João Melo

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Pandemia, violência e democracia

Os governos amam pandemias da mesma forma que amam as guerras; porque lhes dá poder; dá-lhes o controlo e dá-lhes a capacidade de impor obediência aos seres humanos." Esta frase, que começou a circular nas últimas semanas em várias redes sociais é atribuída ao advogado Robert F. Kennedy Jr., filho do antigo congressista americano Robert Kennedy e sobrinho do antigo presidente John F. Kennedy, assassinado em Dallas em 22 de novembro de 1963. A mesma teria sido proferida em Berlim, no dia 29 do passado mês de agosto, durante uma palestra sobre o novo coronavírus.

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Tik-Tok, Tik-Tok, chegou a nova guerra fria

O presidente Donald Trump quer banir a grande rede social chinesa TikTok do território americano (e do resto do mundo?), com receio de que ela esteja a espiar os dados pessoais dos seus utilizadores. Essa decisão junta-se à guerra comercial desencadeada por Washington contra Pequim mal o atual presidente chegou à Casa Branca, bem como aos esforços da atual administração norte-americana para banir a Huawei da telefonia móvel G-5. Não nos esqueçamos, também, da insistência de Trump em responsabilizar a China pela pandemia da covid-19.

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A SIC caiu numa "kassanjada"

"As imagens da reportagem 'Os meninos de Kassanje' transmitidas pelo canal de televisão português SIC [na terça-feira desta semana, 28 de julho] foram (...) um embuste usado pela associação Pedacinho do Céu para angariação de donativos de forma ilícita. Quem o afirma são duas ativistas diretamente envolvidas [após a exibição da reportagem] no resgate de quatro crianças (...), com a assistência do Instituto Nacional de Emergência Médica de Angola e com o envolvimento da Direção Nacional de Saúde (...).

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A sombra do fascismo paira sobre o Brasil

O Brasil é um país que está no meu coração. Morei lá como correspondente de imprensa durante oito anos, de 1984 (cheguei um dia depois da emenda sobre as Diretas Já ter sido derrotada no Congresso) a 1992. Viajei pelo país, conheci muitas pessoas, fiz amigos fiéis que conservo até hoje, aprendi muito da sua história, do funcionamento do seu sistema político e da sua cultura, em especial literatura e música, que já conhecia antes (desde os meus tempos de adolescente em Luanda e dos primeiros anos em Coimbra, para onde fui estudar Direito, felizmente por pouco tempo), mas cujo conhecimento aprofundei nesse período. Alguns dos meus amigos brasileiros pertencem, precisamente, às áreas de jornalismo, política, literatura e música.

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O exemplo do Chile

No Chile, 1% de indivíduos - banqueiros, especuladores financeiros e grandes empresários - concentram 22,6% da riqueza nacional. Nada de novo, pois essa é a tendência global que se afirmou nas últimas quatro décadas de desenvolvimento da humanidade, marcadas pela substituição do capitalismo fordista pelo capitalismo financeiro e especulador - aquilo a que Harvey chamou a "economia de casino" -, a hegemonia do pensamento técnico-económico, o desrespeito pela natureza e o aprofundamento das desigualdades.

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África não é um laboratório

No dia 1 de abril, num programa transmitido pelo canal de televisão gratuito LCI (La Chaine Info), especializado em notícias, em França, o chefe dos serviços de medicina intensiva e reanimação do Hospital Cochin, em Paris, Jean-Paul Mira, perguntou a Camille Locht, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM, em francês) em Lille, o que pensava da hipótese de realizar testes com a vacina BCG no continente africano, a fim de saber se a mesma poderia ser usada para tratar o covid-19.