Germano Almeida

Premium

Germano Almeida

As viagens do nosso desconforto

Os cabo-verdianos, particularmente os que viajam São Vicente-Lisboa, acabaram ficando gravemente penalizados com a concessão em exclusividade dessa carreira aérea à TAP. Essa companhia começou a entrar no país com pezinhos de lã, aliciando-nos com passagens quase ao custo da chuva. Porém, mal se viu única senhora dos nossos céus, não só carregou nos preços de forma indecente, como também inventou diversos outros métodos de descaradamente meter a mão nos bolsos dos seus passageiros, primeiro, através da venda de seats, que alega que são assentos de espaço mais alargado, mas que na realidade são comuns e iguais a qualquer outro que poderia ocupar-se sem acréscimo de qualquer pagamento; segundo, cortando na refeição a bordo. Dou dois exemplos: paguei a mais à volta de 120 euros para ter o direito de ocupar uma cadeira onde pudesse estender as pernas numa viagem São Vicente-Lisboa-Rio de Janeiro. Embolsaram a quantia e atribuíram-me um lugar exatissimamente igual a qualquer outro.

Premium

Germano Almeida

5 de Julho

Cabo Verde vive três datas importantes na sua história: 13 de janeiro, 20 de janeiro e 5 de julho. A primeira veio a ser consagrada muitos anos depois das duas seguintes, mais propriamente 15 anos após a independência nacional. Corresponde ao dia das eleições que estão na origem do nosso regime pluripartidário. A 20 de Janeiro relembra-se o assassinato de Amílcar Cabral, o fundador da independência nacional, presentemente com pouco mais que uma simples deposição de uma coroa de flores no seu memorial. No tempo do regime de partido único não só havia celebrações especiais, como fazia parte do currículo escolar falar nesse período de Cabral e da sua obra, da sua importância nos nossos países, Guiné e Cabo Verde, e também na África em geral onde é considerado um pensador prestigiado que muito terá influenciado os demais dirigentes de outros movimentos de libertação. Porém, era todos os anos a mesma ladainha, não havia nem se encorajava qualquer criatividade da parte dos professores nessa alocução sobre Cabral, e então conta-se de uma professora que já quase no fim da aula terminou de apressadamente debitar aos alunos o que sabia do "nosso imortal líder" e concluiu a lição com um enfastiado "Estou farta desse Amílcar Cabral, é sempre a mesma cantilena!"