João Botelho

Entre as imagens

Uma peregrinação cinéfila

De que falamos quando falamos das abordagens da história de Portugal nas imagens que consumimos? Ou, de um modo geral, no audiovisual? Dois clichés televisivos dominam as respostas. O primeiro é o mais fácil e também o mais frequentemente aplicado: sentam-se três ou quatro especialistas em semicírculo e difunde-se através das câmaras. O segundo, para além da especialização, envolve uma afirmação de autoridade discursiva: um especialista, de novo, fala para a câmara (neste caso, basta uma), colocando-se em frente de testemunhos do passado, de preferência monumentos - quanto mais antigos, mais parecem legitimar o seu discurso.

Filme de João Botelho

'Os Maias' em versão para o séc. XXI

O que significa ler Os Maias, de Eça de Queiroz, em pleno séc. XXI? Mais do que isso: como é que, nos nossos dias, uma leitura de Os Maias pode dar origem a um objecto de cinema? O novo filme de João Botelho (estreia esta quinta-feira , em vinte salas de todo o país) pretende ser uma resposta exuberante a tais interrogações, começando por propor uma variação no subtítulo do próprio Eça: "Episódios da vida romântica" converteu-se em "Cenas da vida romântica".