Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

A Linha de Cascais vista por duas mulheres singulares

Branca de Gonta Colaço e Maria Archer foram duas portuguesas de grande envergadura, cultas, liberais, dessas que elevam a densidade cultural de um país. Foram esquecidas sem razão, mas um livro encontrado por acaso num dos melhores alfarrabistas de Lisboa, Eduardo Martinho, no Mercado de Santa Clara, desvendou-me como era a costa de Lisboa a Cascais no primeiro terço do século XX. O pretexto da sua interessante crónica foi o comboio, inaugurado em 1890, competindo com os vapores de rodas e os carrões.

Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

Michel Déon, o escritor francês que amou Portugal

Michel Déon foi um escritor francês cosmopolita, inventivo, aberto e, além disso, conhecedor e amante de Portugal. Em 1991 foi eleito membro correspondente da Academia de Ciências. Surpreende-me que não seja mais conhecido, que seja tão difícil encontrar os seus livros, em francês, e ainda mais em português. Se alguém quiser voltar à boa novela, às histórias bem contadas, convido-vos a descobrir Michel Déon. Há muitos anos que sou seu leitor, desde que uma amiga francesa me passou Les poneys sauvages, uma novela que descreve muito bem as contradições, os objetivos e as vidas dos europeus em meados do século passado.

Jaime-Axel Ruiz Baudrihaye

Museu do Neorrealismo de Vila Franca de Xira

A 40 minutos de Lisboa, temos de fazer uma visita indispensável. A cidade de Vila Franca de Xira alberga o Museu do Neorrealismo. É um museu, inédito em toda a Península, que põe em destaque esta grande corrente cultural, literária e artística tão essencialmente portuguesa. O museu, de arquitetura moderna, tem linhas limpas e um tamanho acolhedor. Há que estar atento às suas exposições, pois além de serem sempre interessantes, são muito cuidadas, são impecáveis e são acompanhadas de um conjunto crítico importante; o museu conta, além do mais, com um arquivo, centro de documentação e uma biblioteca especializada. Foi memorável uma exposição sobre o pintor brasileiro Cândido Portinari, assim como a dedicada a Fernando Namora. Agora, está instalada uma exposição de Rui Filipe, fechada por causa da pandemia, mas que talvez possamos ver quando acabem ou sejam aliviadas as medidas de confinamento.