Daniel Deusdado

Daniel Deusdado

Quatro semanas sem escola. É mais do que urgente

No primeiro confinamento definiram-se quatro grupos-alvo: "serviços, comércio, restauração e hotelaria"/ "escolas"/ "indústria e construção"/ "produção essencial e exceções". Parámos os dois primeiros. O impacto foi enorme, mas os números nunca desceram o suficiente para chegarmos ao verão como um país aberto ao turismo. Hoje, com dez mil casos diários, e em cima das piores semanas hospitalares (gripes e pneumonias), arriscamos ainda mais: confinamos apenas o grupo "serviços, comércio e restauração". Deixamos de fora as "escolas". Acreditamos em milagres?

Opinião

Torre Bela é um escândalo mundial (mesmo que a BBC não tivesse notado)

Poderia ter acontecido noutro sítio? Há algo de muito errado a passar-se em Portugal e Espanha. Pode parecer demagógico trazer as touradas para o assustador crime da Torre Bela, mas talvez esta cultura de morte ajuda a entender quem são estas pessoas, quais os seus "hobbies" e porque aquele massacre lhes pareceu normal - ao ponto de tirarem fotografias em frente das centenas de animais mortos.

Daniel Deusdado

Covid: Governo iô-iô dá cabo de tudo ao mesmo tempo

A frase de António Costa "não estamos no ponto que desejávamos estar" diz tudo. O Governo continua a ter intenções num processo que só compreende leis naturais. Como se não tivéssemos capacidade para agir com eficácia. O coronavírus é matemático, ultra-previsível. Se pode circular, circula. Não tem estados de alma. Portanto, uma vez mais, o Governo sabia antecipadamente que ia ter com grande probabilidade um resultado frouxo nesta altura... e conformou-se. Não quis atuar com mais força no início de dezembro. Resultado: destruiu o Ano Novo. É a enésima situação neste processo. É um método. Um método que já provou diversas vezes ser errado para uma pandemia.

Daniel Deusdado

Covid: se as escolas falharem, a economia volta a parar

Nem a dificílima gestão da crise covid conseguiu amenizar o (intrínseco) trauma "défice" do Governo. Por vezes poupa-se onde é óbvio que se vai gastar muito mais a seguir. Desta vez parece estar iminente um falhanço enorme nas escolas - tal como aconteceu no surto de Lisboa ou nos lares. Liga todos estes casos o mesmo tópico: falta de recursos humanos. Vamos pagar a mais professores para estarem nas escolas ou aos pais para ficarem em casa com os filhos?

Daniel Deusdado

Os podcasts como fórmula de conhecimento: de Kamala à Antena 2

Depois dos livros, chegou a hora de os podcasts serem os nossos melhores amigos? Na semana passada, trouxe aqui o programa diário A Ronda da Noite, sobre livros e cultura, na Antena 2, mas neste agosto descobri as Grandes Batalhas da Antiguidade, também da Antena 2 (RTP Play ou Spotify). São 13 pérolas radiofónicas escritas pelo historiador Paulo Nazaré Santos e que vão desde a Batalha de Kadesh (1274 a. C.) até à Batalha dos Catalaúnicos (451 d. C.). A escrita de Paulo Nazaré Santos é absolutamente deslumbrante na criação das atmosferas e cenários de guerra enquanto a narração do João Almeida e a sonoplastia de Tomás Anahory são primorosas. Uma obra-prima da nossa cultura.

Opinião

Imunidade sem rebentar SNS: trabalhadores são os novos heróis

Os austríacos ou os checos são os mais inteligentes da pandemia? O modelo sueco falhou? É absurdo fazer contas a meio desta corrida. Uma coisa sabemos já: quem confinou mais cedo, acertou. Mas a resposta à segunda vaga não será certamente igual. As circunstâncias mudam todos os dias e informação vital aflui com novos dados. O confinamento está a criar a maior crise económica da História do mundo. Não é um problema de bolhas económicas ou correções financeiras. É outra coisa nunca antes vista: não-produção à escala global, apesar de continuarmos a consumir. Temos de lutar contra duas pandemias em simultâneo. Podemos?