Dantas Rodrigues

Opinião

O Pacto de Marraquexe

A Europa comunitária vive a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Lembro que, em 2015, por via marítima, entraram no nosso continente nada menos de um milhão de pessoas, e morreram no trajeto três mil setecentas e setenta e uma. Este ano, que ora finda, já desembarcaram nas nossas costas trezentas e vinte sete mil oitocentas e quarenta e seis pessoas, e as que pereceram cifram-se num número superior ao registado em 2015. Desde a passada primavera, devido ao acordo migratório em vigor entre a Turquia e a União Europeia, e com uma vigilância policial bastante mais apertada aos incessantes vaivéns marítimos, os traficantes de seres humanos foram obrigados a mudar de rota, havendo agora eleito os trajetos entre a Líbia e o sul da Itália ou entre a Líbia e a ilha de Malta.

Dantas Rodrigues

Nas masmorras de Maduro

Se existe um país sem condições mínimas de segurança é a Venezuela. Só no ano de 2007 teve a segunda maior taxa do mundo em homicídios, ou seja, 89 assassinatos por cada 100 mil habitantes. Somente a Síria, que uma guerra fratricida de todos contra todos detona há mais de sete anos, ultrapassou aquele país da América do Sul. O relatório anual da Amnistia Internacional 2017/18 é demolidor quanto às sistemáticas violações ali praticadas dos mais elementares direitos humanos, denunciando que forças policiais e militares torturam e executam imediatamente as suas vítimas sem que lhes seja consentida a mínima garantia judicial, ou seja, negando-lhes todo e qualquer direito a um justo julgamento ou a serem assistidas por um advogado. Violações igualmente trazidas à luz do dia em novembro último pela ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, junto do Tribunal Penal Internacional, a qual declarou que o regime de Nicolas Maduro é responsável por mais de oito mil assassinatos entre 2015 e 2017.

Dantas Rodrigues

Combater o cibercrime

O aparecimento da internet e o seu constante aperfeiçoamento, a proliferação de utilizadores de smartphones, tablets, computadores portáteis e outras parafernálias conhecidas ou ainda por conhecer, com acesso gratuito à internet através das redes wireless, destapou uma verdadeira Caixa de Pandora e abriu de vez o palco do mundo ao cibercrime, provocando a emergência de uma nova subcultura criminal que tem como território privilegiado a rede universal de utilizadores de internet.

Dantas Rodrigues

Fátima, lugar de perdão

No próximo mês de maio vamos receber a visita do Papa. Como é natural, os reclusos estão ansiosos por saber se o poder político vai conceder uma amnistia que permita a redução das suas penas. Porque a Igreja significa amor, compaixão, perdão, afigura-se absolutamente legítimo que da passagem por Portugal do representante de Deus na Terra haja quem tenha a esperança de ver despontar melhores dias. Das visitas papais ao país resultaram três amnistias: em 1967 com Paulo VI (o primeiro papa da história milenar da Igreja a visitar Portugal), em 1982 e 1991 com João Paulo II. Em 2000, ainda com João Paulo II, e 2010, com Bento XVI, já não houve amnistias.