Filipe Froes e Patricia Akester

Filipe Froes e Patricia Akester

Retrato da covid-19 após um ano de convívio. Quão bem conhecemos o inimigo e a nós próprios?

Dizia o arguto Sun Tzu: "Se conheces o inimigo tão bem como a ti próprio, não precisas temer o resultado de cem batalhas. Se te conheces, mas não conheces o inimigo, por cada vitória sofrerás uma derrota. Se não te conheces nem ao inimigo perderás todas as batalhas..." (A Arte da Guerra). A questão que colocamos é: qual o nosso grau de cognição, clareza, lucidez, percepção e discernimento não apenas em relação ao nosso adversário viral como também no respeitante às nossas fragilidades? (com as consequências postuladas por Sun Tzu).

Filipe Froes e Patricia Akester

Balanço do acesso à vacina após um ano de covid: "alguns são mais iguais do que outros"

O percurso trilhado ao longo do último ano em sede de acesso à vacina evoca a evolução do 7.º mandamento do clássico literário, A Revolução dos Bichos. Nessa obra o autor britânico George Orwell começa por instituir a equidade como mandamento, mandamento este que sofre fortes desvios ao longo da sátira. Ora, declarada a pandemia, conceptualmente, foi o mandamento orwelliano (na sua versão não desvirtuada) que a Organização Mundial da Saúde (OMS) aduziu quando afirmou que o combate à covid-19 devia ter por base princípios de solidariedade, de cooperação e de assistência a nível internacional, princípios esses que reitera com constância. Volvido um ano, ciente está a OMS de que, na realidade, enquanto nos países desenvolvidos o processo de vacinação contra a covid-19 está em marcha, a velocidades diferentes é certo, na maior parte dos países em desenvolvimento nem uma vacina foi até hoje administrada. Tedros Adhanom Ghebreyesus (diretor-geral da OMS) admite mesmo que "o mundo está à beira de uma catástrofe moral" (CNBC).

Filipe Froes e Patricia Akester

Para o vírus não existem nem israelitas nem palestinianos, apenas fontes de contágio

Aqui reportámos recentemente que Israel lidera, de forma louvável, o processo de vacinação. Tendo assegurado um fornecimento colossal da vacina da BioNTech-Pfizer já administrou, segundo o respectivo Ministério da Saúde, uma dose de vacina a aproximadamente três milhões e duas doses a quase dois milhões dos seus cerca de nove milhões de habitantes. A estratégia, a precisão militar, o planeamento e a eficiência israelitas são impressionantes. Invejáveis mesmo, pensámos nós.