Festival de Cinema de Cannes

Cannes

Em louvor das novatas

A par de ser uma das seleções oficiais mais arriscadas e certeiras dos últimos anos, esta edição de Cannes tem servido para revelar atrizes. São elas, mais do que eles, quem está a aparecer. Atrizes que são descobertas absolutas e esperanças seguras.Um festival serve também como montra dos novos talentos, e Cannes tem sido rampa de novos rostos. Para um jornalista de cinema é ótimo poder testemunhar o nascimento de um talento emergente. De todos os filmes presentes, houve um que deve lançar duas novas atrizes. Chama-se La Danseuse, de Stéphanie Di Giusto, e tem duas rookies com uma graça de câmara fortíssima: Soko e Lily-Rose Depp, filha, precisamente, de Johnny Depp e Vanessa Paradis. Uma é força da natureza, a outra de uma fragilidade subtil.Na seleção oficial, mas fora de competição, passou um banalíssimo Hands of Stone, de Jonathan Jakubowicz, sobre o pugilista Roberti Duran. Mesmo sendo um mero filme de boxe com todos os clichés, há atores lá dentro: Robert De Niro e Edgar Ramirez, mas é sobretudo uma atriz que se destaca: Ana de Armas, a cubana que está a conquistar Hollywood ( tem Os Traficantes, de Todd Philips, para estrear já em agosto e depois é uma das estrelas da sequela de Blade Runner). A atriz consegue aos 28 anos ser muitíssimo credível como adolescente e, mais tarde, como mulher madura, mãe de cinco filhos.Descoberta mesmo absoluta é a Raph, uma beleza única em Ma Loute, de Bruno Dumont. Uma estreia de fôlego ao lado de Binoche e de Valeria Bruni Tedeschi. Raph tem um rosto verdadeiramente de cinema e um registo perfeito num papel que brinca com as questões do género. Tal como Ana de Armas, funciona às mil maravilhas a interpretar alguém bastante mais nova. O cinema francês certamente ganhou aqui uma nova presença vertiginosa. Não custa nada pôr as mãos no fogo por elas...