Henrique Burnay

Henrique Burnay

O médio desoriente europeu

O problema internacional da Europa não é não ter um telefone (ou vários, em Bruxelas, como agora tem), é não ter força ou influência junto dos seus vizinhos. É por isso que o que se está a passar na Síria tem tudo que ver connosco, europeus, mas nós não temos quase nada que ver com o que seja o remédio. O nosso soft power é manifestamente soft, e não é garantido que seja power. E não há muita maneira de não ser assim. Não temos, e não é provável que queiramos ter, um exército; não temos uma política externa comum relevante, porque temos interesse internacionais divergentes; e há muito que não temos disponibilidade de morrer pela nossa segurança. O que se está a passar no médio Oriente, porém, pode inverter tudo isto.

Henrique Burnay

O novo ambientalismo

Entre os 75 deputados dos verdes que se sentam no Parlamento Europeu, apenas 6 vêm da Europa de leste (ou central, como os próprios preferem), recorda um artigo do Politico da semana passada, para daí concluir que os verdes ainda têm um longo caminho para fazer entre os países que aderiram à União Europeia em 2004 e depois. Onde as condições económicas são mais duras e as necessidades mais básicas, o ambiente não vem no topo da lista das prioridades dos eleitores, obviamente.

Henrique Burnay

A horrível descoberta do outro

Até há uns anos, se uns tarados achavam que o mundo era plano, aparecia uma notícia num canto de um jornal, ou uma reportagem sobre a sua bizarria, mas ninguém se poria aos pulos a pensar que um bando de terraplanistas ameaçava o mundo. Do mesmo modo que se um grupo de pais e professores numa escola da Catalunha resolvesse descobrir uma perigosa conspiração machista no Capuchinho Vermelho, ninguém lhes dedicaria demasiado tempo. Os pais dos restantes alunos que tratassem de resolver o assunto, ou mudar de escola. E quem concordasse podia tirar a Bela Adormecida das estantes lá de casa.

Henrique Burnay

O Brexit não é só como eles quiserem

Ao longo das últimas semanas, o Brexit tem ocupado os jornais e televisões com a intensidade, o drama e a paixão de um reality show. As perdas de voz de May, a hesitações de Corbyn, os trânsfugas, tudo é visto e comentado. Até as gravatas do Speaker of the House conhecemos (ainda não repetiu nenhuma). É a democracia, dizem-nos. Será. Mas como em todos os divórcios há (pelo menos) duas partes. E se é certo que não podemos, não queremos, nem temos interesse em pôr-lhes as malas à porta, também é verdade que não podem continuar a precisar de tempo para pensar todas semanas.

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Opinião

Ninguém diz, mas o mundo está melhor

A tendência política contemporânea, à esquerda da esquerda e à extrema-direita, é acusar as elites, económicas e políticas, de terem construído um mundo injusto, desigual e que caminha a passo rápido para uma tragédia, apenas evitável com nacionalismo e protecionismo (à extrema-direita); ou com a redução do livre comércio e a penalização das grandes empresas, dos seus modelos de negócio e dos seus lucros (do centro esquerda em diante). Fareed Zakaria, o apresentador de GPS, na CNN, um indiano que estudou em Yale e Harvard, discorda, escreveu no Washington Post sobre o assunto e convidou Anand Giridharadas, uma das coqueluches do discurso antielitista, para conversarem.