Henrique Burnay

Opinião

O preço do europeísmo português 

Quando Portugal assinou a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), a 12 de Junho de 1985, fê-lo com enorme consenso político interno, à exceção de comunistas e de alguns isolacionistas de direita, e por duas razões principais: ancorar a recém-democracia portuguesa no Ocidente e receber os fundos europeus. Passados 35 anos, a pertença ao Ocidente é inequívoca, o consenso europeu nacional está diferente mas a dependência dos fundos mantém-se. Nas vésperas de mais uma transformação da Europa, precisamos de fazer estes balanços para nos pormos de acordo quanto ao que aí vem. Ou não.

Opinião

A Europa, no vazio da América

A tripulação do navio aplaude o seu comandante e grita "herói", enquanto Brett Crozier abandona o porta-aviões nuclear USS Theodore Roosevelt, demitido pelo governo por ter enviado uma carta exigindo que fossem tomadas medidas para evitar a propagação do vírus a bordo do navio com quatro mil militares. A revolta da marinha, o ramo das forças armadas que melhor representa a projeção global americana, duvidando das chefias e da Administração é uma imagem rara e eloquente.

Opinião

O regresso dos migrantes

Em 2016, com 6 mil milhões de euros entregues à Turquia a troco de bloquear a passagem das fronteiras com a Bulgária e a Grécia, a União Europeia achou que tinha resolvido a crise dos migrantes. Em vez de refugiados e imigrantes a atravessarem a Europa nas televisões e jornais, os sírios, afegãos, iranianos, iraquianos e africanos de várias origens foram-se acumulando na Turquia. Foi uma solução que durou até à semana passada.

Henrique Burnay

Na Guiné, à espera de um dia

Estávamos a meio de 2000, o pior da guerra civil tinha acontecido há um ano, agora havia paz e esperança. "O chefe dos enfermeiros do hospital do Quebo (no sudeste da Guiné Bissau), um homem magro de gestos demorados, atravessa lentamente o corredor e abre a porta de um cubículo estreito e escuro. "Isto é a farmácia. Agora não temos remédios mas, quando tivermos, é aqui que hão-de ficar"", escrevi então, na revista Grande Reportagem. Entretanto houve golpes de estado, chefes militares e políticos mortos brutalmente e várias revoltas.

Henrique Burnay

A partidarização europeia

Sylvie Goulard, a candidata francesa a comissária europeia, foi chumbada pelo Parlamento europeu porque tinha problemas éticos, porque Macron tem vários anticorpos em Bruxelas e porque Ursula von der Leyen, a candidata a presidente da Comissão, não quis defendê-la mais do que o necessário. Essa é parte da explicação. A restante é que esta foi uma decisão dos parlamentares populares e socialistas, apesar ou mesmo ao arrepio das lideranças nacionais. É uma transformação da política europeia em curso.