Francisco Seixas da Costa

Francisco Seixas da Costa

Cai na real, pá!

Um dia, tive de explicar a uma alta figura de Estado portuguesa que havia uma assimetria inescapável entre o modo como alguns portugueses olhavam o Brasil e a notória indiferença com que muitos milhões de brasileiros - cujos avós vieram de Aleppo ou da Pomerânia, e não de Freixo de Espada à Cinta ou de Almodôvar - reagiam quando o nome de Portugal vinha à conversa. Para aqueles, Portugal é frequentemente o país em que, com estranho sotaque, "também se fala português", de onde um dia chegou "seu Cabral", o país que lhes levou o ouro, trouxe os escravos e deixou os vícios, e que, depois, produziu um patusco rei "fujão" que gostava de pernas de galinha, cujo filho devasso deu no Ipiranga o grito da sua independência, antes de se recolher de vez à tal "terrinha", de onde ainda haviam de chegar carradas de "manuéis" e "joaquins", que eram em geral padeiros e tinham um jeito estranho de entender o que se lhes contava. Goste-se ou não, Portugal ainda é mais ou menos assim para muitos brasileiros.

Opinião

Os portugueses e as Nações Unidas

A história da relação portuguesa com a Organização das Nações Unidas (ONU) é complexa e interessante.Os equilíbrios internacionais posteriores à 2ª Guerra mundial não permitiram que Portugal, sob ditadura, integrasse a Organização desde o seu início. Curiosamente, isso não iria aplicar-se à entrada portuguesa para a NATO, onde o "mundo livre", pelos vistos, não teve reticências em incluir Portugal como país fundador.