João Almeida Moreira

João Almeida Moreira

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

João Almeida Moreira

Elas decidem

Ciro Gomes podia ter escolhido uma data qualquer para anunciar a pré-candidatura à presidência da República. Mas o candidato do PDT, manchado ad aeternum por ter respondido "dormir comigo", quando lhe perguntaram em 2002 qual era a função na campanha da sua então mulher, a atriz Patrícia Pillar, e acusado de machismo, já neste ano, ao diminuir a capacidade da rival Marina Silva afirmando que "o Brasil precisa de testosterona", optou pelo simbólico 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.

Cartas do Brasil

Thriller Brasil

Na série de suspense thriller em que se transformou o Brasil de 2018, na terça-feira da semana passada os brasileiros foram dormir após os autocarros da caravana do pré-candidato às eleições de outubro Lula da Silva serem atingidos por tiros no Paraná. "Atentado político!", bradou o Partido dos Trabalhadores (PT). "Emboscada!", classificou a presidente do partido. "Ataque de grupo de fascistas!", decretou o próprio Lula. Noutra cena, mais ou menos à mesma hora, mas em Brasília, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) a quem foi atribuído o processo que pode levar o antigo presidente da República à prisão revelou que ele e a família foram ameaçados de morte. A presidente do tribunal solicitou imediatamente escolta policial ao magistrado.