João Céu e Silva

João Céu e Silva

As epidemias preguiçosas da modernidade

Num país atrasado como era Portugal no tempo do anterior regime era normal que as novidades fossem um sinal da modernidade a que os portugueses não tinham acesso e, portanto, estivessem muito disponíveis para abraçar. Fazer bandas como as dos Beatles mesmo que os discos deles só chegassem meses depois, por exemplo. Após a Revolução de Abril, ao olharem para as fotografias dos revolucionários, todos os homens deixaram crescer os cabelos e as barbas desordenadamente como as de Che Guevara e Fidel, por exemplo. Quando chegaram os CD, 99% abandonarem o vinil em pouco tempo, depois o MP3 e os downloads, por exemplo...

1864

"Não estou a fazer nada"

As oito letras da palavra "governar" correspondem, segundo o dicionário, a "exercer o governo de, administrar, gerir, dominar ou imperar", entre outras possibilidades. É verdade que estes significados não são desconhecidos da maioria dos portugueses, no entanto, as recentes eleições explicaram melhor que, ao verem surgir os resultados eleitorais, "exercer o governo" não era a primeira preocupação dos eleitores (e comentadores), preferindo antes conjugar os dois últimos significados: dominar ou imperar. Era só disso que se falava face aos números que o governo precisava para ser o dono do país durante quatro anos enquanto se faziam apostas sobre os partidos que teriam de se deixar "dominar" para que houvesse um futuro a quatro anos.

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Recruta forçada para João Reis

A ficção portuguesa das novas gerações de autores tem surpreendido pela ausência de temáticas que seduzam o leitor. Por norma, colocando a narrativa num ambiente nem sempre traduzível e com personagens que podem ser pertença de todo e nenhum lado. João Reis tem tentado alterar esse eclipse físico e fixa as suas personagens em terra firme, mesmo que procure cenários e pessoas diferentes que não o nacional. Foi o que fez em A Avó e a Neve Russa, lançado há pouco mais de um ano.