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Além do corpo e do sexo

Revejo Linha Fantasma, de Paul Thomas Anderson, na recente edição em DVD. O retrato de Reynolds Woodcock, personagem (fictícia) da moda londrina em meados da década de 1950, parece-me ser, não apenas um dos grandes títulos da produção de 2017, mas um dos filmes maiores de todo o século XXI. Com esse detalhe, amargo e doce, que decorre do facto de a composição de Woodcock pelo genial Daniel Day-Lewis ter sido, em princípio, o derradeiro trabalho cinematográfico do ator inglês.

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Elogio do velho Cinema Novo

Mais do que nunca, importa lidar com a herança do Cinema Novo português para além de qualquer facilidade nostálgica. Revelada nas décadas de 1960-70, a geração de cineastas que emulou a ousadia criativa da Nova Vaga francesa deixou um legado cuja energia não se dissipou. Mais do que isso, a sua memória estética e ideológica enriquece o debate atual sobre as encruzilhadas do cinema. Prova muito real dessa energia: a filmografia de António-Pedro Vasconcelos (n. 1939), atualmente em retrospetiva na Cinemateca (até final de julho).

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Memória cinéfila, precisa-se

Não será necessário voltar a sublinhar a importância política e simbólica da revalorização das personagens afro-americanas nos filmes de Hollywood. Mais do que isso: a sua inscrição num movimento transversal a toda a sociedade americana. Como muitos fenómenos que adquirem expressão panfletária, também este tem gerado o seu recalcado, por vezes reforçando uma tendência pueril de todo o espaço mediático. A saber: o irresponsável apagamento da memória.

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Ronaldo, Magritte e Zuckerberg

Vejo e revejo as imagens do golo histórico de Cristiano Ronaldo na baliza de Gianluigi Buffon. Em boa verdade, já não são tratadas como imagens, antes como avatares utópicos. Utopia científica, uma vez que a geometria do salto nos é apresentada como o consumar de uma depuração religiosa do próprio corpo. Utopia nacional, com os feitos de Ronaldo a serem mais uma vez proclamados como imaculada, porventura compulsiva, encarnação da nossa portugalidade.