Henrique Burnay

Henrique Burnay

Erdogan e Macron na batalha do Mediterrâneo

Recep Tayyip Erdoğan operou três enormes transformações na Turquia com impacto externo e todas elas pondo em causa os fatores de estabilidade regional. Abandonou a laicidade pública, para dar voz e poder aos islamitas e à ideia de que é um líder e um homem religioso, o que lhe dá valor na região; domesticou as Forças Armadas, que tinham por hábito ser quem domesticava os governos, para agora as ter como aliadas na sua política expansionista; e está disposto a levar ao limite a NATO que, na sua visão da região, já lhe serve de pouco.

Couve de Bruxelas

Os Açores ou as Berlengas da Europa

Nos últimos anos, três factos externos alteraram o lugar de Portugal no mundo. A transição americana para o Pacífico retirou relevância estratégica à nossa posição geográfica entre os Estados Unidos da América e a Europa. A presidência de Trump azedou as relações entre os aliados da NATO, reforçando quem questiona, ou mesmo quem quer pôr em causa, a Aliança. E o Brexit deixou-nos isolados (na companhia dos irlandeses) na frente atlântica da Europa. Isto tudo sem que seja evidente que Portugal adaptou, consequentemente, a sua visão do mundo e dos seus interesses. Pelo contrário.

Henrique Burnay

O novo estatismo europeu

O Estado activamente interventor na economia está de volta. Primeiro, foi na saúde e na definição de regras draconianas que foram acatadas sem resistência. Depois, na resposta social. Segue-se a recuperação económica: com dinheiros públicos, prioridades públicas e objectivos públicos. Pelo caminho, fala-se de aplicações para monitorizar os cidadãos, invocando razões de saúde. No final virão mais impostos. É necessária uma grandé fé nas virtudes do Estado para não estar atento, e ser-se muito pouco, ou mesmo nada, liberal para achar que não há riscos quando o Estado cresce em funções, orçamento e áreas de intervenção.

Henrique Burnay

Vai haver mais Europa

Ainda nada está fechado, mas lendo o que os líderes europeus dizem, tudo indica que os eurobonds vão ser federais e o Plano Marshall vai ser um Plano Ursula, com dinheiro levantado pela Comissão Europeia (CE) junto dos mercados, garantido pelos Estados membros e gerido a partir de Bruxelas. A resposta europeia à crise económica prepara-se para ser federal: dívida mutualizada, é em Bruxelas; o que for despesa exclusivamente nacional, é às custas de cada um.

Henrique Burnay

O triunfo dos poucos

Rui Tavares contou, há duas semanas, no Público, uma história deliciosa sobre a ida de Natália Correia aos Estados Unidos da América em 1950. Na altura encontrou-se com Norman Thomas, líder dos socialistas americanos, a quem pediu apoio para a oposição portuguesa a Salazar. Norman Thomas levou a poetisa portuguesa a um subúrbio operário, mostrou-lhe as casas com carro à porta, jardim à volta e eletrodomésticos lá dentro e explicou-lhe que num ambiente assim o socialismo não florescia.