Filipe Gil

Opinião

Portugal visto pelos olhos dos outros

Estava em plena mata atlântica perto de Ilhéus, em Salvador da Bahia. Depois de dias a ler e a espreguiçar num resort, decidi explorar as zonas em redor com um grupo de turistas. Às tantas comecei uma conversa com um casal de argentinos. Ele médico, ela professora. Conversa agradável, que passou pelo deus Maradona, o tango, o fado e o vinho. Falei do Porto e aí a conversa sofreu uma reviravolta. O homem argentino afirmou, sublinhou e teimou a pés juntos que o vinho do porto era chileno e não português. Fiquei incrédulo. Retorqui e discuti e mesmo assim ele ficou na dúvida. E admito, a conversa ficou por ali.

1864

O silêncio que incomoda

Foi um presente pelas boas notas na escola. Um rádio preto de uma marca alemã coberto com uma também negra capa protetora para evitar riscos e mazelas - como hoje se faz com os telemóveis. Naquela altura, em 1983, antes de se levantar para a escola primária, o rapaz tinha o ritual de acordar minutos mais cedo e ligar o rádio que metia debaixo da almofada. Voltava a adormecer embalado pelo som da música ou da voz dos locutores. Lembra-se de ouvir os primeiros êxitos dos Heróis do Mar ou as graças quase inocentes dos Parodiantes de Lisboa. Para onde fosse - de férias ou em casa de familiares -, o rádio ia com ele.