Daniel Deusdado

Opinião

Erradicar o vírus é impossível. Libertem as praias

Sucesso é ter zero casos? Pois, ouvindo-se as notícias, parece. Podem fechar-se indefinidamente países para não entrar a covid? A Nova Zelândia tem dinheiro para isso. A Madeira e os Açores, com o seu "sucesso" de zero casos novos, podem fazer o mesmo?Quantos meses conseguem viver sem qualquer turismo? Se o vírus não vai desaparecer, é preciso aprender a viver com ele e deixar a imunização acontecer, sempre de forma controlada. Mas a vida tem de seguir aos poucos.

Daniel Deusdado

Facto: 99,8% sem Covid-19. Surfar a curva achatada

Um longo mês, mas apenas um mês. Talvez a maior perplexidade desta crise Covid-19 seja o facto de não termos ainda chegado, sequer, aos 20 mil infetados em Portugal. São menos de 0,2 por cento da população segundo os números oficiais. O número é extraordinariamente bom pelo baixo número de vítimas (629), mas mantém-nos completamente dependentes de uma vacina que não existe. Até lá, a bomba-relógio está colocada nas mãos do Governo para a propagação provável do Outono-Inverno e o primeiro-ministro está consciente disso.

Daniel Deusdado

Daniel Deusdado: Parar a Europa duas semanas, já! O medo é pior que o covid-19

Medo do quê, exatamente? A preocupação das minhas filhas está centrada nos avós. Os números não enganam: a partir dos 70 anos, a percentagem de pessoas que morrem de covid-19 é de 8 por cento em cada 100 infetados. Se a idade é superior a 80 anos, pode atingir quase 15 pessoas em cada 100. Ao mesmo tempo há dois factos aparentemente contraditórios, mas interessantes: 80 por cento da população mundial contrairá o vírus até 2021 (segundo o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, in Público) e, no entanto, mais de metade da população nem sequer terá febre ou chegará a saber que o contraiu (disse o pneumologista Agostinho Marques na RTP1). Obviamente fica uma dúvida: a situação é apenas grave e passageira ou catastrófica?

Opinião

Verdade Envenenada: o teflon no sangue de toda a gente

Teflon. Bom para garantir que os alimentos não ficam colados às frigideiras e tachos quentes. Igualmente usado em alguma roupa simultaneamente quente e impermeável (tipo "gore-tex"). Faz parte da composição de alguns detergentes. E de repelente de insetos. E está em muitos plásticos e tantas outras coisas que o tornou presente no sangue de praticamente todos os norte-americanos e de centenas de milhões de pessoas por todo o mundo.

Opinião

Governo esqueceu-se do novo imposto sobre as celuloses (leu bem)

A velha frase - "as duas únicas coisas certas são a morte e os impostos" - encontrou uma exceção. O bónus de 2019 saiu ao setor das celuloses e madeiras, supostamente alvo de uma contribuição específica para a reabilitação da floresta, mas que, afinal, o Ministério da Agricultura se esqueceu de regulamentar. O Público de 30 de Dezembro adianta a história e tem pormenores, no mínimo surreais, que culminaram não só com a total omissão da taxa sobre estas indústrias como, mais incrível, ela volta a não constar do Orçamento de 2020.

Daniel Deusdado

Resultado de Johnson anuncia Trump 2020. Europa = França

Os ingleses não optaram ontem apenas pelo Brexit. Deram de novo um enorme sinal de que o nacionalismo é o tema do nosso tempo. Não interessa a pequena política dos detalhes e das medidas. A alma das nações, erigida ao longo de tantos séculos e de tantas guerras com os vizinhos, não se altera em meio século. A "Europa" começou por ser uma utopia das elites. Quantas mais gerações passam (e nos afastam das Grandes Guerras), mais regressa essa alma nacional, um pouco por todo o lado, sobretudo nos países que pagam para que exista a tal "Europa" da solidariedade.

Daniel Deusdado

Trump está a tentar destruir a Europa e isso inclui o Brexit

Trump está lentamente a cercar a Europa por múltiplas formas. Neste momento consegue manipular a economia global e alterar as equações da política internacional. O único bloco solidamente democrático que ainda não lhe obedece é o europeu. E, portanto, tornou-se no seu maior inimigo. Façamos um périplo pelos interesses em conflito.

Daniel Deusdado

Capoulas Santos anunciou que lidera o Governo do boi

1. Se alguma dúvida havia sobre qual a camisola de Capoulas Santos, ela ficou demonstrada no caso "carne de vaca" da Universidade de Coimbra. Num momento em que Bolsonaroé vexado mundialmente como chefe da Bancada do boi no Congresso brasileiro (com as consequências que estão à vista na Amazónia), o ministro da Agricultura sai da caverna para anunciar ao mundo o seu incómodo pela diminuição do consumo de carne de vaca numa instituição pública pois, como se sabe, as metas da descarbonização são boas para todos, em abstrato, mas depois não se destinam a ninguém em particular. E Capoulas, que já tinha brilhado ao tergiversar sobre a limitação do herbicida glifosato na União Europeia, volta à liça, em contramão com a história.

Opinião

Alta velocidade, PANdemónio e Elisa no sítio certo

1. E de repente, parece haver um consenso sobre a ferrovia. À esquerda já existia mas Rui Rio também veio anunciá-lo pelos sociais-democratas, uma espécie de sacrilégio. O velho PSD abanou, de que foi exemplo José Miguel Júdice: no seu comentário semanal na SIC Notícias tratou de desfazer o líder do seu ex-partido. E, como se notou por Júdice, interessa pouco o que está em causa. Conta a tática. É um "investimento público colossal e o PSD não devia apoiar algo assim". Ora, talvez para Júdice só faça sentido apoiar grandes empreitadas com parcerias público-privadas que, entretanto, pagamos a peso de ouro até à eternidade (o caso da Brisa e das outras concessões de auto-estradas são flagrantes). Comboios? Que desgraça...!