Eutanásia

Opinião

Seria capaz de matar a Ana Catarina?

No dia em que a Ana Catarina me apresentou o formulário do testamento vital para assinar caí das nuvens. O cancro incurável, diagnosticado dias antes à mulher que eu amava e com quem vivia há trinta anos, deixara-me atordoado. A leitura do documento, que faria de mim o responsável pela execução da sua vontade médica quando chegasse a fase terminal da doença, arrancou-me do torpor narcótico onde me refugiara, em negação, e despertou-me, violenta, para a crua, sibilina e mesquinha realidade... Fez-me bem.