Henrique Burnay

Henrique Burnay

O novo ambientalismo

Entre os 75 deputados dos verdes que se sentam no Parlamento Europeu, apenas 6 vêm da Europa de leste (ou central, como os próprios preferem), recorda um artigo do Politico da semana passada, para daí concluir que os verdes ainda têm um longo caminho para fazer entre os países que aderiram à União Europeia em 2004 e depois. Onde as condições económicas são mais duras e as necessidades mais básicas, o ambiente não vem no topo da lista das prioridades dos eleitores, obviamente.

Henrique Burnay

O antiamericanismo de Trump

Na semana passada a União Europeia fechou dois acordos comerciais com especial significado. Um, com o Mercosul, estava a ser negociado há vinte anos e permite uma enorme redução de taxas alfandegárias entre a Europa e os quatro países da América do Sul. O outro, com o Vietname, sendo menos impressionante, tem também importância e igual significado. Num tempo em que a América se caracteriza pelas guerras comerciais, a Europa define-se pelo comércio livre. Uma diferença que faz toda a diferença.

Henrique Burnay

Quase a mesma Europa

Quando Mário Soares quis ser presidente do Parlamento Europeu (PE), em 1999, podia ter sido. Bastava ter aceitado o Tratado de Tordesilhas existente à data entre os Populares Europeus e os Socialistas e ter esperado pela segunda metade do mandato do PE. Soares não quis, os Populares fizeram um acordo com os Liberais, com quem tinham votos suficientes para formar uma maioria, e dividiram o mandato de presidente do Parlamento entre Nicole Fontaine e Pat Cox. Se fosse agora, este exercício era impossível. Foi isto que mudou com as eleições europeias.

Henrique Burnay

Política a grande escala

Ao longo dos últimos cinco anos, a Comissão Europeia apresentou, ao Parlamento Europeu e ao Conselho, 551 propostas. Em média, mais de cem por ano, portanto. Daqui resultam duas coisas que podiam ser óbvias: que quando se diz que a legislação europeia representa uns 60% da legislação nacional é disto que estamos a falar; e que é impossível, nas vésperas das eleições europeias, discutir as próximas 551. Mas podemos conversar sobre as grandes prioridades, que é o que os eleitores conseguem mais facilmente perceber.

Henrique Burnay

Para que serve a Europa?

No século XXI, se a Europa não tiver política externa não existe. Não se trata de defender o fim das soberanias, dos interesses nacionais ou, menos ainda, de querer fazer de conta que não há interesses divergentes e mesmo conflituantes entre os Estados Membros. Trata-se, simplesmente, de reconhecer que o mundo está a reorganizar-se em grandes blocos com potências dominantes em cada um, mas que o confronto é mais económico do que militar. Os nossos aliados são os de sempre, mas os adversários são diferentes e as guerras também. A estratégia tem, por isso, de se adaptar.

Opinião

São Estados, senhores, são Estados

Italianos e franceses estão em guerra por causa dos imigrantes, e muito mais do que isso; holandeses e franceses estão à bulha por causa do domínio da companhia aérea Air France - KLM; e 17 Estados membros da União (quase todos os pequenos e médios) estão a queixar-se dos grandes. Mas, mesmo assim, continua a haver quem acredite que a União Europeia é a superação dos Estados. Não é. Mas essa ilusão não tem constrangido os fiéis da causa. O problema é que, sendo irreal, prejudica a análise dos factos e, sobretudo, a política.

Henrique Burnay

O multilateralismo é realista

A seguir ao fim da guerra fria, e perante evidência de que havia uma única potência sobrante e capaz de intervir, direta ou indiretamente, em qualquer parte do mundo, generalizou-se a ideia de que em vez da ordem mundial dos vencedores haveria de haver uma ordem mundial plural, multipolar, capaz de incluir todos em vez de ser dirigida apenas por alguns. E esse mundo, dizia-se, por ser mais plural e cooperante, havia de ser melhor, mais justo. Como o tempo tem provado, o multilateralismo é apenas uma maneira de gerir as relações internacionais. Pode ser mais plural, não é necessariamente melhor nos resultados. E é bom que se tenha presente esta diferença, não tanto para recusar a ordem mundial que temo, mas para não esperar dela o que não é suposto.