Dentro do Género

João Taborda da Gama

Entre apps e plantas

A Web Summit acabou, mas volta, e volta por mais dez anos, e isto são excelentes notícias. E não é por Marcelo ter reanunciado outra vez a sua recandidatura nem pela coisa em si e pelo bem que faz à cidade e ao país. É mesmo porque assim temos mais dez anos para ouvir, durante uma semana em novembro, que é sempre um mês difícil porque é o mais normal de todos, o mês em que as pessoas já trabalham e esqueceram o verão e ainda não foram para o Natal, de termos ali logo no início o privilégio, o prazer, o deleite, de ouvirmos na rádio, televisão e jornais, no digital e no papel, as grandes pérolas de sabedoria daqueles que são contra a Web Summit. Pena que não os possamos ouvir em meses tristes e normais, como um março ou até um abril, mas não se pode ter tudo e agora temo-los mais dez anos, na primeira semana de novembro.

João Taborda da Gama

Ora dá cá um

Depois do grande holocausto do beijinho, iniciado na década de oitenta pelo jet seis lisboeta, e depois copiado por todos aqueles que almejavam lá chegar, aterrando de copo na mão e pernas entrelaçadas nas páginas da Olá Semanário, quiçá numa festa em tafetá no T-Clube, ou bronzeados no Ancão, temos agora o professor poliamor do Prós e Contras a querer cortar no grande maná de beijinhos que é repenico entre avós e netos. Mas, antes dos netos, vamos aos betos, porque foram eles que começaram com isto tudo de acabar com o beijo.

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João Taborda da Gama

Temos tempo

Achamos que temos tempo mas tempo é a única coisa que não temos. E o tempo muda a relação que temos com o tempo. Começamos por não querer dormir, passamos a só querer dormir, e por fim a não conseguir dormir ou simplesmente a não dormir, antes de passarmos o resto do tempo a dormir, a dormir com os peixes. A última fase pode conjugar noites claras e tardes escuras, longas sestas de dia com um dormitar de noite. Disse-me um dia o meu barbeiro que os velhotes passam a noite acordados para não morrerem de noite, e se ele disse é porque é.

João Taborda da Gama

Temos tempo

Achamos que temos tempo mas tempo é a única coisa que não temos. E o tempo muda a relação que temos com o tempo. Começamos por não querer dormir, passamos a só querer dormir, e por fim a não conseguir dormir ou simplesmente a não dormir, antes de passarmos o resto do tempo a dormir, a dormir com os peixes. A última fase pode conjugar noites claras e tardes escuras, longas sestas de dia com um dormitar de noite. Disse-me um dia o meu barbeiro que os velhotes passam a noite acordados para não morrerem de noite, e se ele disse é porque é.

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Ripa na cambalhota

O Mundial de futebol, e as vitórias que a seleção vai ter, a nossa barriguinha substituída pelos abdominais de Cristiano Ronaldo, não podem fazer esquecer o grande escândalo desportivo que vivemos. Não falo nem do lodo em que está o Sporting, com finalmente a justiça a ter juízo e a começar a pôr aquilo em ordem, nem da corrupção no Benfica, nem no Andebol leonino, nem a FIFA a fingir que está tudo bem, não. O grande escândalo da cambalhota.

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O lugar do homem

"Há homens que são como lugares mal situados", "homens que são como fronteiras invadidas", li num poema do Daniel Faria. E li isto enquanto estava a ler o Black Flags, do Joby Warrick, jornalista que ganhou dois prémios Pulitzer, um deles precisamente com o Black Flags que conta a história de como foi possível o Estado Islâmico. E nessa história a figura central é Ahmad Fadeel al-Nazal al-Khalayleh, que mais tarde mudou o nome para Abu Musab al-Zarqawi, por ter nascido em 1966 nos subúrbios de Zarqa, cidade industrial do noroeste jordano. Zarqawi é o tipo de Zarqa.

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Pedalar para a frente

Na semana passada acabei por falar muito do Campo Grande mas nada do modo como lá cheguei, nem do homem mal encarado que alugava motas e bicicletas junto à Alameda da Universidade onde andava sempre muita chungaria a fazer cavalinhos para a frente e para trás. Queria ir de bicicleta, mas a Gira não chega aqui ao meu bairro e por isso tive de ir de mota. Lá fiz o download da aplicação da eCooltra e dirigi-me à mota mais perto de casa. Lá estava ela, única, à minha espera, algum espertalhão a pensar que ia pegar nela mais tarde mas eu já a tinha fisgado.

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Porto Aero

Dá mais em homens a imbecilidade, mas também pode dar em mulheres; dá mais em novos e de meia-idade, mas também pode dar em velhos, pode até dar em crianças; a imbecilidade não define as pessoas, se há coisa que aprendi foi isso, que somos um conjunto muito variado de coisas, umas boas, outras menos boas, outras ainda piores, mas que não nos definem. Mas nem toda a gente percebe isto e não consegue distinguir a imbecilidade do imbecil. Até porque há muitos imbecis que poucas ou nenhumas imbecilidades cometem.

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A história do Alberto

Daqui por oito meses, no dia 6 de novembro, voltamos a falar. Nesse dia, vai ser eleito o Alberto para o Congresso dos EUA, pelo 27.º distrito eleitoral da Florida e vai fazer-se história. Claro que não conhece o Alberto, e também não se pode dizer que eu o conheça há muito tempo, 48, 50 e tal horas no máximo não é muito tempo, e nem é bem conhecer, é vasculhar a internet de cima a baixo para saber tudo sobre ele, como chegou onde chegou, de onde veio, para onde vai. Bom, para onde vai eu já disse, vai para Washington, para o Congresso. E isto é tão certo como dizer que o Diogo Piçarra ia desistir do festival logo quando se desconfiou do plágio.