Daniel Deusdado

Daniel Deusdado

Não estamos a salvar a Terra, estamos a salvar-nos a nós

Talvez a figura mais empolgante da WebSummit tenha sido Christiana Figueres, a costa-riquenha de 63 anos que desempenhou o papel de Secretária Executiva do "Acordo de Paris", em 2016. Ela disse a frase que está no título deste texto e representa uma boa síntese sobre o essencial do que estamos a viver. O planeta continuará. Talvez sem a espécie humana ou, pelo menos a curto prazo, sem a vida extraordinária que atingimos no século XXI. O problema é nosso. Por essa razão, temos mesmo de mudar de vida e ainda vamos a tempo.

Daniel Deusdado

Trump está a tentar destruir a Europa e isso inclui o Brexit

Trump está lentamente a cercar a Europa por múltiplas formas. Neste momento consegue manipular a economia global e alterar as equações da política internacional. O único bloco solidamente democrático que ainda não lhe obedece é o europeu. E, portanto, tornou-se no seu maior inimigo. Façamos um périplo pelos interesses em conflito.

Daniel Deusdado

Capoulas Santos anunciou que lidera o Governo do boi

1. Se alguma dúvida havia sobre qual a camisola de Capoulas Santos, ela ficou demonstrada no caso "carne de vaca" da Universidade de Coimbra. Num momento em que Bolsonaroé vexado mundialmente como chefe da Bancada do boi no Congresso brasileiro (com as consequências que estão à vista na Amazónia), o ministro da Agricultura sai da caverna para anunciar ao mundo o seu incómodo pela diminuição do consumo de carne de vaca numa instituição pública pois, como se sabe, as metas da descarbonização são boas para todos, em abstrato, mas depois não se destinam a ninguém em particular. E Capoulas, que já tinha brilhado ao tergiversar sobre a limitação do herbicida glifosato na União Europeia, volta à liça, em contramão com a história.

Opinião

Alta velocidade, PANdemónio e Elisa no sítio certo

1. E de repente, parece haver um consenso sobre a ferrovia. À esquerda já existia mas Rui Rio também veio anunciá-lo pelos sociais-democratas, uma espécie de sacrilégio. O velho PSD abanou, de que foi exemplo José Miguel Júdice: no seu comentário semanal na SIC Notícias tratou de desfazer o líder do seu ex-partido. E, como se notou por Júdice, interessa pouco o que está em causa. Conta a tática. É um "investimento público colossal e o PSD não devia apoiar algo assim". Ora, talvez para Júdice só faça sentido apoiar grandes empreitadas com parcerias público-privadas que, entretanto, pagamos a peso de ouro até à eternidade (o caso da Brisa e das outras concessões de auto-estradas são flagrantes). Comboios? Que desgraça...!

Daniel Deusdado

Bayer-Monsanto não se livra do cancro no glifosato

O jornal francês "Le Figaro" noticiava há dias, na primeira página do seu suplemento económico, um acontecimento relevante para as bolsas europeias. Pelos vistos, há um problema com essa potência mundial alemã chamada Bayer. E tudo começou pela estratégia, aparentemente ousada, de adquirir a norte-americana Monsanto, uma das empresas mais contestadas em questões ambientais. O reflexo aí está: a compra custou aproximadamente 560 mil milhões de euros há pouco mais de um ano, mas, por causa dos processos judiciais contra a Monsanto - ligados aos efeitos secundários no uso do herbicida "Roundup" (glifosato) -, a cotação bolsista da Bayer já desvalorizou 30 mil milhões de euros.

Daniel Deusdado

Uma nova ponte para Lisboa com carros ou comboios?

Se as questões sobre as alterações climáticas não fossem apenas propaganda útil na boca dos partidos, dir-se-ia que o critério para decidir a nova ponte Chelas-Barreiro deveria ser o impacto carbónico. A menos que, de facto, na hora da verdade, este tema conte realmente pouco. Porque não é indiferente se esta ponte vai ser rodoviária, ou ferroviária, ou rodoferroviária. E as três hipóteses são possíveis e radicalmente diferentes no resultado final.

Daniel Deusdado

E se Portugal fosse a Amazónia que precisamos salvar?

Não por acaso um dos títulos mais belos e estranhos - Que farei quando tudo arde? - é de um escritor português, Lobo Antunes, e se o livro não é sobre a floresta, o contexto psicológico em que o título aparece tem muito do Portugal de final do século XX e anos seguintes, em que tudo começou literalmente a arder, de forma galopante, chegando-se ao ano de 2003 em que uma onda de calor impiedosa alastrou a morte pelas pessoas e natureza. Nesse ano arderam 225 mil hectares de floresta e dois anos depois um novo pico estatístico: 170 mil. Desde aí nada ficou igual. Ficamos ainda mais subjugados a esta realidade de um abandono da terra, da sua entrega à exploração mais fácil e selvagem, e à rendição coletiva de conforto em que "o país" representasse algo mais do que uma ideia, uma língua e um discurso social emanado a partir das cidades. Proveta e ruído. Critério editorial e opinião. Muito disto tem lideranças que vogam entre garagens e garagens, carros de ar condicionados e pisos alcatifados, a uma distância face ao mundo que só ligeiros sobressaltos de tragédias geram precários espantos. Exemplo: 2017, o novo recorde em todas as frentes - 250 mil hectares de floresta ardida e todas as vítimas civis que conhecemos, não apenas bombeiros (porque esses já eram apenas danos colaterais frutos do erro humano e falta de formação...).