Joana Petiz

Joana Petiz

O tempo da formação no Estado da Nação

Faltam pessoas no mercado do trabalho em Portugal. E entre as que ainda aqui persistem, muitas têm qualificações desfasadas das necessidades de hoje ou estão em funções que vão deixar de ser desempenhadas por mão humana ou simplesmente desaparecer nos próximos tempos. A reconversão e a requalificação de competências é um dos maiores desafios que o país enfrenta numa altura em que as fronteiras nacionais são mais ténues do que nunca no que ao emprego diz respeito, depois de a pandemia ter acelerado brutalmente os processos digitais e materializado as infindáveis possibilidades do trabalho remoto.

Joana Petiz

Perigo: estrada em mau estado na saúde

Vivemos num país em que dezenas de estradas são pintalgadas com avisos de piso em mau estado sem que isso resulte em obras de melhoramento durante anos a fio. Por isso não podemos verdadeiramente espantar-nos quando a atitude face a problemas passa simplesmente por alertar para alternativas, em vez de procurar soluções. É assim que se vai construindo o espírito do desenrascanço que tantos nos elogiam em situações de último recurso, mas que é bem demonstrativo da cada vez mais flagrante incapacidade nacional de planear, antecipar e agir em tempo útil. Pensos rápidos e aspirinas são a nossa especialidade.

Joana Petiz

Não, não vai melhorar

"Os preços dos combustíveis só descem quando acabar a guerra", disse ontem António Costa, entre um almoço com Macron e a visita às exposições portuguesas em Paris. "É preciso ser claro para todos", frisou, ainda assim esforçando-se por usar um tom menos agressivo do que aquele com que nos avisou a todos, após a morte de 70 pessoas nos incêndios de 2017, que nos habituássemos ao problema porque "não há soluções mágicas", "os portugueses são adultos" e "têm de entender que os governos não têm varinhas de condão". A mensagem, porém, mantém-se: "Habituem-se!"

Joana Petiz

Financiamento cortado, despedimento à vista

Metade das receitas obriga a cortes brutais nos custos. É a austeridade ditada pela lógica e pela necessidade: não se pode gastar o que não se tem. E já todos sabemos o que acontece quando se vive acima das possibilidades, sem responsabilidade e acreditando que as dívidas não são para pagar... Se o dinheiro não entra como antes, há que arranjar alternativas de receita ou reduzir os gastos em proporção das perdas. O que passa por cortar nas estruturas físicas e humanas. Leia-se, fechar dependências e despedir pessoas.

Joana Petiz

Trabalhar sai caro

Aprovado que está, sem surpresa, o primeiro Orçamento do Estado da maioria absoluta mereceu duras críticas da esquerda que antes apoiava o governo. Queixam-se, PCP e BE, que o diálogo foi "uma farsa" e que as suas propostas, sempre a pensar no melhor para os portugueses, foram arrogantemente postas de parte. Ficou adiada "a resolução dos problemas nacionais" e "recusou-se aliviar os impostos a quem trabalha", lamentou Jerónimo de Sousa. Chumbaram tudo o que podia ter "impacto real e significativo", alimentando-se o "movimento de empobrecimento da generalidade da população", juntou Catarina Martins.

Joana Petiz

O que é que o Banco de Fomento (não) tem?

Um ano depois de fechar a lista de nomes - incluindo nove administradores e 24 diretores - para liderar a instituição que permitiria dar vida à recuperação pós-covid, entre garantias e milhões do PRR, o Banco de Fomento permanece um corpo estranho. Tão estranho que aparentemente ninguém se lembra ou quer alguma coisa com ele. Seja porque os programas não convencem, porque os requisitos são demasiado apertados para as empresas poderem recorrer-lhe ou porque o desajuste entre oferta e necessidades é desproporcional. Tão estranho que se revela incapaz até de atrair um profissional com créditos dados que aceite o cargo de presidente do conselho de administração.

Joana Petiz

O milagre da educação

Com as crianças de volta às aulas e finalmente sem máscaras, a situação nas escolas normaliza-se, no arranque do terceiro período do terceiro ano de pandemia. O que significa, voltar à miséria do costume. À exceção de se deixar, por fim, que os miúdos tentem voltar a conviver como crianças, a ver as caras uns dos outros, a partilhar sorrisos, afetos e lanches, não há motivo para felicidade. Com as máscaras, esfumou-se também toda e qualquer evolução que a pandemia chegou a ameaçar trazer.

Joana Petiz

O Orçamento bom em tempo de guerra

Não fosse a guerra na Europa e não veríamos uma vírgula mudar no Orçamento do Estado que o governo se prepara para apresentar. E não haveria, de facto, razão para alterações ou surpresas: as contas que António Costa levou a votos considerando serem as melhores alguma vez apresentadas no Parlamento não estavam feitas para agradar à oposição nem aos parceiros de geringonça - como se viu pelo chumbo que derrubou o governo para o conduzir à maioria absoluta. Eram desenhadas pela pena de João Leão para cumprir o desígnio das contas certas, aproveitando a torneira aberta do dinheiro europeu para adoçar a boca aos que mais amargaram com a crise pandémica. Não havia portanto razão para alterar o que quer que fosse, agora que o PS se governa sem precisar de bengalas.