Daniel Proença de Carvalho

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Daniel Proença de Carvalho

Uma questão de tempo

A atual solução governativa tem futuro, ou está a esgotar-se? Admitindo como muito provável que ultrapasse as dificuldades do próximo Orçamento, qual o preço político do consenso entre os partidos da geringonça para a sua aprovação? E como chegará o PSD até às próximas eleições: com Rui Rio, com o regresso da ala passista ou com uma terceira via? Santana Lopes avança para a criação de um novo partido? Será que existe por aí um Macron português? Como se vê, há matéria para os comentadores políticos exercitarem a sua atividade. Isto para além das inúmeras variáveis e incertezas que pairam na cena internacional, com um Trump a romper com toda as convicções que tínhamos por adquiridas, com a União Europeia sem liderança e muito pouca união, ou seja, um mundo a caminhar para a imprevisibilidade senão o caos.

Opinião

Orientação precisa-se

No caos que se vai instalando no mundo, com uma personalidade desequilibrada e imprevisível na liderança do país mais poderoso, com uma Europa dividida e sem rumo, Portugal aparenta uma situação de estabilidade, sem partidos à direita hostis ao projeto europeu ou defensores de posições radicais de desrespeito pelos princípios humanitários relativamente a imigrantes ou refugiados, como está a suceder em vários países que nos são próximos. E os partidos da esquerda que apoiaram o PS na formação de uma maioria parlamentar, embora muito ativos na contestação social (PCP) e com forte influência nos media (BE), não têm levado o governo para soluções que ponham em causa o património histórico do PS, a aposta no projeto europeu, na Aliança Atlântica e na comunidade dos países que falam português. Mais difícil é manter o país num rumo que promova crescimento económico e contas públicas saudáveis.

Opinião

Entregues a nós próprios

Como ficou o mundo depois das eleições na Alemanha? Um pouco mais confuso e instável. Angela Merkel saiu debilitada, à procura de um governo com dois partidos com visões contraditórias sobre o presente e o futuro da Europa, ou seja, um governo que o Vasco Pulido Valente alemão poderia designar de "geringonça" e com uma oposição que envolve um partido de extrema-direita nacionalista. No outro pilar europeu, a França, temos um presidente com boas ideias e intenções, sem uma base de apoio consolidada, quer política quer socialmente, com forças sindicais poderosas dispostas a ter tudo para impedir as reformas modernizantes do presidente. Se estes dois países essenciais à reforma da União estão em situação debilitada, o resto da Europa que conta não parece poder ajudar ao fortalecimento da coesão interna e da afirmação da Europa no plano internacional.