Guerra Colonial

Marta Martins Silva, jornalista e escritora, autora do livro "Madrinhas de Guerra"

Madrinhas de Guerra

As raparigas que se correspondiam com os soldados no Ultramar

Em 1961, nos primeiros meses da Guerra Colonial, as raparigas portuguesas foram desafiadas a corresponder-se com os soldados enviados para África, tornando-se suas "madrinhas". A resposta foi conclusiva: ao longo dos 13 anos que durou o conflito, cerca de 300 mil jovens corresponderam-se com combatentes, tornando-se uma luz na escuridão da guerra. Como a jornalista Marta Martins Silva conta no seu livro "Madrinhas de Guerra", agora lançado pela Saída de Emergência.

Tatuagens

"Amor de mãe" à flor da pele

"Em Nambuangongo tu não viste nada". Um soldado português, como no poema de Manuel Alegre, olha a morte e "fica mudo". No norte de Angola, tão longe de tudo o que conhecera neste mundo, é um dos sobreviventes do seu batalhão mas, em homenagem aos companheiros mortos nessa que foi uma das batalhas mais duras da Guerra Colonial, decide inscrever na pele a dor, o medo, o sentimento de abandono que jamais o deixarão. Tudo o que não conseguiria traduzir por palavras: "Amor de mãe", "Angola" (ou Guiné ou Moçambique) e uma data, ou simplesmente o nome da unidade a que pertencera sobre um dos braços ou mesmo do peito. Marcas tão definitivas como sinais de nascença.