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O assalto que durou oito horas

No dia 7 de Agosto de 2008, Wellington Nazaré e Nilton Sousa, de nacionalidade brasileira, assaltaram a dependência do Banco Espírito Santo de Campolide, em Lisboa, e fizeram reféns seis pessoas, incluindo os dois gerentes da dependência bancária que ainda hoje recebem acompanhamento psicológico. O assalto teve início pelas 15.00 de uma quinta-feira e terminou cerca de oito horas mais tarde com a libertação de dois reféns, a morte de Nilton Sousa, um dos assaltantes, e ferimentos na cara em Wellington Nazaré. Para já, este caso fica para a história como um dos julgamentos mediáticos mais rápidos da justiça portuguesa e composto por um tribunal de júri. A primeira sessão no Tribunal da Boa Hora teve início a 12 de Maio e, menos de dois meses depois e menos de um ano depois do assalto ocorrer, a sentença foi conhecida.

Sociedade

Arguido cabisbaixo perante os juízes

O arguido Wellington Nazaré, 23 anos, nacionalidade brasileira, esteve sempre, durante o julgamento, com a mesma postura: cabeça baixa, olhos no chão e com uma notória atitude de vergonha. Nas três sessões de julgamento, onde foi produzida toda a prova, perante o colectivo de juízes e os oito jurados que julgam o processo, Wellington mos- trou uma atitude de arrependimento. Isto apesar de, na primeira audiência de julgamento, Wellington, que tem estado preso desde que teve alta hospitalar, ter atribuído a responsabilidade do assalto ao seu colega, abatido a tiro pela polícia. Durante o depoimento dos dois prin- cipais reféns -a gerente e a subgerente do banco de Campolide - foi pedido ao arguido para se ausentar da sala.

Sociedade

Wellington recebeu visita de Procuradora

Cândida Vilar, a procuradora da República responsável pelas investigações que envolvem o assalto ao BES entrou ontem no Hospital de São José, pelas 11.00, alegadamente para contactar Wellington Nazaré , o jovem de 23 anos que se encontra ferido e em prisão preventiva naquela unidade. A magistrada - que liderou também as investigações que culminaram na acusação de vários skinheads, e que por causa disso passou a andar com segurança pessoal, devido a ameaças - entrou no hospital acompanhada de dois polícias, saindo passados poucos minutos. O estado de saúde de Wellington mantém-se estável, ao que o DN apurou, continuando a enfermaria em que se encontra vigiada por dois elementos da PSP. O primo que partilhava a casa com Wellington, Rodrigo, tentou visitá-lo ontem mais uma vez, mas as autoridades não o permitiram. Ao lado de Wellington está José Manuel Monteiro, um jovem de etnia cigana que na sexta-feira foi baleado à porta de um café, em Gáfete, Portalegre.