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Viriato Soromenho Marques

O monoteísmo do "deus dólar" continua

Em 1866, o jovem Eça de Queirós aproveitou a passagem por Lisboa do moderníssimo couraçado norte-americano USS Miantanomah para escrever na imprensa algumas notas penetrantes sobre a identidade dos EUA. No essencial ele identificava uma tensão matricial em Washington, definida pela oposição entre o "deus dólar", que explicava a violência expansiva, mesmo desumana, do seu capitalismo, e o impulso para a "justiça", traduzido na abolição da escravatura ao preço do enorme sacrifício da Guerra Civil, terminada no ano anterior. Gostaria muito de poder subscrever a tese de que nas recentes eleições intercalares a justiça prevaleceu sobre a idolatria do capital. Infelizmente, o sinal positivo dado pelos eleitores é ainda insuficiente para atenuar a gravíssima patologia da democracia nos EUA.