fascismo

Dossier - A revolução de Abril

António de Oliveira Salazar

António de Oliveira Salazar nasce no Vimieiro, Santa Comba Dão, em 1889. Em 1900 ingressa no Seminário de Viseu onde esteve oito anos. Mais tarde vai estudar para Coimbra onde conclui o curso de Direito, em 1914. Após o golpe de 28 de Maio de 1926 é convidado para Ministro das Finanças; ao fim de 13 dias renuncia ao cargo. Dois anos depois é novamente convidado para Ministro das Finanças e nunca mais abandonará o poder. Em 1930 como Presidente do Conselho de Ministros cria a União Nacional e três anos mais tarde faz ratificar a nova Constituição (corporativa). Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orienta-se para um corporativismo de Estado autoritário, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia. Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e colónias.

Dossier - A revolução de Abril

Marinheiros e capitães ao leme da ruptura

A Revolução do 25 de Abril é olhada como acontecimento recente, mas a sua ligação com o início do império colonial português acaba por a fazer corresponder a outro acontecimento com seis séculos de história: os Descobrimentos. O que une estas duas datas é o facto de os descendentes dos portugueses que conquistaram uma grande parte do mundo terem "fechado" em definitivo as portas desse projecto expansionista no ano 2002 com o reconhecimento da independência de Timor-Leste. Pelo meio ficaram revoluções independentistas como a de 1640, governativas como a do marquês de Pombal, ideológicas como a Revolução Liberal de 1820 ou o fim da monarquia há cem anos. Quando se pergunta qual a verdadeira importância do 25 de Abril, comparado com a gigantesca data dos Descobrimentos, que o primeiro homem a pôr o pé na Lua - Neil Armstrong - definiu como a maior aventura de sempre, a resposta não é simples. Trata-se de um dos grandes momentos de ruptura da nossa história. Para além do fim do império colonial, o movimento das Forças Armadas colocou Portugal a par das incipientes democracias que surgiram nas últimas décadas após a Segunda Guerra Mundial, entregando também aos portugueses um sistema parlamentar efectivo, uma possibilidade de aderir à UE sem o óbice das províncias ultramarinas e com uma liberdade a que os portugueses nunca tinham tido direito. Os próximos 35 anos poderão explicar se a Revolução de Abril nos deixará heranças tão grandes como as do Descobrimentos.

Dossier - A revolução de Abril

Valeu a pena

Se houve esperança na revolução de 25 de Abril de 1974, ela traduz-se nas palavras "melhoria de vida". Liberdade foi um facto, melhor vida uma esperança. Num país pobre e para um povo pobre, analfabeto e sem direitos sociais, a revolução trouxe de imediato a esperança que só encontrava na rota da emigração clandestina para França nos anos 60. A pé por caminhos desconhecidos, os portugueses seguiam para a Europa sem nada nos bolsos, sem papéis legais, apenas com vontade de encontrar trabalho e melhor vida.