João Melo

João Melo

Enquanto isso, na América Latina – 2

O candidato progressista Pedro Castillo venceu as eleições presidenciais do passado dia 6 no Peru. Matematicamente, a candidata conservadora, Keiko Fujimori, não tem mais hipóteses, mas continua a reclamar fraude, apesar de o Júri Nacional de Eleições do país ter afirmado que a disputa foi limpa. A Organização de Estados Americanos, que não pode, pelo seu histórico, ser acusada de "esquerdismo", reafirmou a lisura e o êxito das eleições. Castillo tomará posse no próximo mês.

João Melo

Aconteceu alguma coisa no Brasil?

O principal noticiário de TV, dois dos três maiores jornais e outros importantes meios de comunicação social brasileiros decidiram não fazer manchete das manifestações ocorridas no último sábado no maior país da América Latina pedindo o impedimento do presidente Bolsonaro, limitando-se a referir o facto em pequenas e envergonhadas notas, encaixadas no meio de outros factos. Há muita gente, em todo o mundo, que pensa que deixar de noticiar certos acontecimentos faz estes últimos "desaparecer", como que por milagre. Pior do que ter cabeça pidesca é ser burro.

João Melo

Otimismo, uma questão de sobrevivência

O annus horribilis que nos calhou está prestes a terminar. Mais ou menos surpreendentemente, despede-se com alguns sinais promissores, entre os quais destaco a possibilidade de vacinação contra a covid-19; a derrota de Trump nos Estados Unidos; o início da retoma económica da China, país onde surgiu a pandemia que paralisou o mundo (queridos "ideólogos" anti-Pequim: já imaginaram se as duas principais potências económicas mundiais estivessem em recessão ao mesmo tempo?); a lenta, mas inspiradora, democratização de África; e a nova ascensão das forças progressivas na América Latina, promovendo o reequilíbrio político da região.

João Melo

África e o islão: que futuro?

No início deste mês, o islamismo africano voltou a ser notícia, mais uma vez por más razões: o sequestro de mais de 300 jovens estudantes nigerianos na cidade de Kankara, estado de Katsina. O sequestro foi reivindicado pelo Boko Haram, organização ligada ao Estado Islâmico. Os estudantes foram libertados dias depois, mediante, segundo uma fonte da France Press, o pagamento de um resgate pelas autoridades nigerianas, mas o episódio mantém na ordem do dia as inquietações sobre o futuro do islamismo em África.