Descobrimentos

Opinião

Tanto que o Papa deve às nossas caravelas

Nisto de contas da Igreja, e fé ou não à parte, sempre me pareceu que Portugal recebia pouco pelo muito que deu ao catolicismo, sobretudo à boleia das caravelas. De um lado, pouco mais de uma dezena de santos, meros dois cardeais em simultâneo a maior parte do tempo, um só Papa em 900 anos. Do outro, um primeiro rei a tudo fazer para oferecer território à cristandade, um século XIII brilhante com João XXI, Santo António e frei Lourenço de Portugal (embaixador papal ao Grão-Mongol), depois do século XV uma missionação que resultou no Brasil, o país com mais católicos no mundo, e também em Timor, o país asiático com maior percentagem de católicos, já para não falar nessa Índia onde a maioria dos 30 milhões de cristãos não tem apelido nem deixado pelos britânicos anglicanos nem herdado dos ortodoxos sírios que viviam na costa do Malabar antes de Vasco da Gama lá chegar; chamam-se, isso sim, Fernandes, Noronha, De Souza ou Dias (mesmo que pronunciem Dáias, como um dia ouvi em Bombaim).

Opinião

A palavra Descobrimentos não está proscrita nem tem peçonha

O programa eleitoral de Fernando Medina promete a construção de um Museu das Descobertas (ou dos Descobrimentos) em Lisboa. Há dias, o Expresso publicou uma carta contra essas designações e também contra a de Museu da Interculturalidade de Origem Portuguesa, que fora entretanto sugerida por Matilde Sousa Franco. A carta foi assinada por mais de cem historiadores e cientistas sociais, vários dos quais conheço e considero, o que não me impede de discordar do que subscreveram. Porquê?