Javier Solana

Javier Solana

Três lições de um fracasso de duas décadas

Há 20 anos, os ataques terroristas de 11 de setembro chocaram o mundo. "Somos todos americanos" tornou-se um slogan global de solidariedade. De repente, a invulnerabilidade pós-Guerra Fria do Ocidente ficou exposta como a ilusão que era. A globalização, que se tornou o paradigma reinante e estabeleceu o domínio económico ocidental na década de 1990, acabou por mostrar um lado negro. Duas décadas após os ataques, é difícil exagerar as suas consequências para o Ocidente e o mundo em geral. Um violento protagonista não-estatal determinou a agenda internacional num grau extraordinário. Embora a hegemonia do Ocidente, liderada pelos Estados Unidos, permanecesse inquestionável, o momento unipolar da década de 1990 parecia estar a chegar ao fim, e a política externa dos EUA seria fundamentalmente remodelada pela "guerra global contra o terrorismo".

Javier Solana

O multilateralismo é a única opção

No início de 1981, poucos dias antes de Jimmy Carter ceder a presidência dos Estados Unidos a Ronald Reagan, uma notícia breve escondida na página 13 do The New York Times mencionava um relatório do Conselho da Qualidade Ambiental. Esse órgão, encarregado de assessorar o presidente dos Estados Unidos, alertava sobre a ligação entre o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera e o aquecimento global. "Os esforços para desenvolver e explorar futuros energéticos alternativos à escala global deveriam começar imediatamente", afirmava o relatório, enfatizando também que "a colaboração internacional na avaliação do problema do CO2 é particularmente importante".

Javier Solana

O Líbano precisa de um novo começo

"A capital intelectual do Oriente Árabe" e "o lugar ideal para o progresso e pluralismo máximos" é como o escritor Amin Maalouf, um dos filhos mais famosos de Beirute, descreveu a cidade como era na década de 1960. Na sua última obra, O Naufrágio das Civilizações, Maalouf mapeia o declínio desse Líbano vibrante e resplandecente depois de ter sido arrasado pelo mesmo sectarismo que roubou um futuro promissor a tantos países no Médio Oriente.

Opinião

As lições da Guerra do Iraque 15 anos depois

Passaram 15 anos desde o início de um dos episódios mais fatídicos do início do século XXI: a Guerra do Iraque. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o jornal francês Le Monde declarou: "Nous sommes tous Américains" ("Somos todos americanos"), e até previu que a Rússia se tornaria o principal aliado dos EUA. Mas a invasão do Iraque pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em março de 2003, desfez completamente essa previsão.

Javier Solana

A ordem mundial revista

Como muitos analistas observaram já, a Pax Americana das últimas décadas está em fim de vida. Após os primeiros 150 dias da presidência "América Primeiro" de Donald Trump - ou, com mais precisão, "América Sozinha" -, parece que o tradicional papel estabilizador dos Estados Unidos não pode mais ser visto como um dado adquirido. Com a erosão da primazia dos EUA na arena internacional - e, consequentemente, do estatuto da América como a "nação indispensável" do mundo -, outros estados e, até, atores não estatais estão a ganhar destaque. O que significa isto para a chamada ordem liberal internacional?