Extrema Direita

Paulo Baldaia

Pelos valores europeus, contra a extrema-direita

Sem os imigrantes a economia nacional colapsava. O turismo, motor da nossa economia, está altamente dependente da mão-de-obra estrangeira; os frutos vermelhos ficariam por apanhar no Alentejo e a pera-rocha não sairia das árvores no Oeste; a construção civil avançaria a passo de caracol; a limpeza dos hospitais, das empresas e das casas particulares, para quem pode pagar um(a) empregado(a) doméstico(a), não seria feita. A lista é infindável.

Jorge Costa Oliveira

Como combater os "fratelli" do antissistema

O crescimento da extrema-direita na Europa está a provocar uma histeria e alguma confusão concetual. São ultranacionalistas, soberanistas, racistas, têm uma postura intolerante em relação a imigrantes e refugiados, defendem o primado da segurança pública, vários assumem posturas anticiência e pressagiam o regresso a valores ultraconservadores ("Deus, Pátria, Família"!). Porém, nenhum destes partidos tem advogado o fim do regime democrático.

Sebastião Bugalho

O grande swing

Hilary Mantel, provavelmente a maior escritora do século XXI britânico, introduz o leitor ao seu primeiro romance histórico (A Place of Greater Safety, 1992) da seguinte forma: "Tudo o que lhe parecer particularmente improvável é provavelmente verdade". Mantel, que se instituiu literariamente através de retratos ficcionados de momentos de rutura (a Revolução Francesa, no livro citado; o anglicanismo de Henrique VIII, na trilogia Wolf Hall), partiu esta semana deste mundo, não se inibindo de deixar lições a quem nele permanece. Também nós, não há dúvida, atravessamos um tempo de transformações, ainda que sem a sorte de virmos a ser narrados pela pena de Hilary Mantel.

Leonídio Paulo Ferreira

Quando a etiqueta fascista não faz mossa

Duas novidades podem sair das eleições italianas deste domingo: a primeira mulher a chefiar um governo em Itália e também a primeira vez que a liderança do país recai num líder de inspiração fascista desde o final da Segunda Guerra Mundial. Curiosamente, tem sido só a segunda novidade a merecer título, como se uma primeira-ministra num grande país europeu se tivesse tornado banal, depois das Damas de Ferro britânica Margaret Thatcher e alemã Angela Merkel, até porque com Liz Truss o Reino Unido vai agora na terceira e, com Élisabeth Borne, a França na segunda. Contudo, a insistência em catalogar Giorgia Meloni como a reencarnação de Benito Mussolini, feita por alguma imprensa internacional, mas sobretudo pelos seus adversários de esquerda, acabou por não afetar as intenções de voto nas sondagens e, hoje, nas urnas, o partido Irmãos de Itália pode obter um quarto dos votos, o que somado aos resultados previsíveis das outras forças de direita a põe na calha para ser primeira-ministra.

Cátia Moreira de Carvalho

"É nefasto chamar terrorismo ao caso do João e não à violência de extrema-direita"

Cátia Moreira de Carvalho é investigadora de psicologia social na área do terrorismo e na prevenção da radicalização. É doutoranda da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e perita da Radicalisation Awareness Network da Comissão Europeia. Critica a "irresponsabilidade" de se libertar informação alarmista.

Seis anos de Estratégia Nacional

Prevenção do terrorismo. Plano aprovado às escondidas e sem ações

A secretária-geral do Sistema de Segurança Interna diz que aprovou em 2017, com as polícias e as secretas, um plano para prevenir o recrutamento extremista e terrorista, mas nunca disso deu nota pública, nem ao parlamento. Especialistas em Segurança mostram-se surpreendidos. Desconhecem-se consequências e ações no terreno, coordenadas por esta estrutura.