descolonização

Dossier - A revolução de Abril

Marinheiros e capitães ao leme da ruptura

A Revolução do 25 de Abril é olhada como acontecimento recente, mas a sua ligação com o início do império colonial português acaba por a fazer corresponder a outro acontecimento com seis séculos de história: os Descobrimentos. O que une estas duas datas é o facto de os descendentes dos portugueses que conquistaram uma grande parte do mundo terem "fechado" em definitivo as portas desse projecto expansionista no ano 2002 com o reconhecimento da independência de Timor-Leste. Pelo meio ficaram revoluções independentistas como a de 1640, governativas como a do marquês de Pombal, ideológicas como a Revolução Liberal de 1820 ou o fim da monarquia há cem anos. Quando se pergunta qual a verdadeira importância do 25 de Abril, comparado com a gigantesca data dos Descobrimentos, que o primeiro homem a pôr o pé na Lua - Neil Armstrong - definiu como a maior aventura de sempre, a resposta não é simples. Trata-se de um dos grandes momentos de ruptura da nossa história. Para além do fim do império colonial, o movimento das Forças Armadas colocou Portugal a par das incipientes democracias que surgiram nas últimas décadas após a Segunda Guerra Mundial, entregando também aos portugueses um sistema parlamentar efectivo, uma possibilidade de aderir à UE sem o óbice das províncias ultramarinas e com uma liberdade a que os portugueses nunca tinham tido direito. Os próximos 35 anos poderão explicar se a Revolução de Abril nos deixará heranças tão grandes como as do Descobrimentos.

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Valeu a pena

Se houve esperança na revolução de 25 de Abril de 1974, ela traduz-se nas palavras "melhoria de vida". Liberdade foi um facto, melhor vida uma esperança. Num país pobre e para um povo pobre, analfabeto e sem direitos sociais, a revolução trouxe de imediato a esperança que só encontrava na rota da emigração clandestina para França nos anos 60. A pé por caminhos desconhecidos, os portugueses seguiam para a Europa sem nada nos bolsos, sem papéis legais, apenas com vontade de encontrar trabalho e melhor vida.

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A saída da cepa torta

Passados 35 anos, o 25 de Abril é uma daquelas datas de excepção que nos transportam ao passado e a um dia inesquecível. Não vale a pena despejar uma tonelada de indicadores económicos e sociais para ilustrar a distância entre a vida de hoje neste canto da Europa e a que existia então. Limito-me a sugerir aos leitores do DN de amanhã que meçam a dimensão quase surreal do País de antes de Abril no artigo "Lembro-me de que...", da autoria de Ferreira Fernandes, inserido no caderno especial dedicado à Revolução dos Cravos.