João Pedro Leitão

João Pedro Leitão

O assédio que vive na sombra

O assédio configura uma prática que explora fragilidades, é estrutural, dilatada no tempo, infelizmente convive bem no quotidiano, passa despercebida e é obliterada pelo poder concentrado daqueles que se creem Deus omnipresente, cumulando a discriminação no seu leque de atuação. Versa a violência moral, podendo igualmente ser física, não obstante assenta em contactos verbais ou físicos com caráter sexual voluntário, criando-se ambientes hostis, tóxicos, discriminatórios, afetando psicologicamente a vítima, bem como pode ainda ser lido numa ótica de troca de favores sexuais não solicitados por vantagens inúmeras.

Opinião

"Não Partilhes!"

​O "new word" digital, globalizado, tornou-nos mais conectados, mais próximo, mesmo quando a distância é intercontinental. O telemóvel tornou-se num dos gadjets mais utilizados do mundo, em que mais de 5 bilhões de seres humanos usam algum tipo de aparelho desta natureza, representando ainda 67% da população pertencente ao ecossistema móvel, à luz de um relatório da Economia móvel 2019, da GSMA. Importa ainda referir que mais de 4,5 biliões de pessoas utilizam internet, quase 60% da população mundial, o que reforça a conectividade digital, não obstante, ainda há muito trabalho a ser realizado, nomeadamente garantir um acesso justo e igualitário a todos aqueles que desta necessitem para terem um maior leque de oportunidades e não ficarem "desligadas" do instante finito, limitado, sendo a missão conectar o desconectado. A partilha nunca foi tão fácil, bem como, a pulverização da mesma, porém, cabe-nos a nós enquanto seres racionais não partilhar conteúdo ilícito e que configure um atentado à vida humana, à sua integridade física e psíquica. A sua proteção jurídica encontra-se prevista nos artigos 24, 25 da constituição da república portuguesa. O "sexting" nasce da democratização do acesso aos smartphones e do crescimento galopante das redes sociais e da sua extrema popularidade. Este conceito versa em enviar ou receber conteúdos tal como, fotografias, vídeos ou áudios sexuais. Porém, isto também poderá acontecer do lado inverso da moeda, isto é, ser a mulher e não o homem a adotar esta conduta ilícita, todavia, maioritariamente é ao contrário o que acontece com maior frequência, sendo a supremacia machista a grande vencedora destas batalhas.