ética

inovação

Jen Gennai, a domadora de algoritmos da Google

Num mundo cada vez mais dominado por máquinas e probabilística, a grande arma para manter a rédea curta aos sistemas de inteligência artificial vem da filosofia. A tarefa de Jen Gennai está longe de ser simples. É ela quem está responsável por supervisionar e garantir que as dezenas de produtos que são desenvolvidos na Google respeitam os princípios éticos da empresa - uma tarefa cada vez mais importante à medida que cada vez mais sistemas tomam decisões sozinhos. "Isso significa providenciar as ferramentas, a infraestrutura e o conhecimento às equipas da empresa para fazer decisões mais éticas, para lançar tecnologia [...]

Exclusivo

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.