Eleições EUA

Catarina Carvalho

Trump, barbies e pipis

De tudo, o que me incomoda mais: aquela família, os Trump, em que todas as mulheres parecem barbies. Saiam as mulheres que estão no centro do palco, venham as que fazem de moldura! Sorridentes, dentes brancos e cabelos loiros e compridos, pestanas postiças, saltos agulha, saia travada acima do joelho - podem substituir por ombro à mostra, também se aplica. E reparem, a presença dos últimos fatores podia não anular o primeiro - uma mulher até podia ter estado ontem no centro do palco e tê-los a todos, nada impedia. Acontece que não foi assim. Os americanos - e americanas - acharam que não era uma mulher que devia estar no centro do palco nestas eleições presidenciais. Acabámos assim uma noite longa, com mulheres a fazerem de moldura.

Cartas da América

Da democracia na América

A frieza e a humildade são as melhores conselheiras do analista. Reconhecer que confiou novamente e em demasia na maior indústria de sondagens do mundo e que, apesar da prudência quanto ao desfecho, foi balizando as suas interpretações nesses dados. Reconhecer que os modelos clássicos de análise quantitativa dedicados a segmentos do eleitorado americano já não servem e que há "latinos e latinos", "mulheres e mulheres", "millennials e millennials", "classe média e classe média". E conceder que, pese embora o momento absolutamente crítico que os EUA e a Europa atravessam, há muitos milhões de pessoas que não partilham genuinamente os encantos das democracias liberais, da tolerância, da multietnicidade social e da abertura das economias à globalização.