Guiné Equatorial

Um ponto é tudo

Desculpem lá a CPLP por fazer bem (2) 

Como dizia eu, aqui, ontem, a Guiné Equatorial já aboliu a pena de morte há muito. Tal como Espanha, há 150 anos, o que lhe valeu uma carta célebre de Victor Hugo a elogiar. Ao contrário, continuava eu a dizer, de Portugal que ainda há pouco garroteava. E, convidando a ir ao Google confirmar, ao contrário dos países africanos de língua portuguesa, e Timor, que, todos, ainda têm pena de morte. Evidentemente, confirmo tudo... se tiverem a gentileza de lerem tudo ao contrário. Eu sei como se chama à figura de estilo (mentira pegada, dizem alguns) que empreguei escrevendo assim. Chama-se respeito pelo leitor. Para dizer "hoje está de chuva", é no consultório ao lado, ou no táxi. Aqui, é conversa interessada. Dito isto, chamei a atenção para o essencial: como é que todas as antigas colónias portuguesas, todas, aboliram a pena de morte e isso não é assinalado e enaltecido? Nem agora, esta semana, quando à comunidade que nos une, a CPLP, acontece-lhe protagonizar esse ato de civilização que é trazer outro país, a Guiné Equatorial, para a civilização. Esta semana, a CPLP demonstrou que é mesmo uma comunidade e o que a une é mais do que a grande língua. Alguma coisa se escreveu sobre isso, mas só água-chilra. E, no entanto, Angola e Moçambique, com recentes guerras civis, dão uma lição que, por exemplo, os Estados Unidos não podem dar. Alguns leitores dizem que, para entenderem, lhes dei muito trabalho. Obrigado, estou cá para isso.

Entrevista a Jorge Carlos Fonseca

"O ministro português sabia da adesão da Guiné-Equatorial"

A dois dias de celebrar o terceiro ano do seu mandato o Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, explica a polémica recente em torno da adesão da Guiné-Equatorial à CPLP e considera quem Cavaco Silva e Passos Coelho não foram enxovalhados com a entrada desse país na comunidade de língua portuguesa. Clarifica que o essencial da decisão já fora tomado na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos vários países: "Os chefes de Estado e de Governo apenas trabalharam a partir de uma recomendação que vinha de todos os ministros dos Negócios Estrangeiros, inclusivamente do ministro português [Rui Machete]."