Dois à sexta

Dois à sexta

Um regime enviesado e uma direita descuidada

Um regime político é definido pela Constituição e pela práxis política. Sendo fundamental, a Constituição não é suficiente para definir o regime. Por exemplo, a prática francesa de o presidente se assumir como líder partidário, e a portuguesa, de o Presidente pretender ser independente, definiram de modos muito diferentes o papel da chefia do Estado nos respectivos regimes, apesar de as diferenças constitucionais serem menores.

Dois à sexta

A improvável geringonça

A coligação política crismada de geringonça tem protagonizado uma interessante experiência, pouco analisada. Tida como improvável, ultrapassou com sucesso uma série de subsequentes improbabilidades, a que os seus opositores se agarraram, na esperança de que a fizessem soçobrar e afundar em desastre: aprovação e posterior execução do Orçamento de 2016; aprovação do Orçamento de 2017; negociações com Bruxelas; apreciação das agências de rating; despoletamento de uma crise bancária herdada da gestão anterior; e outras menores.

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Erro humano

Recentemente, um comentarista do Financial Times exprimia a sua perplexidade sobre o estrondoso "despiste" da Volkswagen no escândalo da falsificação de informação sobre as emissões poluentes nos EUA. Que, além do dano reputacional, já lhe custara cerca de 17 mil milhões de dólares só em multas e indemnizações. O autor confessava a dificuldade em perceber "porque fizeram isso", reconhecendo que o mal teria de ser procurado no governo empresarial e na cultura que o enforma, e acabava por concluir que um "pobre e irresponsável governo empresarial e incentivos curto prazistas para os gestores são tristemente frequentes. E há sempre dinheiro a ganhar torneando das regras".