Filipe Pinto-Ribeiro

Filipe Pinto-Ribeiro

"Se não houver um lado espiritual na música, não vale a pena"

Não queria ir à bruxa, isto é, não queria voltar às aulas de piano onde uma fila de pioneses ameaçava as suas pequenas mãos de menino de 4 anos. Ultrapassou o medo graças a uma mistura de Bach com os Queen, porque no fundo adorava a música e o piano. Filipe Pinto-Ribeiro, nascido no Porto em 1975, é um dos grandes pianistas da atualidade, formado no Conservatório do Porto, discípulo de Helena Sá e Costa, doutorado no Conservatório de Moscovo pela mão de Lyudmila Roshchina. Vemo-lo em Évora, no Convento do Espinheiro, e o salto que dá, elástico, quando termina a Apassionata, de Beethoven, ou as Quatro Estações de Buenos Aires, de Piazzola, é um regresso feliz à realidade da sala, sorriso aberto de descontração após longos minutos de entrega total, física, à música. Depois dos aplausos, ali está a saltitar Alice, a filha mais nova, 5 anos, a tomar balanço para o violoncelo, e mais discreto o filho Alfonso, 13 anos, violinista. E a tomar conta de tudo está Rosa Maria Barrantes, pianista peruana - conheceram-se em Moscovo. Já não moram, como nesse tempo, num T0 soviético com um piano na sala-quarto e outro na cozinha, ao lado do frigorífico. Agora tocam todos e tentam não incomodar a vizinhança, em Lisboa.