Eleições EUA

Cartas da América

Da democracia na América

A frieza e a humildade são as melhores conselheiras do analista. Reconhecer que confiou novamente e em demasia na maior indústria de sondagens do mundo e que, apesar da prudência quanto ao desfecho, foi balizando as suas interpretações nesses dados. Reconhecer que os modelos clássicos de análise quantitativa dedicados a segmentos do eleitorado americano já não servem e que há "latinos e latinos", "mulheres e mulheres", "millennials e millennials", "classe média e classe média". E conceder que, pese embora o momento absolutamente crítico que os EUA e a Europa atravessam, há muitos milhões de pessoas que não partilham genuinamente os encantos das democracias liberais, da tolerância, da multietnicidade social e da abertura das economias à globalização.