Eutanásia

Sebastião Bugalho

Passos, Montenegro, a eutanásia e um erro

Terá sido certamente irresistível e não necessariamente acertado. A resposta de Luís Montenegro a Pedro Passos Coelho acerca da eutanásia ("Sou muito direto. Discordo completamente da posição do dr. Pedro Passos Coelho") denunciou um desconforto pouco discreto do líder do PSD em relação ao seu antecessor politicamente mais próximo. Uma subtil tentativa de emancipação - com respeito, mas defendendo o valor democrático do referendo - seria compreensível. Uma veemente divergência de Passos Coelho ("A sua posição é muito fechada") como a manifestada por Montenegro trata-se, numa palavra, de um erro. Muito diretamente: não ganhou absolutamente nada com isso. Não só por Passos não ter dado qualquer sinal de almejar um regresso ao PSD (ou sequer à política), como pelo apoio público que o ex-primeiro-ministro concedeu à atual direção do partido, aceitando participar na reunião do Pontal, entre outros. Ademais, estando Montenegro determinado em expor uma realidade - em Portugal, há mais líderes políticos com dúvidas do que com certezas sobre a eutanásia -, a sua cabal discordância do artigo de Passos Coelho acabou por ser, no fundo, a sua única opinião definitiva no debate em curso. Talvez a despropósito, opôs-se mais a Passos, que tem convicções, do que ao seu adversário, António Costa, cujas hesitações sobre a matéria são conhecidas.