João Melo

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Pela democracia global, marchar, marchar

Os atuais acontecimentos no Afeganistão, além das suas implicações internas ou, quando muito, bilaterais, estão igualmente relacionados com o tema da democracia global, colocando no centro do debate aquela que, afinal, é a pergunta chave: como implantar a democracia em todas as sociedades e regiões? O presidente norte-americano Joe Biden justificou a saída dos EUA do Afeganistão com uma afirmação brutal, que parece responder a tal pergunta. Disse ele (cito de memória): - "Se os afegãos não querem travar esta luta, não seremos nós a fazê-lo!".

João Melo

Jogos Olímpicos "misturados"

Após a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados até há dois dias, recebi uma mensagem de um amigo brasileiro pelo WhatsApp: "Você viu? A delegação da Alemanha tem mais negros do que nós!" Eu não tinha visto. Também não me preocupei em apurar se tal informação era rigorosamente factual ou apenas impressão à primeira vista, provocada pela (ainda) relativa surpresa que é descobrir que a Alemanha, afinal, também tem negros. Mas, por curiosidade, passei a prestar uma atenção particular à composição "cromática" de todas as delegações.

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 2

O candidato progressista Pedro Castillo venceu as eleições presidenciais do passado dia 6 no Peru. Matematicamente, a candidata conservadora, Keiko Fujimori, não tem mais hipóteses, mas continua a reclamar fraude, apesar de o Júri Nacional de Eleições do país ter afirmado que a disputa foi limpa. A Organização de Estados Americanos, que não pode, pelo seu histórico, ser acusada de "esquerdismo", reafirmou a lisura e o êxito das eleições. Castillo tomará posse no próximo mês.

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 1

No momento em que escrevo a presente coluna para publicação nesta terça-feira, ainda não são conhecidos os resultados das eleições presidenciais do último domingo, 6, no Peru. A disputa foi renhida e tanto poderia sair vitorioso, surpreendentemente, o candidato progressista, Pedro Castillo, como a candidata conservadora, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Depois de um mês atrás de Castillo nas sondagens, Fujimori conseguiu empatar nos últimos dias da campanha e parecia estar a viver um momentum capaz de levá-la a assumir a cadeira presidencial do país.

João Melo

Lula, social-democrata

Quando, depois de três derrotas, Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002, presidente do Brasil, eu disse a um velho amigo, que participara na luta contra a ditadura militar imposta em 1964 e que, por isso, estava eufórico com o acontecimento, que o líder do PT não tinha sido eleito para "fazer a Revolução" (socialista), mas para tentar civilizar e modernizar o capitalismo brasileiro, criando no país um estado social. Isso já seria um tremendo avanço histórico.

João Melo

Ato falho ou cinco equívocos de António Costa

A entrevista do primeiro-ministro português, António Costa, ao jornal Público, no passado dia 4 de março, é uma contundente demonstração das dificuldades da sociedade portuguesa em lidar com o seu passado colonial e as respetivas sequelas, das quais a principal é, sem sombra de dúvida, o racismo (antinegro, sobretudo). Da sua leitura, uma ilação se impõe, inquestionável: a superação da mentalidade colonial da sociedade portuguesa ainda tem um longo caminho a percorrer.