globalização

Um mundo à nossa espera

pedro alvito

Um mundo à nossa espera

Qualquer processo de internacionalização é um desafio e uma aventura pessoal. Vive-se na primeira pessoa e culturalmente é um desafio à nossa capacidade de ser interpelado, questionado e desafiado. A forma como respondemos a este embate marca o sucesso, ou não, de qualquer tentativa de tornar uma empresa mais global. E percebê-lo é a melhor arma para enfrentar este desafio. A arrogância cultural e até pessoal são obstáculos fortíssimos a uma visão aberta do mundo, do reconhecimento da diferença de culturas, da forma de ser, pensar e estar das pessoas em cada continente, país ou região.

Exclusivo

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.