Francisco Seixas da Costa

Francisco Seixas da Costa

Cai na real, pá!

Um dia, tive de explicar a uma alta figura de Estado portuguesa que havia uma assimetria inescapável entre o modo como alguns portugueses olhavam o Brasil e a notória indiferença com que muitos milhões de brasileiros - cujos avós vieram de Aleppo ou da Pomerânia, e não de Freixo de Espada à Cinta ou de Almodôvar - reagiam quando o nome de Portugal vinha à conversa. Para aqueles, Portugal é frequentemente o país em que, com estranho sotaque, "também se fala português", de onde um dia chegou "seu Cabral", o país que lhes levou o ouro, trouxe os escravos e deixou os vícios, e que, depois, produziu um patusco rei "fujão" que gostava de pernas de galinha, cujo filho devasso deu no Ipiranga o grito da sua independência, antes de se recolher de vez à tal "terrinha", de onde ainda haviam de chegar carradas de "manuéis" e "joaquins", que eram em geral padeiros e tinham um jeito estranho de entender o que se lhes contava. Goste-se ou não, Portugal ainda é mais ou menos assim para muitos brasileiros.

Opinião

Uma agenda para o mundo

O governo de António Costa parece determinado em dar à política externa um lugar de topo nas suas preocupações. O facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) ser o segundo na hierarquia do executivo e de ter sido escolhido para o posto um qualificado "peso-pesado" socialista são disso prova evidente. Se a isso somarmos a circunstância de o MNE ter, pela primeira vez, quatro secretários de Estado, um dos quais dedicado exclusivamente à internacionalização da economia - que é outra maneira de dizer que coordena a AICEP -, fica claro que as Necessidades passam a ter um forte controlo sobre toda a ação externa.