Isabel Alçada

Isabel Alçada dedica-se à jardinagem desde os 18 anos.
Exclusivo

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Jardinagem. O lado B de Isabel Alçada

Telemóvel no bolso, auscultadores nos ouvidos e tesoura na mão. É assim que a escritora e ex-ministra da Educação Isabel Alçada junta, muitas vezes, a jardinagem com a criação literária que há décadas partilha com Ana Maria Magalhães. Sobretudo nos tempos de confinamento, em que é à distância que ambas podam as suas histórias. O gosto de Isabel Alçada pela jardinagem, e sobretudo o contacto com as plantas e a terra, começou quando tinha 18 anos, conta. Desde então leu quase tudo o que havia para ler sobre plantas e jardins e já plantou dois de raiz. Atualmente, cuida do seu em sua casa, o que lhe dá um grande gosto e... trabalho. "O jardim é um ser vivo, vai-se alterando e tem exigências. Se não lhe damos o atendimento que ele quer, dispara em várias direções, e quando tentamos intervir, às vezes já pode ser tarde", explica. Seja inverno ou verão, é sobretudo ao fim de semana que dedica mais tempo à jardinagem. Durante a semana menos, mas confessa que não consegue dar uma volta pelo jardim sem levar a sua tesoura para um eventual arranjo.

Opinião

Provas de aferição - em nome da exigência

A nova equipa do Ministério da Educação começou bem, não só por ter substituído os exames do 4.º e do 6.º ano por provas de aferição, a realizar em anos intermédios, como pela coragem de tomar a decisão certa e de a pôr em prática sem perda de tempo. A mudança tem sólidos fundamentos científicos, pois está de acordo com resultados da investigação, nomeadamente a publicada na União Europeia pela rede Eurydice, que tem identificado efeitos perversos associados ao uso dos resultados dos exames na avaliação dos alunos do ensino básico e conduzido a maioria dos países da UE a preferir provas de aferição para avaliar a qualidade da aprendizagem. Apenas num único país, Malta, os resultados de exames continuam a condicionar a progressão dos alunos do 4.º e do 6.º ano. A todos os que se insurgem contra a substituição de exames por provas de aferição, em nome de um pretenso combate ao facilitismo, vale a pena lembrar que os exames têm a sua história. Surgiram numa época em que a escola se destinava a uma elite e eram utilizados como filtro para selecionar quem devia ou não continuar no sistema. Se os resultados negativos deixavam em aberto a possibilidade de repetência, a verdade é que, conforme a investigação sobre percursos escolares tem repetidamente provado, na maioria dos casos a repetência não induz aprendizagem e conduz ao abandono da escola. Durante décadas considerou-se natural que a escola não fosse para todos. Não existindo um número suficiente de salas de aula, nem professores, era aliás indispensável um mecanismo de seleção para rejeitar o número de alunos que o sistema não comportava. As provas de aferição, pelo contrário, surgiram a par da democratização do ensino e têm sido usadas na maior parte dos países que apresentam resultados mais positivos e um progresso mais evidente. Concebidas não para selecionar e expulsar, mas para avaliar e promover a qualidade, estas provas proporcionam informação sobre as aprendizagens, permitindo aos professores a comparação dos resultados dos seus alunos, com os de outras turmas e de escolas de todo o país. Permitem ainda que analisem as causas que conduzem a melhores ou piores resultados, debatam problemas entre colegas e com as famílias, recorreram a estratégias alternativas para os resolver. É evidente que a escolha dos 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade, para a realização deste tipo de provas, reflete a intenção de dar tempo aos alunos para trabalharem de forma mais orientada e de alargar as hipóteses de que atinjam o final de cada ciclo com desempenho positivo. Em vez de facilitismo, as provas de aferição apontam, pelo contrário, para mais trabalho dos alunos e uma maior exigência nas escolas. De salientar ainda o facto de os exames nacionais dos 4.º e 6.º anos, impostos sem consulta pública pelo anterior governo, se limitavam a testar conhecimentos nas disciplinas de Português e Matemática, o que tinha como efeito a desvalorização de outras disciplinas, relegando para segundo plano as ciências, a história, a geografia, a música, as artes, o desporto, áreas que afinal, para muitos alunos, poderiam ser o núcleo central de um futuro percurso pessoal ou profissional. Muitos estudos, realizados nomeadamente nos EUA, sobre os efeitos dos exames na prática escolar, referem um ponto comum: perante a perspetiva de exames, os docentes afunilam sempre o trabalho letivo. Os alunos passam a receber treino intensivo para conseguirem responder às perguntas que previsivelmente surgirão nas provas de exame e a escola deixa de proporcionar uma educação equilibrada. Esta opção pelo treino intensivo é compreensível, sobretudo quando os resultados dos exames se transformam em instrumentos para hierarquizar não só os alunos como os professores e para criar rankings de escolas. Em muitos países, por exemplo na Bélgica, na França, no Luxemburgo, na Áustria, na Eslovénia e na Finlândia, existe um consenso nacional sobre a confidencialidade dos resultados dos exames por escola e os documentos oficiais referem explicitamente que não podem ser usados para construir e publicar rankings, dado que este tipo de informação demonstra que as escolas de zonas socialmente favorecidas obtêm sempre resultados superiores aos alcançados pelas escolas de zonas mais desfavorecidas. A terminar, deixo uma pergunta aos professores do ensino superior, em particular aos que se têm manifestado publicamente como defensores dos exames. Aceitariam que as provas que elaboram para avaliar os vossos alunos fossem substituídas por um exame igual para todos os estudantes que frequentam a mesma cadeira, nos diferentes cursos de ensino superior do país? Aceitariam de bom grado que vos fosse imposto um exame nacional?

Educação

Ministério e sindicatos chegam a acordo

Ao fim de mais de catorze horas de negociações a ministra Isabel Alçada e os principais sindicatos de professores chegaram a um acordo sobre o estatuto da carreira. Fenprof e FNE, as maiores federações do sector, selaram já depois da meia-noite um entendimento que permite aos professores que tiveram “bom” na avaliação não permanecer mais de três anos retidos na transição  para os 5º e 7º nos escalões.