Joana Marques Vidal

Terças-feira do contra

Mandato único

1. Joana Marques Vidal foi a melhor PGR da democracia. Não digo apenas por comparação com os seus antecessores e respetivo demérito - o imobilismo de Cunha Rodrigues (1984-2000), a frustração de Souto Moura (2000-2006) e o absoluto desastre de Pinto Monteiro (2006--2012). Digo por força da razão absoluta. Chegou num momento em que a PGR estava completamente descredibilizada e deu-lhe nova vida com um combate mais efetivo à criminalidade de colarinho branco e à corrupção. Mas não o digo de forma meramente conveniente. Já tive oportunidade de dizer que os resultados efetivos são ainda muito despicientes. Bem sei que os processos levam muito tempo e aquilo que eu chamo resultados (condenações efetivas) apenas poderemos ver a seu tempo. Em certa medida, a falta de resultados neste momento resulta do marasmo que se instalou na PGR antes da sua chegada. E também, do ponto de vista conceptual, tenho imensas divergências de natureza filosófica sobre as reformas que o Ministério Público necessita. Portanto, o meu encómio da atual PGR está longe de ser o habitual discurso laudatório, mas antes o resultado de uma avaliação realista da obra que foi possível fazer nestes seis anos.