João Céu e Silva

Novas Edições

De Olham para o mundo na língua menos comum de Ana Cristina Leonardo

O Centro do Mundo é o título do primeiro romance de Ana Cristina Leonardo, que sucede a duas outras experiências literárias em livro, e que é editado na coleção Língua Comum da editora Quetzal. Ora de língua comum pouco tem este livro, o mesmo acontecendo a poucas outras exceções desta coleção onde figura uma reedição de O Que Diz Molero, de Dinis Machado, daí que se possa considerar este primeiro romance um dos mais incomuns da listagem na sua badana direita.

Novas Edições

Recruta forçada para João Reis

A ficção portuguesa das novas gerações de autores tem surpreendido pela ausência de temáticas que seduzam o leitor. Por norma, colocando a narrativa num ambiente nem sempre traduzível e com personagens que podem ser pertença de todo e nenhum lado. João Reis tem tentado alterar esse eclipse físico e fixa as suas personagens em terra firme, mesmo que procure cenários e pessoas diferentes que não o nacional. Foi o que fez em A Avó e a Neve Russa, lançado há pouco mais de um ano.

Novas Edições

Do princípio ao fim da "Fleet Street portuguesa" nas ruas do Bairro Alto

A surpresa está logo no início do livro, quando este O Bairro dos Jornais refere que o Bairro Alto "foi berço e morada de centenas de jornais". Tantos? Sim, é verdade, e contar as suas histórias foi o objetivo desta investigação de Paulo Martins, que o prefácio de Appio Sottomayor descreve em poucas páginas e de um modo que abre o apetite para a leitura imediata de 400 páginas em que é retratada a "Fleet Street portuguesa". O prefaciador elogia o volume e define-o como "uma espécie de Bíblia da Imprensa na sua pátria do Bairro Alto", ou seja, volta a abrir o apetite para a sua leitura.

Novas Edições

Retirar do baú textos de reflexão sobre a antiga vida cultural portuguesa

A antologia é um formato que já esteve mais na moda do que nos dias que correm. Nada que impeça o aparecimento de 250 páginas que reúnem textos que escritores, medianos e bons, do século XX publicaram. É o caso dos textos que mais de duas dezenas de escritores escreveram na revista Autores da Sociedade Portuguesa de Autores ao longo de vários números e que agora surgem reunidos num volume.

Novas Edições

O crime do Homem-Tigre para explicar o que é a literatura indonésia

O tom da nota introdutória de Homem-Tigre está um pouco desfasada daquele que se segue nas páginas do romance de Eka Kurniawan, não só porque revela o autor indonésio - que nasceu no dia em que este país ocupou Timor - de uma forma demasiado elogiosa, como tenta perspetivar o livro de um modo antinatural. É o problema do tom, uma questão que na prosa muito interessante de Kurniawan nunca existe. Ainda por cima, desde que não interfiram diretamente, posfácios (no caso prefácio) destes fazem muita falta em livros primeiros de autores de outras civilizações quando são traduzidos para a nossa língua.

Novas Edições

O melhor argumento para o policial e que Agatha Christie nunca utilizou

O livro tem um aviso no início que informa: "Talento para Matar não é uma obra autorizada por Agatha Christie Lda", o que pode ser visto como um bom sinal, pois não faz parte daquelas sequelas que escritores menos talentosos do que a Dama do Crime se têm encarregado de escrever, prolongando desse modo a vida literária da autora com balões de oxigénio frustrantes. Não, Talento para Matar é uma narrativa ao estilo do género policial mas com os condimentos próprios de quem sabe agarrar o leitor pelo colarinho e emocioná-lo na leitura, e o seu ator, Andrew Wilson, já publicou trabalhos suficientes para se conhecer a sua capacidade e arte - como é o caso de uma biografia da poeta Sylvia Plath e da escritora de policiais Patricia Highsmith.

Opinião

Violência sobre mulheres portuguesas desde 1970 por Maria Antónia Palla

É sintomático que um livro reeditado várias décadas depois ainda tenha atualidade, principalmente que o “tema” esteja na ordem do dia: a violência sobre as mulheres. O título é muito certo, Só Acontece aos Outros, e o subtítulo leva o leitor logo ao cerne do assunto: Histórias de Violência. O pior, repita-se, é a sua contemporaneidade, pois se fosse lançado pela primeira vez em 2017 ninguém estranharia que este conjunto de investigações/reporta- gens de Maria Antónia Palla chegasse às livrarias.