G20

Pedro Tadeu

Uma notícia falsa pode destruir o mundo?

Quando a informação das duas mortes causadas pela queda de um míssil na Polónia chegou à reunião da semana passada do G20, em Bali, o que o mundo sabia estava condicionado por um despacho da Agência Associated Press, que, violando regras básicas do jornalismo, citava uma única fonte (deviam ser pelo menos duas, de origens distintas), anónima (num caso desta gravidade, e em clima de propaganda de guerra, aceitar o anonimato é um erro grave), identificada como "sénior" da inteligência norte-americana (seja lá o que isso for) e sem contraditório. Segundo a AP, essa fonte dava como certo que se tratava de um ataque russo.

Jorge Costa Oliveira

Transição energética, tempo perdido e ritmo lento

Desperdiçámos décadas a perceber que o aquecimento global era um problema sério. As alterações que devíamos ter introduzido para travar o aquecimento global foram sendo adiadas. A principal razão radicou na resistência política dos partidos do centro que governaram - e governam - os países ocidentais, os quais dominaram a economia mundial até recente data. O centro político pactuou com as poderosas companhias energéticas de recursos fósseis, que entendiam que o ritmo da transição energética devia ser "natural", i.e., primeiro esgotam-se as fontes de energias atuais - carvão, petróleo, gás natural - e só na fase final das reservas destas se reforça o investimento a sério nas energias renováveis. Quando começou a ficar claro que o aquecimento global implicava alterações climáticas trágicas, a resistência dos partidos do centro levou ao aparecimento de partidos verdes. Quando o crescimento destes ameaçou a hegemonia política dos partidos do centro - tendo mesmo chegado ao poder em vários estados europeus - se passou a encarar de forma séria o aquecimento global e as alterações climáticas dele decorrentes.