicana do Congresso. O protecionismo e o unilateralismo comercial deste tipo de medidas não encaixam no código genético do GOP, historicamente mais sensível ao comércio livre do que os Democratas. Bob Corker, senador republicano pelo Tennessee, saiu a público para criticar a "errada abordagem ao comércio" e expor o que considera ser "um abuso de autoridade" presidencial. Outros senadores do mesmo partido, como Orrin Hatch (Utah) e Pat Toomey (Pensilvânia) viram a decisão como "um convite à retaliação" e uma fonte de custos incomportáveis para os consumidores. Todos estão a pensar de modo tipicamente americano: toda a política é local, e não seria a internacional a fugir à regra de ouro.

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As quatro cimeiras

A dupla cimeira transatlântica marcou grande parte da semana mediática. Trump recebeu Macron num contínuo coreográfico que fez as delícias do presidente francês nos três dias da visita. Nela, Macron atingiu o objetivo da sua missão: criar a ideia de que na Europa não há nenhum líder com tanto à-vontade com Trump, com tanta confiança para dizer o que pensa no Congresso, e com tanta popularidade para, sempre que lhe apetece, furar o protocolo. Mas uma coisa é viver a política apenas na dimensão do simbólico, outra é trazer resultados para casa. E a verdade é que, no final dos três dias, Macron levou pouco mais do que uns abraços de Trump para o Eliseu.

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A grande arma europeia

Vamos entrar numa semana fundamental para as relações transatlânticas. Depois de a investida na Síria ter recuperado o triângulo euro-atlântico militarmente mais capaz (EUA, Reino Unido, França) - o que não quer dizer que tenham mudado alguma coisa no terreno -, os últimos dias viram a Alemanha distanciar-se das reformas propostas por Macron para a zona euro, ao mesmo tempo que o presidente francês fez passar a ideia numa entrevista televisiva de que estava a influenciar decisões em Washington, nomeadamente a de não retirar o contingente da Síria. Destas posições resultam alguns aspetos a ter em conta nas estratégias de cada um.